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sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Relacionamento x Pornografia


Trago aqui um assunto muito controverso e analisado pelo poeta/cronista Fabrício Carpinejar há alguns anos, respondendo uma situação levantada por uma leitora, publicado no Caderno Donna  e que abaixo transcrevo:

“Namoro há mais de dois anos e ultimamente ele anda vendo bastante pornografia no computador. Isso me incomoda e já conversei, mas parece que ele não se importa. Fico pensando que ele não gosta mais de mim. O que devo fazer: deixar assim e pensar que todo homem faz isso ou terminar? Muito obrigada pela atenção. Beijo. Joelma”

“Querida Joelma.

Não vejo nenhum problema no namorado olhar pornografia. Todo homem olha. Eu olho, e o hábito não me torna menos poeta.

A pornografia representa a escola masculina da sedução: a porta de acesso na adolescência para capturar a dinâmica do sexo, a ópera da malandragem e evitar fiascos por desinformação.

É natural na vida do homem como editorial de moda em revistas femininas. Faz parte da nossa solidão e da nossa curiosidade.

Você vem tratando o assunto como um crime, um atentado violento ao pudor. Não há sentido para tamanha seriedade e culpa.

Diante do filme pornô, quem diz que ele não imagina que lhe satisfaz na tela? Sim, absolutamente, seu namorado deve projetar vocês nas performances dos protagonistas. Nem é uma infidelidade ou ou vontade de se relacionar com uma atriz específica – é uma transposição do que ele vive mais corriqueiramente.

O material pornô é um facilitador da intimidade, não é para ser levado ao pé da letra. Sua censura acabará atrapalhando a confidência e a liberdade de expressão do namorado, que não deixará de ver ou consultar os sites, mas passará a fazer escondido e torcerá para ficar menos tempo ao seu lado.

O tabu da pornografia é o mesmo da masturbação no casamento. Persiste a mentalidade de que numa relação fixa as pessoas não podem se masturbar, que é falta de interesse ou isolamento. Pois é o contrário; quanto melhor o sexo, maior o desejo de se masturbar. Masturbação não é uma suplência do sexo. Ambas as opções coexistem em casais saudáveis. Vamos desfazer, portanto, mal-entendidos sobre o tema.

Não significa que você não sacia os gostos e as fantasias dele.

                        Não significa que ele está entediado e que procura diversificar a oferta.

Não significa que ele está carente, disposto a qualquer coisa.

Não significa que ele é um criminoso sexual em potencial.

Não significa que ele contrata serviços de acompanhante.

Não significa que ele será menos romântico na rotina a dois.

Não significa que irá exigir poses e acrobacias comprometedoras.

Não significa que ele está interessado em outras ou que está a um passo de trair.

Você está temerosa à toa. Pornografia não é uma concorrente, mas uma auxiliar do desejo.”

Publicado no Jornal Zero Hora
de 06 de janeiro de 2013.



segunda-feira, 6 de junho de 2022

BARBOSA - Condenação Eterna

Estamos novamente em ano de Copa do Mundo e, por isso, trago aqui um curta gaúcho dirigido por Jorge Furtado onde ele volta no tempo para retratar uma das maiores injustiças já cometidas a um jogador de futebol, sumariamente condenado pela perda de um título. O grande goleiro da Seleção Brasileira: BARBOSA.

"Que eu tenha como vivente, acho que nunca houve um silêncio maior que aquele que eu vi. Com 200 e tantas mil pessoas  em silêncio. Acho que nem se morresse um presidente não teria tido aquilo. Não digo que o Brasil morreu, mas que passou uma tarde fúnebre, passou! Disso não tenha dúvida. Eu senti na própria carne. Essa é uma realidade: o Brasil silenciou. Silenciou mesmo! Só acordou no dia seguinte com o pesadelo (na derrota da Copa do Mundo de 1950).” – Barbosa

Perguntado se acha intimamente que cumpriu 30 anos de pena?

“Eu acho que sim! 30, não, porque até hoje eles falam. Então foi mais de 30 (anos). São 44 anos! Eu tenho direito de, pelo menos, dormir tranquilo” – Barbosa.


sexta-feira, 6 de maio de 2022

Ejaculou...??? Justiça decide: esperma é propriedade da mulher!

Usar esperma para engravidar sem autorização do homem não caracteriza roubo, porque “uma vez ejaculado, o esperma se torna propriedade da mulher”.


