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quarta-feira, 27 de março de 2013

DÚVIDAS PASCAIS - Luís Fernando Veríssimo



DÚVIDAS PASCAIS (Luís Fernando Veríssimo)

- Papai, o que é Páscoa?
- Ora, Páscoa é... bem... é uma festa religiosa!
- Igual ao Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta vem cá!
- Sim?
- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido.
- Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
- Mais ou menos... Mamãe, Jesus era um coelho?
- O que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho!
- Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus?
- É sim.
- E Minas Gerais?
- Sacrilégio!
- É por isso que a ilha de Trindade fica perto do Espírito Santo?
- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
- Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era... era melhor, sim... ou então urubu.
- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né?
- Que dia ele morreu?
- Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.
- Que dia e que mês?
- Sabe que eu nunca pensei nisso? 
Eu só aprendi que ele morreu na Sexta-feira Santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de Aleluia.
- Um dia depois!
- Não três dias depois.
- Então morreu na Quarta-feira.
- Não, morreu na Sexta-feira Santa... ou terá sido na Quarta-feira de Cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na Sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!
- Papai, porque amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
- É que hoje é Sábado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no Sábado?
- Claro que não! Se Jesus morreu na Sexta!
- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
- Ui...
- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
- Ai coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo!
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Com a Semana Santa e a Páscoa se aproximando desejo uma Feliz Páscoa a todos.

terça-feira, 5 de março de 2013

Reminiscências (*) 11







(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das idéias."

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Spin Doctors - Two Princes



Trilha sonora do filme
Amor e Outras Drogas

Regina Spektor - "Fidelity"



Trilha sonora do filme
Amor e outras drogas.

Fidelidade

(Agite!)
Eu nunca amei ninguém completamente
Sempre foi com um pé no chão
E por proteger de verdade meu coração
Eu me perdi
Nesses sons

Eu ouço na minha mente
Todas essas vozes
Eu ouço na minha mente
Todas essas palavras
Eu ouço na minha mente
Toda essa música
E isso parte meu coração
E isso parte meu coração
E isso parte meu coração
Isso parte meu coração

Suponha que eu nunca tivesse te conhecido
Suponha que nunca tivéssemos nos apaixonado
Suponha que eu nunca tivesse deixado você
Me beijar de um jeito tão doce
E tão suave

Suponha que eu nunca tivesse te visto
Suponha que você nunca tivesse me ligado
Suponha que eu continuasse cantando canções de amor
Só para evitar
Minha própria queda
Só para evitar minha própria queda
Só para evitar minha própria queda
Só para evitar minha própria queda
Evitar minha queda
Evitar minha queda

Todos os meus amigos dizem
Que é claro que isso vai melhorar
Vai melhorar
Vai melhorar
Melhorar, melhorar, melhorar, melhorar
Melhorar, melhorar, melhorar, ohhh

Eu nunca amei ninguém completamente
Sempre foi com um pé no chão
E por proteger de verdade meu coração
Eu me perdi
Nesses sons

Eu ouço na minha mente
Todas essas vozes
Eu ouço na minha mente
Todas essas palavras
Eu ouço na minha mente
Toda essa música
E isso parte meu coração
Isso parte meu coração
Eu ouço na minha mente
Todas essas vozes
Eu ouço na minha mente
Todas essas palavras
Eu ouço na minha mente
Toda essa música
E isso parte meu coração
E isso parte meu coração
Isso parte meu coração
E isso parte meu coração
E isso parte meu coração
E isso parte meu coração
Parte meu coração
E isso parte meu coração
E isso parte meu coração
E isso parte meu coração
E isso parte meu coração

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A verdade sobre BBB e Luís Fernando Veríssimo


A título de informação, para quem não sabe e nem desconfia "LuiZFernando VerÍssimo ":  atacou outra vez e o verdadeiro autor se retratou pela segunda vez (grifos meus, rosangela) - coletânea dos membros da comunidade: Afinal, quem é o autor? (orkut)

