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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Águia de Haia - O Monopólio da Mentira



Mentira de tudo, em tudo e por tudo.
Mentira na terra, no ar, no céu.
Mentira nas promessas.
Mentira nos progressos.
Mentira nos projetos.
Mentira nas reformas.
Mentira nas convicções.
Mentira nas soluções.
Mentira nos homens, nos atos e nas coisas.
Mentira no rosto, na voz, na postura, no gesto, na palavra, na escrita.
Mentira nos partidos, nas coligações e nos blocos. (...)
Mentira nas instituições, mentira nas eleições.
Mentira nas apurações.
Mentira nas mensagens.
Mentira nos relatórios.
Mentira nos inquéritos.
 Mentira nos concursos.
Mentira nas candidaturas.
Mentira nas garantias.
Mentira nas responsabilidades.
Mentira nos desmentidos.
A mentira geral.
O monopólio da mentira.


Ruy Barbosa - 1919

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Curiosidades sobre Mario Quintana


Um dos grandes da literatura brasileira, o “poeta das coisas simples”.
Aqui oito curiosidades sobre Mario Quintana.

1) Conhecido como o “poeta das coisas simples”, o escritor possuía um estilo marcado pela ironia, perfeição técnica e profundidade.

2) Quintana também fazia as vezes de tradutor: foram mais de 130 obras da literatura universal, tais como: “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, “Mrs Dalloway”, de Virginia Woolf, e “Palavras e Sangue”, de Giovanni Papini.

3) Mario Quintana foi expulso do Hotel Majestic, no centro de Porto Alegre, pois o jornal onde trabalhava, o Correio do Povo veio à falência. Ironicamente, anos mais tarde, o local transformaria-se na famosa “Casa de Cultura Mário Quintana”.

4) O primeiro livro foi publicado quando Mario tinha 34 anos, embora já fizesse versos desde pequeno.

5) Dentre tantas obras, as de maior destaque são: Canções, 1945; O Aprendiz de Feiticeiro, 1950; Quintares, 1976; O Baú de Espantos, 1986; dentre outros.

6) Manuel Bandeira dedicou-lhe um poema, onde se lê:

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares…
Insólitos, singulares…
Cantares? Não! Quintanares!

7) Lança seu primeiro livro de poesias, A Rua dos Cataventos, em 1940. Assim, tem início sua carreira de poeta, escritor e autor infantil.


8) Uma de suas conquistas foi a publicação de Antologia Poética, no ano de 1966, com sessenta poemas, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, e lançada para comemorar seus sessenta anos de idade.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Nietzsche para estressados - 06

As pessoas que nos fazem confidências se acham
 automaticamente no direito de ouvir as nossas



OS JORNALISTAS SABEM QUE informação é poder. Por isso é importante medir o que dizemos e, sobretudo, a quem dizemos.

     Às vezes encontramos pessoas que rompem imediatamente o protocolo e nos transformam em parte integrante de suas vidas. Mas o que pode ser entendido como um ato de confiança também envolve riscos: quando nos transformam em seus confidentes, esses indivíduos nos incluem em seu círculo íntimo e nos obrigam a acompanhar sua evolução pessoal. Dito de outra forma: nós nos transformamos em espectadores forçados de um mundo pessoal que até então desconhecíamos.
 
   Além da pressão gerada por ouvir confidências, há o perigo do qual nos previne Nietzsche: o outro pode estar esperando de nós uma atitude de confiança semelhante para, assim, completar o círculo iniciado por ele.
  

    Por tudo isso, é importante sermos cuidadosos ao escutar – reservando o entusiasmo para as pessoas mais íntimas – e ainda mais cuidadosos ao falar. 



Extraído do livro "Nietzsche para estressados" de Allan Percy.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Os Melhores Poemas de Vinícius de Moraes - 03 - Soneto de Contrição



Sobre o poeta Vinicius de Moraes escreveu Carlos Drummond de Andrade: “Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural. Eu queria ter sido Vinicius de Moraes”.

Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913, e morreu na madrugada de 9 de julho de 1980, aos 67 anos, devido a problemas decorrentes de uma isquemia cerebral.

Os poemas selecionados foram publicados nos livros “Cinco Elegias”, “Poemas, Sonetos e Baladas”, “Novos Poemas”, “Novos Poemas (II)” “Pátria Minha”, Livro de Sonetos” e “Antologia Poética”.

Soneto de Contrição

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.
Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma…
E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.