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domingo, 25 de setembro de 2022

Reminiscências (*) 29

AMOR NÃO TEM IDADE

Floresce assim de repente

Evanesce igualmente

Deixando-nos saudade


AMOR NÃO TEM IDADE

Rejuvenesce-nos anos a fio

O que nos leva a elaborar planos

Que cremos serem verdade


AMOR NÃO TEM IDADE

Enche-nos de esperanças

Transforma-nos em crianças

Inocentes sem maldade


AMOR NÃO TEM IDADE

Carece de sinceridade,

reciprocidade e de lealdade

Isento de qualquer vaidade


AMOR NÃO TEM…


(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das ideias”

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Raios Triplos!!!

 Nunca subestime as forças da natureza e os raios possuem a capacidade de ocasionar "belos" estragos...



sábado, 9 de outubro de 2021

Pequenas Tragédias De Antigamente...


1. Qdo as fichas acabavam no meio da ligação feita do orelhão.
2. Ou o disco riscava bem na melhor música.
3. Tu datilografavas errado a última palavra da página.
4. E não tinha fita corretiva de máquina de escrever pra consertar.
5. A fita do Atari não funcionava nem depois de tu assoprares.
6. O locutor falava as horas ou soltava uma vinheta BEM NO MEIO DA MÚSICA que tu tinhas passado horas esperando pra gravar.
7. E depois o toca-fitas mastigava a fita.
8. O locutor não falava o nome da música qdo ela terminava.
9. E tu ficavas anos sem saber quem cantava ou como chamava aquela música que tu tinhas amado.
10. Teu irmão bebia o líquido das Mini Cocas.
11. E alguém dizia que o filho do amigo do tio do vizinho tinha morrido depois de beber o líquido das Mini Cocas.
12. Alguém fumava dentro do ônibus.
13. Ou do avião.
14. Ou do elevador.
15. Tu tinhas que pagar multa por devolver a fita de vídeo pra locadora sem rebobinar.
16. O Ki-suco vazava da garrafinha da tua lancheira.
17. E molhava as bisnaguinhas com patê.
18. Tu tiravas as letras das músicas em inglês tudo errado.
19. E depois descobria, no folheto da Fisk, que estava tudo errado mesmo.
20. Mas já era tarde, pois tu já tinhas decorado errado (e canta errado até hoje).
21. Tu arranhavas com todo cuidado, mas qdo levantavas o papel via que o bichinho do decalque do Ploc tinha saído sem uma perninha.
22. A televisão resolvia sair do ar no dia do capítulo final da novela.
23. E teu pai tinha que subir no telhado pra mexer na antena.
24. E ele gritava lá de cima “melhorou?”
25. E tu, embaixo, avisavas: “melhorou o 5, o 7 e o 9. Piorou o 4, o 11 e o 13”.
26. E nunca todos os canais ficavam bons ao mesmo tempo.
27. Chegar na padaria e lembrar que tu tinhas esquecido o casco do refrigerante.
28. A Kombi que trocava garrafas velhas por picolés e pintinhos passava na tua rua um dia depois da tua mãe jogar tudo fora.
29. Tu descobrias que todas as 36 fotos do teu níver tinham ficado desfocadas.
30. E algumas tinham queimado pq o rebobinador da câmera tava meio enguiçado.
31. Qdo sobrava só o lápis branco da caixa de 36.
32. Tu pensavas que ia morrer pq engoliu uma bala Soft

Nossa vida era assim.

E nem faz tanto tempo, mas nossos filhos nem têm ideia do que significa tudo isso.

Publicado em 18 de dezembro de 2018.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Mário Quintana - Seiscentos e Sessenta e Seis

 

Esse poema abaixo, de autoria de Mário Quintana, é muito pouco conhecido/divulgado sob este título. É usual encontrarmos este poema intitulado como O TEMPO.

Ocorre porém, que aquela versão não segue ipsis litteris a versão original do poema.

Logo, em respeito à obra do grande poeta gaúcho, publico aqui o poema original. Talvez por desconhecimento ou por achar essa versão apócrifa mais romântica, muitas pessoas acabam compartilhando desse jeito errado.

