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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

PERDER UM CÃO PODE SER TÃO DIFÍCIL QUANTO PERDER UM FAMILIAR

Qualquer pessoa que já tenha tido um cão e amado ele com todo seu coração saberá que eles são nossa família. Mas, infelizmente, ao contrário dos nossos familiares humanos, os cães tem uma vida bem mais curta.

Algumas pessoas se referem aos cães como “é apenas um cão”, ou então sugere que ele seja substituído por outro, como se fosse substituível. O que essas pessoas não percebem é que perder um cão é muito difícil, é uma dor tão forte que chega a ser semelhante ou até pior que a dor de perder um familiar.

A pesquisa científica prova que a dor que uma pessoa sente depois de perder um cão é válida e real. Por mais absurdo que possa parecer, a verdade é que quem ama os animais profundamente pode realmente sentir muito mais a dor da perda do seu cão do que a perda de algum parente.

Mas porque é mais difícil ultrapassar a perda de um animal de estimação em comparação com a morte de um humano?

A resposta é simples: é porque não existe uma forma “aceitável” de lamentar essa perda.

Enfrentar a perda de um ente querido é muito mais palpável. Temos outros familiares, amigos, toda uma estrutura que pode nos ajudar a seguir em frente.

Já quando o seu amado cão morre, espera-se apenas que “o deixe ir” e “esqueça”. As pessoas ao nosso redor dificilmente entendem o que aquele animalzinho significava pra nós, e querem que você coloque um sorriso no rosto e finja que nada demais aconteceu – pois pra eles realmente nada demais aconteceu. É difícil avançar depois deste tipo de perda simplesmente porque não há muitos recursos que o possam ajudar a fazê-lo.


APESAR DISSO, LEMBRE-SE QUE SEUS SENTIMENTOS SÃO VÁLIDOS

Não deixe que apaguem esse amor que você sente pelo seu animal. Não deixe que passem por cima da dor que está sentindo. Viva ela, entenda ela, e valorize ela. Pois se dói agora, é por que valeu a pena um dia. A saudade será eterna, mas as lembranças sempre serão boas.

#Melissa_no 💖 



Texto originalmente publicado em pt.everydaytale 
e adaptado pela equipe do blog Educadores.

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

R.I.P. Melissa


"Humano, vejo que estás chorando porque parti.

Não chores, por favor, quero te explicar algumas coisas.

Tu estás triste porque eu fui embora, e eu estou feliz porque te conheci.

Quantos como eu morrem diariamente sem ter conhecido alguém especial?

Os animais às vezes passam tanto tempo sozinhos a nossa própria sorte.

Só conhecemos o frio, a sede, o perigo, a fome. Temos que nos preocupar em como conseguiremos algo para comer e onde passaremos a noite protegidos. Vemos muitos rostos todos os dias, que passam sem nos olhar, e às vezes é melhor que nem nos vejam, antes de se darem conta que estamos aqui e nos maltratem.

Às vezes temos a enorme sorte que entre tantas pessoas passe um anjo e nos recolha.

Às vezes, os anjos vêm e são organizados em grupos, às vezes há outros anjos longe e enviam muita ajuda para nós. E isso muda tudo. Se necessário nos levam a outro tipo de anjo que sabem muito, e nos dão remédios para nos curar.

Nos escolhem uma palavra que pronunciam cada vez que nos veem. Um NOME. Eu acho que o que você diz, é que somos "especiais", deixamos de ser anônimos, para ser um de muitos, e um de vocês.

E conhecemos o que é um lar! Você não tem ideia de como isso é importante para nós? Nós já não temos que ter medo nunca mais, não temos mais fome, ou frio, ou dor, ou perigo.

Se você pudesse calcular o quão feliz que nos faz. Para nós qualquer casa é um palácio! Nós já não nos preocupamos se vai chover, se vai passar um carro muito rápido ou se alguém vai nos ferir. E, principalmente, não estamos sozinhos, porque nenhum animal gosta de solidão, o que mais se pode pedir?