O entendimento é de uma corte de apelação em Chicago, nos Estados Unidos, que devolveu uma ação por danos morais à primeira instância para análise do mérito.


Nela, o médico Richard Phillips acusa a colega Sharon Irons de “traição calculada, pessoal e profunda” ao final do relacionamento que mantiveram durante seis anos. Sharon teria guardado o sêmen de Richard depois de fazerem sexo oral, e usado o esperma para engravidar.


Richard Phillips alega ainda que só descobriu a existência da criança quando Sharon ingressou com ação exigindo pensão alimentícia. Depois que testes de DNA confirmaram a paternidade, o médico processou Sharon por danos morais, roubo e fraude.


Os juízes da corte de apelação descartaram as pretensões quanto à fraude e roubo afirmando que “a mulher não roubou o esperma”. O colegiado levou em consideração o depoimento da médica. Ela afirmou que quando Richard Phillips ejaculou, ele entregou seu esperma, deu “de presente”.


Para  o tribunal, “houve uma transferência absoluta e irrevogável de título de propriedade já que não houve acordo para que o esperma fosse devolvido”.


Agora é oficial:

Os homens não mandam em PORRA nenhuma!!!

sábado, 2 de abril de 2022

Edison - O Mago da Luz

 

Thomas Alva Edison – O Mago da Luz (Edison, The Man – 1940)

O inventor Thomas Edison participa de um evento que comemora os cinquenta anos da luz elétrica. Aos 82 anos, ele relembra sua carreira desde o dia em que chegou a Nova York, sem dinheiro, até seu triunfo como o criador da lâmpada incandescente.

Assim como toda cinebiografia norte-americana da época, esta não segue com extrema fidelidade a vida do homenageado, mas as liberdades tomadas aprimoram o resultado, mérito do competente diretor Clarence Brown, nesta refinada produção da MGM. O foco é direcionado para a perseverança de Thomas Edison (excelente Spencer Tracy) em seu sonho, colocando-o em confronto direto com Taggart (Gene Lockhart), um banqueiro que vê na possibilidade de iluminação elétrica, uma desvalorização de seus investimentos em gás. Como todo incompetente, o homem busca complicar ainda mais a já bastante complicada vida de Edison. Ele só não contava com a incrível persistência dele.

É curioso que a importante relação do inventor com o próprio cinema em sua gênese não recebe atenção, opção que vai contra a usual autocelebração da indústria. A sua obra-irmã, “Young Tom Edison”, lançado pelo estúdio no mesmo ano, protagonizado por Mickey Rooney, não sobreviveu tão bem ao teste do tempo. Realizado apenas nove anos após o falecimento de Edison, o filme reflete também a aproximação da Segunda Guerra Mundial (patriotismo e a preocupação com a destruição do homem pelo próprio homem). Algumas cenas, ainda que resolvidas de forma puramente clichê, funcionam maravilhosamente e emocionam, como quando Edison avisa seus colegas trabalhadores que não terá mais como os pagar pelo serviço.

Um filme essencial que deveria ser visto por todos os adolescentes, uma pérola que permanece injustamente empoeirada nas estantes de um povo que não valoriza a memória cultural. Se perguntar para a garotada hoje em dia, a maioria nem sabe quem foi Thomas Edison. Triste mundo moderno.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Metade x Inteiro

 ′′A outra metade ′′

Um ano de uma pequena reflexão que escrevi com base numa história verdadeira.

Lembre-se sempre que não somos metade, somos inteiros.

Ontem ouvi uma história sobre um velho que perdeu a esposa há alguns anos e junto perdeu a felicidade. A esposa dele era tudo para ele. Como ele disse, 'a sua cara metade'. Mas de ser um homem feliz, tornou-se um triste. Algumas pessoas que estavam comigo disseram "oh, isso é tão fofo" e eu fico completamente com a parte fofa, mas e a parte que ainda está aqui? A parte que ainda está viva? O que tem ele? 

Quando as pessoas acreditam em almas gémeas, elas também podem acreditar que não podem ser verdadeiramente felizes ou sentirem-se verdadeiramente amadas apenas por elas mesmas, para que encontrem alguém, a sua ′′ outra metade ′′ e esperam que esta outra pessoa as faça feliz, para que elas se sintam amadas . 