Apresento abaixo a versão e título originais e mais adiante a outra amplamente divulgada e muito compartilhada pelas redes sociais.


SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS


A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…

Quando se vê, já é 6ª feira…

Quando se vê, passaram 60 anos…

Agora, é tarde demais para ser reprovado…

E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,

eu nem olhava o relógio

seguia sempre, sempre em frente…


E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.


Mário Quintana

(Poema publicado originalmente no livro Esconderijos do Tempo)



O TEMPO

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!

Quando se vê, já é sexta-feira!

Quando se vê, já é Natal.

Quando se vê, já terminou o ano.

Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.

Quando se vê, passaram 50 anos.

Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu a amo.

E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à flta de tempo.

Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.

A única falta que terá, será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.”

Mário Quintana

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Reminiscências (*) 26

G A T I N H A!!!

TU

ES


AQUELA

MULHER QUE

ORBITA EM


MEU

UNIVERSO

INFINITO

TAMBÉM ÉS MEU

ORGULHO,


MARIANA

EM

SER

MINHA

ODE PARA


TOCAR,

CANTAR,

HOJE E

ETERNAMENTE!!!



(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das ideias”.

Um dia...

 

Um dia descobriremos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. Tu não só não a esquece, como pensas muito mais nela...


Um dia descobriremos que se apaixonar é inevitável...


Um dia perceberemos que as melhores provas de amor são as mais simples...


Um dia perceberemos que o comum não nos atrai...


Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom...


Um dia perceberemos que a pessoa que não te liga é a que mais pensa em ti...


Um dia saberemos a importância da frase:

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”...


Um dia perceberemos que somos muito importantes para alguém, mas não damos valor a isso...


Um dia perceberemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...


Enfim...


Um dia descobriremos que, apesar de viver quase 100 anos,

esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos,

nem para dizer tudo o que tem de ser dito...


O jeito é:

ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida

ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...


Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação.


domingo, 9 de maio de 2021

Reminiscências (*) 25


Em noite de baile de gala

- por tua irrevogável partida

Danço a festa toda comigo


Feliz por tua presença ontem

Feliz por tua ausência hoje


Submetido a ti

Deixa-me salvar de mim


Mas peco por reincidência

Sobrevivente

Subserviente

Volto sempre a te procurar


Submetido a ti

Deixa-me salvar de mim


Tetraplégico por tua partida

Preciso curar-me

- ainda que pela eutanásia


Volta para me salvar


Ajuda-me a desligar os aparelhos

Que me mantém preso a ti


(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das ideias”.

domingo, 19 de novembro de 2017

Síndrome da Supermemória


A mulher com síndrome rara que a torna incapaz de esquecer qualquer acontecimento de sua vida


"Quando eu tinha mais ou menos uma semana de idade eu lembro de estar enrolada em um cobertor rosa de algodão", lembra Rebecca Sharrock."Por algum motivo, eu sempre sabia quando era a minha mãe que estava me pegando no colo, eu sempre soube instintivamente disso e ela era minha pessoa preferida".


Considerando que a memória da maioria das pessoas não é capaz de gravar acontecimentos anteriores aos quatro anos de idade, pode ser fácil pensar que a descrição de Sharrock seja um sonho nostálgico em vez de uma memória real. Mas a mulher australiana de 27 anos não tem uma memória comum - ela foi diagnosticada com uma síndrome rara chamada "Memória Autobiográfica Altamente Superior", ou HSAM na sigla em inglês, também conhecida como Hipertimesia ou Síndrome da Super Memória. Essa condição neurológica única significa que Sharrock consegue lembrar de absolutamente tudo que ela fez em qualquer data.


Pessoas com essa síndrome podem se lembrar instantaneamente e sem esforço algum de qualquer coisa que fizeram, o que vestiram ou onde estavam em qualquer momento da vida. Elas podem lembrar de notícias e acontecimentos pessoais com tantos detalhes e com uma exatidão tão perfeita que são comparáveis a uma gravação.