Eu sei que te entristece a minha partida, mas eu fui agora.

Quero te pedir que não se culpe por nada; te ouvi soluçar que deveria ter feito algo mais por mim.

Não diga isso, fez muito por mim! Sem você não teria conhecido nada da beleza que carrego comigo hoje.

Você deve saber que nós, animais, vivemos o presente intensamente e somos muito sábios: desfrutamos de cada pequena coisa de cada dia, e esquecemos o passado ruim rapidamente. Nossas vidas começam quando conhecemos o amor, o mesmo amor que você me deu, meu anjo sem asas e duas pernas.

Saiba que mesmo se você encontrar um animal que está gravemente ferido, e que só lhe resta apenas um pouquinho de tempo neste mundo, você presta um enorme serviço ao acompanhá-lo em sua transição final.

Como te disse antes, nenhum de nós gosta de estar só, menos ainda quando percebemos que é hora de partir.

Talvez para você não seja tão importante, que um de vocês esteja ao nosso lado nos acariciando e segurando a nossa pata, nos ajuda a ir em paz.

Não chores mais, por favor. Eu vou feliz. Tenho na lembrança o nome que você me deu o calor da sua casa que neste tempo se tornou minha. Eu levo o som de sua voz falando para mim, mesmo não entendendo sempre o que me dizia.

Eu carrego em meu coração cada caricia que você me deu.

Tudo o que você fez foi muito valioso para mim e eu agradeço infinitamente, não sei como dizer a você, porque eu não falo sua língua, mas certamente em meus olhos pôde ver a minha gratidão.

Eu só vou pedir dois favores. Lave o rosto e comece a sorrir.

Lembre-se que bom que vivemos juntos estes momentos, lembre-se das palhaçadas que fazia para te alegrar.

Reviva como eu todo o bem que compartilhamos neste tempo.

E não diga que não adotará outro animal porque você tem sofrido muito com a minha partida. Sem você eu não viveria as belezas que vivi.

Por favor, não faça isso! Há muitos como eu esperando por alguém como você.

Dê-lhes o que você me deu, por favor, eles precisam assim como eu precisei de ti.

Não guarde o amor que tens para dar, por medo de sofrer.

Siga o meu conselho, valorize o bem que compartilha com cada um de nós, reconhecendo que você é um anjo para nós os animais, e que sem pessoas como você a nossa vida seria mais difícil do que às vezes é.

Siga a sua nobre tarefa, agora cabe a mim ser o seu anjo.

Eu estarei te acompanhando você no seu caminho e te ajudarei a ajudar os outros como eu.

Eu vou falar com outros animais que estão aqui comigo, vou lhes contar tudo o que você tem feito por mim e eu vou apontar e dizer com orgulho: "Essa é a minha família".

Hoje à noite, quando você olhar para o céu e ver uma estrela piscando quero que você saiba que sou eu piscando um olho; avisando a você que cheguei bem e dizendo-lhe "obrigado pelo amor que você me deu".

Eu me despeço agora não dizendo "adeus", mas "até logo".

Há um céu especial para pessoas como você, o céu para onde nós vamos e a vida nos recompensa tornando a nos encontrar lá.

Eu estarei te esperando!"

(autor desconhecido)


#Melissa_no 💖

 

domingo, 25 de setembro de 2022

Reminiscências (*) 29

AMOR NÃO TEM IDADE

Floresce assim de repente

Evanesce igualmente

Deixando-nos saudade


AMOR NÃO TEM IDADE

Rejuvenesce-nos anos a fio

O que nos leva a elaborar planos

Que cremos serem verdade


AMOR NÃO TEM IDADE

Enche-nos de esperanças

Transforma-nos em crianças

Inocentes sem maldade


AMOR NÃO TEM IDADE

Carece de sinceridade,

reciprocidade e de lealdade

Isento de qualquer vaidade


AMOR NÃO TEM


(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das ideias”

domingo, 28 de agosto de 2022

O MAIS INTERNACIONAL DOS TIMES NACIONAIS

 SEMIFINAL CAMPEONATO BRASILEIRO 1975

FLUMINENSE 0 x 2 INTERNACIONAL

Texto maravilhoso escrito por um torcedor do Fluminense, sobre um partidaço ocorrido no Estádio do Maracanã em 7 de dezembro de 1975, vencida pelo Inter e que marcou a semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano.