Na teoria, é uma bela história, e funciona enquanto as pessoas estão aqui, vivas. Mas o que acontece quando a outra metade morre? Parte de ti também morre? Parte de quem tu és agora desapareceu? Felicidade vira tristeza, simples assim? 

Toda esta ideia romantizada de alma gémea faz-nos esquecer que todos nós vamos morrer um dia. É assim que as coisas funcionam, esse é o fluxo natural da vida - princípio, meio e fim. Cada ser humano é por si só já completo, não metade, e colocar a nossa felicidade nas mãos de outras pessoas significa saber que sofreremos pela frente. 

Ontem ouvi uma história sobre um velho que perdeu a esposa há alguns anos e junto perdeu a felicidade. Mas ontem, queria ter ouvido uma história sobre um velho que perdeu a esposa, mas isso não afetou sua alegria, sua felicidade de estar vivo. 

Gostaria de ter ouvido uma história sobre um homem velho que sabia que tinha desfrutado de cada momento com a mulher que amava enquanto ela estava aqui. Eu queria ter ouvido uma história sobre um velho que sabia que ele era tudo o que precisava ser. Eu queria ter ouvido uma história de um velho que sabia que ele é um todo, e não metade.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Reminiscências (*) 28

A NOIVINHA DO ARISTIDES

Estava eu à beira da estrada
Como sempre fazendo nada
Quando de repente, mesmo sendo presidente
E sob as leis e suas égides
Fui injustamente chamado
A NOIVINHA DO ARISTIDES.

O que a mulher disse eu não sei
Mas que história é essa de eu ser gay?
Teria sido pelos tempos de cadete?
Quando eu adorava pegar num cacete?

Afinal, ele era apenas meu instrutor (de judô)
Um cara muito sedutor
E eu queria ser um bom judoca
Mas acabei me tornando esta dondoca
Correndo igual uma gazela
Ah! Amo tocar vuvuzela
Ai minha goela...

Aristides, não ides
Prometo, serei eternamente tua noiva
Pouco importa o que eles dizem
Não vão me deixar com raiva

Deixe que falem sobre nosso passado
Nada fizemos de errado
Eu apenas admito
Mesmo sendo para eles um mito
Confesso tê-los enganado

Mas serei sempre tua fofuxa
E para meu eleitor escornado
Deixo um simples recado:
- Quem mandou bancar o trouxa?
                                            Ike Nicotti


(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das ideias”.

Van Gogh

Hoje eu li um “texto” que afirmava que Van Gogh comia tinta amarela, porque considerava uma cor alegre, e achava que assim fazendo, se sentiria feliz.

No final ainda perguntava se “você já comeu sua tinta amarela hoje?”


Que merda!!!


Isso não é uma história bonita ou um conto clichê motivacional. É no máximo uma metáfora triste sobre a ignorância e hipocrisia do ser humano. Que só prova o quanto negligenciamos, diminuímos e impomos pré conceitos sobre o que o outro sente ou deixa de sentir. Não entendeu???


Acontece que ele sabia que as tintas eram tóxicas.

Segundo anotações médicas do dr. Peyron, médico de Vincent, ele queria se envenenar ingerindo tinta e bebendo terebintina (solvente), fato que fez com que ele ficasse afastado das pinturas por algum tempo. Ele não queria se sentir feliz. Muito provavelmente, queria morrer.


Quase 128 anos depois da sua morte, Van Gogh é um dos artistas mais importantes e influentes da história, mas o principal rótulo que ele recebe das pessoas não é esse, mas sim, o de "louco".


Afinal, não importa quem tu és ou o que tu faz. Sempre vão te etiquetar pelos teus transtornos: depressivo, ansioso, esquizofrênico, “louco", não importa o que ou porque, não importa os meses com nomes, as campanhas de conscientização, os pedidos de socorro.


É tudo mentira!!!


A sociedade não sente empatia por ti. Não se importa se tu engolir tinta tóxica amarela ou se jogar de cima de um prédio. Vão dizer que é falta de fé e de vontade. Vão romantizar o que não pode ser romantizado. Assim é mais fácil, mais fácil que "entender".


Sinto muito, Vincent. Depois de tanto tempo, ainda não te compreenderam. As coisas não mudaram tanto assim.


Obs.:

Para alguns a conclusão do texto pode ter ficado “forte” demais.

O fato é que quando decidi escrevê-lo, queria mostrar a realidade que nós, que sofremos de algum transtorno de saúde mental, convivemos todos os dias.