Ao crescer, Sharrock pensava que todos lembravam das coisas como ela. Até que um dia seus pais a chamaram para ver uma reportagem na TV sobre pessoas com HSAM. "Era 23 de janeiro de 2011", lembra ela. "Quando aquelas pessoas começaram a lembrar de suas memórias, os repórteres diziam 'é incrível'. Eu disse aos meus pais 'por que eles dizem que isso é incrível, não é normal?'". Seus pais explicaram a ela que não era normal e que achavam que ela tinha a mesma síndrome.


Depois de entrar em contato com os especialistas citados na matéria, Sharrock foi examinada e então diagnosticada em 2013. A HSAM só foi descoberta por volta do ano 2000 e na época sabia-se que apenas 60 pessoas no mundo tinham a síndrome.


Por que algumas pessoas nascem com a Super Memória? As pesquisas ainda estão em andamento, já que existem tão poucas pessoas com a síndrome no mundo e a área ainda é relativamente nova. Mas alguns estudos indicam que o lobo temporal (que ajuda no processamento de memória) é maior nos cérebros das pessoas com HSAM, assim como o núcleo caudado, que ajuda no aprendizado mas também pode influenciar na síndrome obsessivo-compulsiva.


Ter uma Super Memória significa que as memórias são gravadas em detalhes vívidos, o que é fascinante em termos científicos, mas pode ser uma praga para quem tem a síndrome.


Algumas pessoas com HSAM dizem que suas memórias são muito organizadas, mas Sharrock (que também foi diagnosticado com transtorno autista) descreve seu cérebro como "entupido" e diz que reviver memórias lhe dá dor de cabeça e insônia.


Também há um lado obscuro, já que Sharrock sofreu de depressão e ansiedade por causa disso. Sua memória extraordinária faz com que ela se sinta em uma máquina do tempo emocional. "Se eu estou lembrando de algo que aconteceu quando eu tinha três anos, minha resposta emocional à situação é semelhante à de uma criança de três anos, mesmo que minha mente e consciência sejam de adulta", diz ela. Essa disparidade entre cabeça e coração faz com que ela se sinta confusa e ansiosa.


Apesar disso, Sharrock aprendeu a tentar usar memórias positivas para superar as negativas: "No começo de todo mês, eu escolho todas as melhores memórias que tive naquele mês em outros anos". Reviver acontecimentos positivos facilita na hora de lidar com as "memórias invasivas" que a fazem se sentir mal.


A Super Memória também pode nos dar uma percepção sem precedentes sobre como bebês e crianças veem o mundo. Sharrock descreve o que lhe chamou atenção quando era um bebê, assim como quando aprendeu a caminhar. "Eu estava no meu berço, virei a cabeça e vi coisas ao meu redor, como o ventilador. Fiquei fascinada por aquilo. Só quando eu tinha um ano e meio que me antenei, 'por que não me levanto e vou explorar o que deve ser aquilo?'"


Outro aspecto dessa habilidade é como ela pode afetar o sono de pessoas com HSAM. Sharrock diz que agora, como adulta, "eu posso controlar meus sonhos e raramente tenho pesadelos porque eu penso que se alguma coisa assustadora acontecer eu posso mudar a sequência".


Mas não foi assim quando era bebê, já que quando começou a sonhar, por volta dos 18 meses, ela não sabia diferenciar sonho de realidade. "É por isso que eu chorava à noite", explica, "mas eu não conseguia verbalizar". Talvez as pessoas com HSAM tenham uma habilidade maior de viver sonhos lúcidos.


Agora, Sharrock participa de dois projetos de pesquisa da Universidade de Queensland e da Universidade da Califórnia em Irvine e espera que as descobertas ajudem as pessoas que sofrem com o mal de Alzheimer. Apesar de ter memórias claras de tudo que lhe acontece, só há um acontecimento que ela não lembra - seu nascimento.


"É o único aniversário que eu não lembro", diz ela. "Eu não tenho memórias do útero ou de estar saindo da minha mãe, nada disso. Mas eu não acho que gostaria de lembrar disso".


Apesar de sua mente ser como um CD no modo repeat, Sharrock diz que não mudaria nada. "Devido ao meu autismo, eu não gosto de mudar nada. Eu quero continuar pensando e sentindo da maneira que faço porque é como eu sempre pensei e senti, eu só gostaria de achar formas de lidar com isso", diz ela. "É a pessoa que eu sempre fui...Quero me manter assim".