*

Outro você - Luis Fernando Verissimo
E dizem que rola um texto na internet com minha assinatura baixando o pau no “Big Brother Brasil”.
Não fui eu que escrevi.
Não poderia escrever nada sobre o “Big Brother Brasil”, a favor ou contra, porque sou um dos três ou quatro brasileiros que nunca o acompanharam.
O pouco que vi do programa, de passagem, zapeando entre canais, só me deixou perplexo: o que, afinal, atraía tanto as pessoas — além do voyeurismo natural da espécie — numa jaula de gente em exibição?
Falha minha, sem dúvida. Se prestasse mais atenção talvez descobrisse o valor sociológico que, como já ouvi dizerem, redime o programa e explica seu fascínio. Pode ser. Os “Big Brothers” e similares fazem sucesso no mundo todo. Provavelmente eu e os outros três ou quatro resistentes apenas não pegamos o espírito da coisa.
Também me dizem que, além de textos meus que nunca escrevi (como textos igualmente apócrifos do Jabor, da Martha Medeiros e até do Jorge Luís Borges), agora frequento a internet com um Twitter.
Aviso: não tenho tuiter, não recebo tuiter, não sei o que é tuiter.
E desautorizo qualquer frase de tuiter atribuída a mim a não ser que ela seja absolutamente genial. Brincadeira, mas já fui obrigado a aceitar a autoria de mais de um texto apócrifo (e agradecer o elogio) para não causar desgosto, ou até revolta. Como a daquela senhora que reagiu com indignação quando eu inventei de dizer que um texto que ela lera não era meu:
— É sim.
— Não, eu acho que...
— É sim senhor!
Concordei que era, para não apanhar. O curioso, e o assustador, é que, em textos de outros com sua assinatura e em tuiters falsos, você passa a ter uma vida paralela dentro das fronteiras infinitas da internet.
É outro você, um fantasma eletrônico com opiniões próprias, muitas vezes antagônicas, sobre o qual você não tem nenhum controle,
— Olha, adorei o que você escreveu sobre o “Big Brother”. É isso aí!
— Não fui eu que...
— Foi sim!
(4.4.2010)


*

VERISSIMO - Não é meu
Tenha paciência, este parágrafo começa com Leon Trotsky mas acaba nas peladas da Playboy. Quando Trotsky caiu em desgraça na União Soviética sua imagem foi literalmente apagada de fotografias dos líderes da revolução, dando início a uma transformação também revolucionária do conceito de fotografia: além de tirar o retrato de alguém, tornou-se possível tirar alguém do retrato. A técnica usada para eliminar o Trotsky das fotos foi quase tão grosseira – comparada com o que se faz hoje – quanto a técnica usada para eliminar o Trotsky em pessoa (um picaretaço, a mando do Stalin). Hoje não só se apaga como se acrescenta pessoas ou se altera suas feições, sua idade e sua quantidade de cabelo e de roupa, em qualquer imagem gravada. A frase “prova fotográfica” foi desmoralizada para sempre, agora que você pode provar qualquer coisa fotograficamente. Existe até uma técnica para retocar a imagem em movimento, e atrizes preocupadas com suas rugas ou manchas não precisam mais carregar na maquiagem convencional – sua maquiagem é feita eletronicamente, no ar. Nossas atrizes rejuvenescem a olhos vistos a cada nova novela. E quem posa nua para a Playboy ou similar não precisa mais encolher a barriga ou tentar esconder suas imperfeições.
O fotoxópi faz isso por ela. O fotoxópi é um revisor da Natureza. Lembro quando não existia fotoxópi e recorriam à pistola, um borrifador à pressão de tinta, para retocar as imagens. Nas Playboys antigas a pistola era usada principalmente para esconder os pelos pubianos das moças, que desapareciam como se nunca tivessem estado ali, como o Trotsky. Imagino que a pistola tenha se juntado à Rolleiflex no sótão da História.
Se a prova fotográfica não vale mais nada nestes novos tempos inconfiáveis, a assinatura muito menos. Textos assinados pela Martha Medeiros, pelo Jabor, por mim e por outros, e até pelo Jorge Luis Borges, que nenhum de nós escreveu – a não ser que o Borges esteja mandando matérias da sua biblioteca sideral sem que a gente saiba – rolam na internet, e não se pode fazer nada a respeito a não ser negar a autoria – ou aceitar os elogios, se for o caso. Agora mesmo está circulando um texto atacando o Big Brother Brasil, com a minha assinatura, que não é meu. Isso tem se repetido tanto que já começo a me olhar no espelho todas as manhãs com alguma desconfiança. Esse cara sou eu mesmo? E se eu estiver fazendo a barba e escovando os dentes de um impostor, de um eu apócrifo? E – meu Deus – se esta crônica não for minha e sim dele?!
Luis Fernando Verissimo
Crônica de domingo, no jornal: O Globo, dia 30.01.2011

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TEXTO DO BBB NÃO É DE LUIS FERNANDO VERISSIMO

AQUI, o possível escritor do texto que vem sendo repassado com o nome de Verissimo


[1] BBB: Bela Bo$ta Bra$ileira - 02.03.2010, Usina das Letras - Marcelo Guido http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=56131&cat=Artigos (auxílio na coletânea de: Lyu Somah)

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Paulo Hamilton, Jornal Correio do Sul 11.março.2010 refere que "Há dias atrás, lendo um artigo do poeta, compositor musical e escritor de renome Marcelo Guido, publicado no Usina de Letras, em 02/03"(...) http://www.jornalcorreiodosul.com.br/imprimir.asp?id_noticia=4916 

(Material no fórum da Comunidade: Afinal, quem é o autor?)
(ilustração recolhida na net)
Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 03/02/2011
Reeditado em 11/01/2013
Código do texto: T2769967
Classificação de conteúdo: seguro

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