A minha intenção sempre foi a conscientização sobre a romantização e a estigmatização desses problemas.

Então sim, talvez as palavras sejam um pouco duras, mas às vezes precisamos fazer o outro sentir um pouco do que sentimos, para que ele através da empatia, consiga compreender pelo menos o suficiente para respeitar.

Algumas pessoas precisam abrir os olhos.

E queria falar aqui, que embora ainda exista sim, na nossa sociedade, muito preconceito e ignorância sobre esse assunto, também existem MUITAS pessoas incríveis e dispostas a ajudar.

VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO!!!

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo (por telefone, email e chat) 24 horas todos os dias.

O atendimento por telefone é feito pelo número 188 e você pode encontrar mais informações no site: https://www.cvv.org.br

Também vale lembrar que as doenças de saúde mental, assim como qualquer outra doença, precisam de acompanhamento de um profissional.

Tenho certeza que vocês vão conseguir superar quaisquer problemas que estejam vivendo.

Vocês são maiores que isso.

Cuidem-se e valorizem-se.

Vocês são importantes.


Abraços 💛

Guilherme Wermann


quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Correio do Povo - 110 anos 01

 


No início, eu não vi nenhum negro no futebol, porque eles estavam proibidos de jogar. E também não vi mulheres nos esportes, porque elas não podiam competir. Mas isso foi só no início.


Em seguida, eu vi um operário alemão fundar o time mais antigo do país, o Sport Clube Rio Grande, e fazer ele mesmo as preleções para a equipe. Em alemão.


Eu vi o Grêmio, de camiseta grená, vencer o Internacional por 10 x 0 no primeiro Gre-Nal. E depois vi o Inter ganhar de 6 x 2 do Grêmio na inauguração do Olímpico.


Nas Olimpíadas de Berlim, eu vi um negro estragar a festa dos arianos e se consagrar o maior atleta daqueles tempos.


Eu vi 200 mil pessoas chorando no Maracanã quando o Uruguai venceu o Brasil de virada. E, quando o rolo compressor do Inter amassou por seis anos o orgulho dos gremistas, eu também vi.


Eu vi o Brasil campeão, bi, tri. Vi gol de cabeça, de bicicleta, de placa, até gol de plano inclinado no Estádio dos Eucaliptos eu vi.


E vi Pelé fazer mil gols.


Vi Cassius Clay virar Muhammad Ali e perder o título de campeão mundial de pesos pesados porque não foi para a guerra.


Vi a taça Jules Rimet ser derretida, um boxeador arrancar a orelha do outro, o brasileiro mais rápido da história terminar uma época inteira em uma curva.


Eu vi o Penta que nenhum outro país levou para casa. E ainda vou ver muito mais.


Eu já vi muito. Mas não vi tudo.




Todas as glórias, as lendas, as derrotas, as vitórias, as alegrias do esporte, o Correio do Povo viu. Abrir o Correio é como abrir uma página da história. Do esporte e do mundo.




Editorial do CP em comemoração aos 110 anos do jornal

Edição de 5 de outubro de 2005.


Piadinhas Sobre O Sexo Oposto...

 

Quem disse que só os homens zoam das mulheres!!!
Pois saibam que a recíproca também é verdadeira. E elas não ficam atrás, não deixam a desejar quando o papo é tirar sarro deles...

#poisé!!!
Senão vejamos:

- O que faz uma ideia no cérebro de um homem?
- Eco.

- Qual a semelhança entre os dinossauros e os homens inteligentes?
- Ambos estão extintos.

- Quais são os três animais que uma mulher domesticaria em sua casa?
- Um visom no armário, um jaguar para passear e um tigre na cama.

- Quais são os animais que ela realmente tem?
- Um coelho no armário, um corcel na porta e um veado na cama.

- Por que as pilhas são melhores que os homens?
- Porque elas pelo menos têm um lado positivo.

- Por que os homens têm a consciência limpa?
- Porque nunca a usaram.

- O que tem em comum os aniversários e o ponto "G"?
- Os homens nunca acertam.

- Por que são necessários milhões de espermatozoides para fertilizar um único óvulo?
- Porque os espermatozoides são masculinos e se negam a perguntar o caminho.

- Qual a semelhança entre os homens e os espermatozoides
- Só se salva um em um milhão.

- Sabe como uma mulher se livra de 70 quilos de gordura inútil?
- Pede o divórcio.