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Um dia...


Um dia descobriremos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. Tu não só não a esquece, como pensas muito mais nela...

Um dia descobriremos que se apaixonar é inevitável...

Um dia perceberemos que as melhores provas de amor são as mais simples...

Um dia perceberemos que o comum não nos atrai...

Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom...

Um dia perceberemos que a pessoa que não te liga é a que mais pensa em ti...

Um dia saberemos a importância da frase:
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”...

Um dia perceberemos que somos muito importantes para alguém, mas não damos valor a isso...

Um dia perceberemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...

Enfim...

Um dia descobriremos que, apesar de viver quase 100 anos,
esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos,
nem para dizer tudo o que tem de ser dito...

O jeito é:
ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida
ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...

Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

7 “fatos” científicos que aprendemos errado na escola

O que você viu no colegial não vale mais para os cientistas.


Não é segredo que a educação científica no Brasil é problemática. A triste verdade é que a maioria dos brasileiros não aprende direito, não ganha gosto pela ciência e acaba esquecendo o pouco que aprendeu, para acabar se apegando a velhas crenças que são fáceis de explicar.
O problema talvez esteja mais no método que no conteúdo. Porque nosso currículo não é muito diferente do resto do mundo. E aí a gente topa em outros probleminhas: a ciência avança mais rápido que os livros didáticos, que tendem ao que é “seguro” e acabam refletindo consensos de décadas atrás.
Então, mesmo se você não está na maioria, e gosta e entende ciência, talvez ainda acredite em algumas coisinhas passadas na escola que nenhum cientista defende hoje. Veja só:

 

1. Os cinco sentidos


Tato, olfato, visão, audição, paladar. O clássico quinteto existe, mas você já ouviu falar em propiocepção? É nossa capacidade de saber onde está cada parte do corpo, sem precisar ver ou tocar. Dor e temperatura, outros sentidos óbvios, ficam na pele, mas não tem nada a ver com tato. Equilíbrio fica na orelha interna, mas não é audição. Você também tem sensores diferentes para notar que o pulmão, bexiga, estômago e intestinos estão cheios e percebe quando seu sangue está com pouco oxigênio, quando prende a respiração. Temos até mesmo um GPS no nariz.
Então, quantos sentidos existem? Bom, aí a porca torce o rabo. Na verdade, não é tão fácil assim definir o que é um sentido. Podemos chamar nossa percepção da passagem do tempo, sem nenhum órgão associado a ela, de sentido? No fim das contas, há quem fale em mais de 20 sentidos.
A certeza é que são mais de 5. Isso foi ideia de Aristóteles, há mais de dois milênios. Aristóteles é um pai da ciência, mas já passou da hora dos livros didáticos procurarem seu próprio apartamento.

 

2. A língua tem áreas diferentes para sabores, e eles são quatro



Ainda nessa de sentidos, talvez você se lembre do famoso mapa da língua, mostrando que o órgão tem partes separadas para detectar quatro sabores: salgado, doce, azedo e amargo.
Pra começo de conversa, são cinco. Também existe o umami (algo como “delicioso” em japonês), descrito em 1908 pelo cientista Kikunae Ikeda. Faz todo sentido, porque não tem outro nome: é aquela sensação de água na boca vinda do queijo, tomate, bife e – a inspiração de Ikeda – o dashi, caldo japonês de peixes e algas usado em ensopados. O sabor indica a presença de glutamatos, produzidos por seres vivos, e também vendido, na forma sintética, no Aji-No-Moto, criado um ano depois da explicação de Ikeda.
Os cinco sabores são percebidos da mesma forma na língua inteira. Não existem as áreas. O erro vem de 1901 por meio de um estudo falho que, por algum motivo, colou mesmo assim. Desde 1974 está provado que não tem nada a ver.
Outra coisa: o que chamamos de sabor (veja lá atrás a controvérsia dos sentidos) é mais percebido pelo nariz do que pela língua. Laranja e maçã tem tanto doce como azedo, mas parecem completamente diferentes, graças às suas propriedades químicas detectadas no nariz. E também à sua textura, percebida pelos sensores de pressão (tato) na língua.