O MAIS INTERNACIONAL DOS TIMES NACIONAIS

A festa estava armada. O domingo já anunciava o fim da primavera e antecipava aceleradamente o verão para o biênio 75/76: este seria vibrante! E nada melhor como receber a chegada do verão, vestido com a faixa de campeão brasileiro novamente. Articulamos, logo após a quarta feira anterior quando aniquilamos um dos postulantes ao título, como seria a derradeira movimentação rumo ao título do então Campeonato Nacional. Seria nosso segundo oficial, visto que meia década antes havíamos conquistado o torneio Roberto Gomes Pedrosa, a Taça de Prata como este era conhecido. Dávamos como certa a participação na grande decisão. Nada nos impediria. Nenhum time nacional poderia interpor-se entre nós e o título de campeão. Nenhum!

Esquecemo-nos que nem só de ‘nacionais’ era composta a tabela de times participantes do campeonato.

“ - Não se esqueça do pó de arroz, Palhaninho”, gritava ao telefone meu amigo Ferreira quando pela manhã nos falamos e planejávamos os apetrechos para a grande partida. Jair, mais conhecido como ‘Ezequiel – O Profeta’, vaticinava que sairíamos roucos do Maracanã de tanto que comemoraríamos os gols que ‘A Máquina’ produziria em escala industrial. ‘Mickey’, apelido do meu querido amigo Zé Carlos Morelli, lembrava-nos que cinco anos antes o gol que nos dera o título de campeão brasileiro havia sido marcado pelo artilheiro de nome igual a sua alcunha, e que fora em razão deste gol que ele recebera o apelido, pois passara a pedir, nas partidas de futebol disputadas no campo do Clube Confiança a partir de então, que cruzassem a bola igual a que fora cruzada na partida do título para que ele pudesse repetir o mergulho que Mickey, o jogador autor do gol do título, dera. E cabeceando magistralmente a bola, colocou-a para dentro da rede adversária dando-nos o desejado título de campeão. Não haveria surpresa: o título nacional seria nosso! Já tinha dono.

Esquecemo-nos que nem só de ‘nacionais’ era composta a tabela de times participantes do campeonato.

Concentramo-nos em minha casa. Perto do estádio e com amplo quintal, exercitávamos o desfraldar das bandeiras em ritmado balé da vitória enquanto sorríamos a ostentação da certeza que denuncia os vencedores, numa clara preparação da marcha que faríamos até o grande templo, o Estádio Mario Filho, o Maracanã de tantas glórias vividas por nós, ainda jovens torcedores mas já acostumados aos entorpecentes efeitos das conquistas. Não nos importava que o adversário, em jogo realizado em seu campo, aplicara-nos uma vitória límpida e insofismável; talvez a única deste porte em todo decorrer do campeonato. Comentei com Evandro, mais sensato que os demais:

“ - O time deles impõe respeito. Tem jogadores de alto nível. E um deles conhecemos bem”. Referia-me ao ponta esquerda Lula. Durante 6/7 temporadas defendera nossas cores, fora nosso mais destemido aliado, autor de jogadas que geraram gols nas finalizações por nossos atacantes bem como gols feitos diretamente, inclusive o que nos deu a conquista de um campeonato. Conhecíamos bem seus dotes, o que me preocupava até porque no comando do ataque outro ex-tricolor, Flávio Minuano. Juntos nos deram muitas, muitas vitórias. Agora estariam contra nós. Coisas da vida, do destino. Aliados aos grandes jogadores que compunham a equipe adversária, goleiro, zagueiro e meio-campistas tínhamos que não imaginar logro fácil e nos preparar para uma partida ‘osso duro de roer’.