- Como se chama um homem que muda de sexo?
- Inteligência artificial.

- Por que Deus fez primeiro o homem e depois a mulher?
- Porque para se fazer uma obra prima, necessita-se sempre de um rascunho.

- Por que as mulheres colocam chifres nos homens?
- Porque um homem sem chifres é um animal muito indefeso.

- Qual a semelhança entre os homens e um caracol?
- Ambos se arrastam, tem chifres, são gosmentos e acreditam que a casa é deles.

- Por que um homem não pode ter um bom caráter e ser inteligente?
- Porque seria mulher.

- O que ocorre com um homem quando come uma mosca?
- Fica com mais neurônios no estômago que no cérebro.

- O que é @dissolução"? E "solução"?
- DISSOLUÇÃO é colocar um homem numa banheira com ácido.
- SOLUÇÃO, ao contrário, é colocar TODOS.

- Por que as piadas com mulher geralmente ocupam só duas linhas?
- Para que os homens as entendam.

- Qual a semelhança entre o homem e o ônibus?
- Nunca passa um quando precisamos. 

😛😛😛😛😛😛😛

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Dom Elias Figueroa - El Patrón Del Área Salva

El Patrón Del Área Salva

No mês de seu aniversário, posto essa homenagem a um dos maiores jogadores que já vestiu a jaqueta colorada e um dos maiores zagueiros que o mundo já viu jogar..


Nascimento: 25 de Outubro de 1946, em Valparaíso, Chile.
Posição: Zagueiro
Clubes: Santiago Wanderers - CHI (1963 e 1965-1966), Unión La Calera - CHI (1964), Peñarol - URU (1967-1971), Internacional - BRA (1971-1976), Palestino - CHI (1977-1980), Fort Lauderdale Strikers - EUA (1981) e Colo-Colo - CHI (1981-1982).

Principais títulos por clubes:
1 Recopa dos Campeões Mundiais (1969) e 2 Campeonatos Uruguaios (1967 e 1968) pelo Peñarol.
2 Campeonatos Brasileiros (1975 e 1976) e 6 Campeonatos Gaúchos (1971, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1976) pelo Internacional.
1 Campeonato Chileno (1978) e 1 Copa do Chile (1977) pelo Palestino.

Principais títulos individuais:
Jogador Mundial do Ano da IFFHS e da FIFA: 1976
Eleito para a Equipe das estrelas da Copa do Mundo da FIFA: 1974
Futebolista sul-americano do ano – El Mundo (VEN): 1974, 1975 e 1976
Bola de Prata da Revista Placar: 1972, 1974, 1975 e 1976
Bola de Ouro da Revista Placar: 1976
Defensor sul-americano do ano – El Mundo (VEN): 1972 e 1977
Melhor Jogador do Campeonato Uruguaio: 1967 e 1968
Melhor Jogador chileno da história pela IFFHS
8º Melhor Jogador sul-americano do século XX pela IFFHS
37º Melhor Jogador do Mundo do século XX pela IFFHS
FIFA 100: 2004
Eleito para a Equipe de Futebol da América do Sul do século XX
Eleito entre os melhores 50 jogadores da história pela revista “World Soccer”
Nomeado capitão em todas as equipes por onde passou

“O dono da área”
Don Elías. El Coloso. Gran Capitán. El Dios de Beira Rio. Gran Mariscal. Apelidos e adjetivos dos mais variados tipos serviram para tentar denominar o melhor jogador da história do futebol chileno, o zagueiro Elías Ricardo Figueroa Brander, ou simplesmente Figueroa. Dono de um talento primoroso e impecável dentro da área, o craque que brilhou em seu país, no Peñarol e, principalmente, no Internacional, é sempre lembrado como o maior zagueiro do futebol sul-americano na década de 70 e também do século XX. E foi mesmo. Elegante, técnico e capaz de usar toda sua raça e força quando preciso, Figueroa marcou época, foi o maior ídolo da história do Internacional, ao lado de Falcão, capitão por onde passou e exemplo de liderança no esporte. Presente em dezenas de listas de grandes esquadrões ou de seleções do século, Figueroa foi gênio, craque e “autoritário”, a ponto de deixar para sempre sua frase registrada: “A área é minha casa. Nela, só entra quem eu quero.” Falou e disse, capitão! É hora de relembrar.