 

3. As cores primárias são amarelo, vermelho e azul



Segundo as aulinhas de educação artística, misturando amarelo, vermelho e azul, podemos obter todas as cores. E você não pode obtê-las misturando nenhuma outra cor. Pura balela.
As verdadeiras cores primárias são ciano, magenta e amarelo. Simplesmente não dá para fazer qualquer cor com vermelho e azul. E dá para fazer azul com ciano e magenta e vermelho com amarelo e magenta. Qualquer um que já recarregou uma impressora deve ter percebido: as tintas vêm nessas três cores, e não nas do guache com que você sujou os dedos na terceira série.
Só que isso não é tudo. Essas são as cores primárias substrativas. Mas existe outro tipo de cores primárias, as aditivas.


Quando a gente fala em tintas, misturá-las é remover cores. Como ensinado na escola, a luz branca contém todas as cores. Quando ela reflete num material pintado, volta com menos cores (que percebemos como uma só). Quando você pinta uma parede branca de azul, o que está fazendo é impedir que ela reflita as outras partes do espectro luminoso. Misturando tintas, você reduz quais partes da luz branca são refletidas. O resultado é que, se você juntar as três cores primárias subtrativas, o resultado é preto, e não branco.
O branco é a união de todas as cores de forma aditiva. E podemos produzir cores dessa forma emitindo luz. Se você acender uma luz vermelha e outra verde, o resultado é amarelo, e não o marrom desagradável produzido ao se misturar tintas da mesma cor. Isso porque estamos ampliando o espectro luminoso ao adicionar mais partes dele à uma emissão de luz. Dessa forma, as cores primárias aditivas são azul, vermelho e verde. De fato, é assim que seus olhos funcionam: eles tem receptores para essas três cores.
As cores primárias erradas vem da Renascença, quando os pigmentos eram limitados. Desde o século 19 sabemos que não é assim.

 

4. Existem 3 estados da matéria



Sólido, líquido e gasoso, certo? Mas o que dizer do plasma, em que os elétrons se separam de seus núcleos, criando algo que parece gás, mas conduz eletricidade e pode ser controlado por campos magnéticos? Ou o cristal líquido, com propriedades tanto de sólido quanto de líquido, que também está na sua TV, mas não nos livros didáticos? E ainda o superfluido, um material que tem zero viscosidade, e corre para cima quando posto num recipiente?
Assim como no caso dos sentidos, existem muitos outros estados da matéria. A maioria deles só existe em condições raras e extremas, observados apenas em laboratório. Então, para simplificar, lembre-se pelo menos do plasma, que é comum, existe na natureza (no Sol e em raios) e é fácil de explicar: basta aquecer qualquer gás imensamente ou expô-lo a uma grande corrente elétrica.

 

5. Existem 9 planetas no sistema solar

Essa é manjada para quem vem acompanhando as notícias nos últimos anos. Plutão não é mais planeta. Então temos 8. Mas você sabe por quê? Veja abaixo o tamanho de diversos corpos celestes do sistema solar:


Plutão é menor que nossa Lua, e várias outras luas do Sistema Solar. Também é menor que Eris um “planeta” que não é ensinado na escola. E Tritão, uma lua de Netuno que, acredita-se, um dia foi um planeta anão livre. Se Plutão fosse um planeta, então eles também teriam que ser, e teríamos 11 planetas no sistema solar.
Como os astrônomos acham que podem existir dezenas de objetos como eles ainda não descobertos no Cinturão de Kuiper (área do Sistema Solar para além da órbita de Netuno, que inclui Plutão), eles preferiram criar a categoria de “planetas anões” no lugar de ficar mudando toda a hora a contagem de planetas.
Não tem um tamanho certo pra ser anão. Basta não ser grande e ter gravidade o suficiente para “limpar sua órbita”, isto é, fazer com que todos os objetos em sua órbita se tornem satélites, caiam no próprio planeta, ou sejam desviados para longe. Nossa órbita, por exemplo, é limpinha: tudo que havia no caminho hoje forma a Terra e a Lua.