Evandro não discordou, olhou para mim sério e torcendo os lábios em clara manifestação de apreensão deixou escapar que só a presença de craques não daria a vitória a nenhum dos dois times. Esta viria com a apresentação de um componente acima das capacidades individuais dos grandes jogadores; acima da experiência dos outros consagrados por conquistas históricas; acima da voluntariedade heroica de outros jogadores. Ela, a vitória, a conquista da vaga para a grande final viria em um item até então pouco utilizado em nossa cultura na prática de esportes coletivos: viria da união entre o virtuosismo, a sagacidade empírica e a determinação. Viria da solidariedade!

Embora concordássemos nos cuidados, confiantes éramos na certeza da conquista. Já havíamos decifrado, acreditávamos, as armadilhas que nos impuseram na derrota sofrida quando lá, nas terras do adversário, estivemos. E a certeza que nenhum time ‘nacional’ tinha competência para nos vencer, sedimentava-se.

Esquecemo-nos que nem só de ‘nacionais’ era composta a tabela de times participantes do campeonato.

O jogo foi dos mais maravilhosos que assisti em toda minha vida. Parecia que estávamos em um grande festival de música com orquestras harmoniosamente ensaiadas; de dança, onde os dançarinos flutuam sobre o palco; de declamação de poesia, com poetas que nos enternecem a alma com seu lirismo, tal qual a qualidade dos atores envolvidos na apresentação daquela belíssima partida de futebol. Aos poucos a confiante torcida, por mim e meus compadres, passou a não ser tão confiante assim, como era no início do jogo. Impossível não ser contagiado pelo futebol daquele adversário que jogava ao som harmonioso ao tocar na bola, com passos de valsa ao trocarem de posições em suas jogadas tão ensaiadas e finalizarem ao gol com a poesia dos sonetos ritmados.

Tentavam nossos jogadores acompanhar a performance que exibiam nossos adversários mas, talvez tão embevecidos, como nós torcedores, assistissem encabulados, tímidos em tentar o que viam com excelência ser praticado pelo adversário. Era apenas a componente que ditaria o curso do vencedor: a solidariedade.

Nossos jogadores eram virtuosos, experientes e determinados; mas de forma isoladas, sem elo.

Dois gols assistimos eu, meus compadres e todos os demais, quase 100 mil pessoas. Hoje, plateia impensável; lá, ainda pouco pelo que o mais internacional de estádios nacionais mundo afora poderia receber. Dois gols em verdadeiros conjuntos de virtuosismo, experiência e determinação; dois gols que nos fizeram lembrar que nenhum time entre todos os ‘nacionais’ poderia nos vencer; dois gols sendo o primeiro de Lula, justo Lula!; dois gols que nos fizeram lembrar que nem só de times ‘nacionais’ era composta a tabela de times participantes do campeonato: havia um time Internacional! 

Havia um Internacional para desfilar na passarela, no campo do mais internacional dos estádios de futebol. E havia um time que não poderia ser outro qualquer a ser o coadjuvante desta apresentação. Um time que protagonizava qualquer outra apresentação, mas que reconhecia a presença do Internacional, adversário naquela tarde de domingo já perto do final da primavera, que trazendo o calor e o brilho do sol de verão mantinha a beleza das flores primaveris.

“ - Palhaninho, por que não estou triste com a derrota?”

“ - Porque não fomos derrotados” disse de forma plácida a meu amigo Ferreira. “As derrotas pertencem aos que, perante os fracos, não os superam. Enfrentamos uma força superior. E o fizemos com legítima propriedade. Enfrentamos uma força Internacional!”

Assistimos no domingo seguinte a consagração deste Internacional. O vencedor do campeonato nacional de futebol possuía a internacionalidade de sê-lo”.

Álvaro Palhano de Jesus