Adulto precoce


Tudo na vida de Figueroa, sejam as alegrias ou os desafios, começou cedo. Bem cedo. Entre os dois e sete anos de idade, o garoto sofreu vários problemas de coração e asma, que o proibiram de realizar atividades físicas. Aos 11, teve um princípio de poliomielite, que o obrigou, veja só, a ter de reaprender a andar. Depois de três anos, aos 14, Figueroa conseguiu superar as adversidades e começou a treinar na cidadezinha de Quilpué, jogando como meia-direita. Aos 15, passou num teste no Santiago Wanderers, onde começou a jogar como zagueiro central ao invés de meia-direita. A mostra de sua qualidade seria conhecida em 1962, quando o jovem integrou a equipe juvenil do Santiago Wanderers em um amistoso contra a seleção brasileira que seria bicampeã mundial. Todos ficaram impressionados com o garoto de 15 anos que esbanjou personalidade e categoria perante craques como Pelé, Nilton Santos e Garrincha. Mesmo com o desempenho formidável, Figueroa não conseguiu tirar da zaga da equipe titular Raúl Sanchez, e foi vendido ao Union Calera, também do Chile.
Figueroa começou como jogador profissional em 1964 e pôde demonstrar seu talento como titular, despertando novamente o interesse do Wanderers, que o contratou em 1965. Naquele mesmo ano, fez sua estreia na seleção do Chile e conseguiu, com apenas 19 anos, uma vaga no time titular que disputou a Copa do Mundo de 1966. Mesmo com a seleção chilena eliminada na primeira fase, Figueroa foi considerado o maior jogador do time na competição, despertando a atenção e admiração de todo mundo.

Crescendo a cada dia


Depois da Copa, o Wanderers ficou pequeno demais para o talento de Figueroa (que, para rechaçar sua precocidade, já era casado…). Muitos clubes tentaram contratar o zagueiro chileno, mas quem ganhou a disputa foi o Peñarol (URU), então campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes em 1966, recheado de craques como Mazurkiewicz, Néstor Gonçalves, Alberto Spencer e Pedro Rocha. Mesmo com tantos craques, Figueroa foi logo mostrando que também era um, e dos bons, ganhando espaço no time e conquistando logo em sua primeira temporada o Campeonato Uruguaio de 1967, de maneira invicta, com 15 vitórias e três empates em 18 partidas. No ano seguinte, Figueroa venceu mais um Campeonato Nacional e seguiu firme como titular da equipe aurinegra, esbanjando técnica e usando suas “ferramentas” quando era necessário parar algum adversário mais habilidoso. Em 1969, Figueroa conquistou a extinta Supercopa dos Campeões Mundiais, competição organizada pela Conmebol que reunia os clubes sul-americanos campeões mundiais. O Peñarol deixou para trás Santos (BRA), Racing (ARG) e Estudiantes (ARG), com quatro vitórias, um empate e uma derrota em seis jogos. Àquela altura, o craque já era um dos maiores jogadores de seu país e também do continente, tendo recebido o prêmio de melhor jogador do Campeonato Uruguaio em 1967 e 1968.

América na trave


Em 1970, Figueroa não conseguiu disputar sua segunda Copa, pois o Chile não se classificou. A grande chance de título da temporada foi na Copa Libertadores, quando o Peñarol conseguiu superar os obstáculos e alcançar a decisão. Nela, porém, o time barrou na raça e na mítica equipe do Estudiantes (ARG), que conseguiu (depois de uma vitória por 1 a 0 e um empate sem gols) o tricampeonato consecutivo da Libertadores, igualando o próprio Peñarol em número de conquistas. Ali, seria a última chance de título de Figueroa com o manto aurinegro. Ele mudaria de casa muito em breve.

Quando o Beira Rio ganhou um rei


Em 1971, Figueroa disse um sonoro “não” ao poderoso Real Madrid após receber uma proposta tentadora do clube merengue. O jogador preferiu ir jogar no Internacional (BRA), pelo fato de o clube disputar o Campeonato Brasileiro, onde estavam os maiores craques do futebol sul-americano, na opinião do próprio zagueiro. A ida de Figueroa ao Brasil causou muita revolta na torcida do Peñarol, que não admitiu a saída de um craque do porte do chileno. Também pudera, pois Figueroa começaria a fase mais áurea de sua carreira vestindo o manto vermelho do Inter.