 

6. Um átomo tem essa aparência



É tão bonito e clássico que mesmo agências científicas continuam a usá-lo. Mas completamente furado. O átomo das ilustrações, tão icônica que é um símbolo da ciência, é baseado no modelo atômico de 1911 de Ernest Rutherford. Ele imaginou os elétrons como planetas orbitando uma estrela.
Mas muita coisa aconteceu depois disso. Dois anos depois, Niels Bohr desenhou a coisa como os elétrons orbitando em diferentes níveis energéticos, que ficou mais parecido com o sistema solar:


Esse modelo é ensinado e cobrado em vestibulares. Só que a carruagem andou. Em 1927, Werner Heisenberg (sim, o ídolo de Walter White) postulou o princípio da incerteza. Que diz que é impossível se saber a posição e movimento exatos de um elétron. Então um átomo, na verdade, é formado por uma nuvem de elétrons. Eles podem estar em qualquer lugar nessa nuvem e podemos saber apenas a probabilidade de estarem em um lugar ou outro. Assim:


O que, vamos convir, não tem graça nenhuma. Vamos abrir uma licença poética aqui e continuar a usar o átomo bonito de antigamente em bonés, tatuagens e camisetas. Porque amamos ciência, Sr. White!

 

7. As cinco classes dos vertebrados



Peixes, mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Parece moleza, não? Répteis têm escamas e vivem na terra; anfíbios não têm nada; mamíferos têm pelos; aves têm penas; peixes são os que respiram embaixo d’água, podendo ser ósseos ou cartilaginosos.
Você pode classificar os bichos pelas aparências. Foi o que o naturalista sueco Carl Linnaeus – nosso amigo Lineu – fez em 1735, após dar uma volta ao mundo observando os bichos, como Charles Darwin faria um século depois. Essa foi a primeira vez que mamíferos ganharam nome. Antes disso, eram simplesmente chamados de animais.
Mas fazer o que Lineu fez hoje em dia é meio que como dizer que um prédio é um tipo de caixa de sapatos porque ambos são retangulares. Desde Darwin, o que interessa não é como os bichos parecem, mas quais descendem dos mesmos ancestrais.
Lá atrás, há 3,7 bilhões de anos, no começo da vida, há um só ancestral para você, os cogumelos e as bactérias no iogurte. Bem mais recentemente, entre 5 a 9 milhões de anos, dependendo de a quem você perguntar, está o ancestral em comum entre você e o chimpanzé.
Então o que temos é uma árvore que vai se dividindo conforme uma espécie vai dando origem a outras, e assim por diante. Podemos dar nome ao que vem depois de um galho em particular, e isso faz sentido: todos os mamíferos descendem de um ancestral comum, por exemplo. Essa Lineu acertou.
A coisa complica com as aves. Se você olhar na árvore, vai ver que o galho delas descende dos dinossauros, que são répteis. Por si só, isso não seria um problema. Poderíamos muito bem fazer uma linha de corte aí e dizer que os dinossauros que sobreviveram são todos aves. O caso é que outras coisas que chamamos de répteis estão mais perto das aves que de outros répteis. Veja a encrenca:
Jacarés são parentes mais próximos das galinhas que eles são das tartarugas ou lagartos. Então, das duas, uma: ou aves são répteis, ou répteis não existem. Tartarugas, lagartos e cobras, e crocodilianos são cada um sua própria classe.
A solução mais moderna é extinguir as classes Aves e Reptilia e usar no lugar a Sauropsida, que inclui todos os répteis, incluindo dinossauros, e aves. Em bom português: esqueça os répteis. Cobras, jacarés e tartarugas são ramos diferentes do mesmo galho em que estão os urubus.
A verdade é que a velha classificação de Lineu é cada dia mais obsoleta. A árvore da vida é complicada demais para ela. Ao invés de falar em reinos, classes, ordens, famílias etc., os cientistas preferem hoje falar em clades, classificações mais flexíveis, sem hierarquia definida.

Publicado no site Super Interessante
Por Fábio Marton
1 ago 2017, 20h11 - Publicado em 2 dez 2015, 17h30