Leão em campo


Ao lado de muitos craques, entre eles Falcão, Figueroa assumiu a braçadeira de capitão do Colorado e começou a realizar partidas marcantes que rapidamente encantaram os torcedores do Inter. Em 1971 e 1972, a equipe faturou o bicampeonato Gaúcho, que se transformaria num histórico hexa, em 1976. No período, Figueroa também aliou suas atuações entre o vermelho do Inter e o vermelho da seleção do Chile, quando foi o principal responsável por classificar a equipe para a Copa do Mundo de 1974. O Chile teve de disputar a repescagem contra a União Soviética, em dois jogos. No primeiro, Figueroa fez como nunca da área a sua casa, jogou demais, e os chilenos arrancaram um 0 a 0 heroico em Moscou. Como a URSS não decidiu disputar a partida de volta, no Chile, em protesto ao golpe de estado no país, o Chile garantiu a classificação.

O melhor


Na Copa de 1974, Figueroa foi ainda melhor que em 1966, mesmo não podendo ajudar seu Chile a garantir uma vaga na fase seguinte, por ter de encarar simplesmente as donas da casa, as “Alemanhas” Ocidental e Oriental. O Chile perdeu para a Alemanha Ocidental, de Beckenbauer, por 1 a 0, empatou com a Oriental em 1 a 1 e empatou sem gols com a Austrália. Naquele Mundial, Figueroa ganhou um singelo elogio de um dos maiores craques da época, Franz Beckenbauer, que disse ser “o Figueroa da Europa”. Também em 1974, Figueroa ganhou pela primeira vez o prêmio de Melhor Jogador da América, em votação feita pelo Jornal El Mundo. O craque venceria o troféu, também, nos dois anos seguintes.

Rumo ao topo no Brasil


Sem rivais no Rio Grande do Sul, o Internacional de Figueroa colocou o Campeonato Brasileiro de 1975 como grande objetivo da temporada. O torneio daquele ano tinha uma primeira fase com quatro grupos, dois com 10 times e dois com 11. O Inter caiu no grupo D, sendo o líder e um dos classificados, com oito vitórias, dois empates e apenas uma derrota em 11 jogos, sofrendo apenas cinco gols, reflexo direto de Figueroa à frente da zaga do Colorado. Na segunda fase, dois grupos com 10 times cada classificariam os seis melhores de cada um. O Inter foi novamente o líder, com cinco vitórias, quatro empates e uma derrota em 10 jogos, sofrendo quatro gols. Na terceira (!) fase, mais dois grupos com oito times cada, classificando os dois melhores de cada um para as semifinais. Dessa vez, o Inter foi o segundo colocado, ficando atrás do surpreendente Santa Cruz. Em sete jogos, os colorados venceram quatro, empataram dois e perderam um. O tricolor de Pernambuco teve uma vitória a mais. O Inter estava classificado. Mas teria que enfrentar o líder do grupo A: o Fluminense.


Na semifinal, disputada em partida única, o Fluminense levou mais de 97 mil pessoas ao Maracanã e tinha convicção de que iria para a final, tamanha a qualidade de seus jogadores, orquestrados por Rivelino. Mas eles não contavam com outro maestro do lado colorado, Falcão, tão bom quanto Riva, e Figueroa, dono da área colorada. O Inter não se intimidou, apostou no equilíbrio e venceu o Flu por 2 a 0, gols de Lula e Carpegiani. A vaga para a final estava carimbada. E a Máquina Tricolor via o esquadrão vermelho acabar com a sua magia.

Zagueiro “iluminado”


Dono de melhor campanha que o rival da final, o Cruzeiro, o Internacional decidiu em sua casa o Brasileiro de 1975. O jogo, como não poderia deixar de ser, foi muito disputado. O Cruzeiro tinha feras em campo como Nelinho, Raul Plassmann, Piazza, Zé Carlos, Palhinha e Joãozinho. Em um jogo tão pegado, quem brilhou foi a zaga colorada. Manga pegou tudo e mais um pouco naquele jogo (inclusive um cruzamento de Nelinho com apenas uma mão) e Figueroa teve de usar todas as suas armas (todas mesmo!) para parar o veloz ataque cruzeirense. “Don Elías” foi ainda mais preciso no lance que decidiu a partida. O craque marcou, de cabeça, o gol do título colorado em um lance emblemático, em que um único feixe de luz do sol iluminou exatamente a cabeça do zagueirão, fazendo com que o gol ficasse conhecido como o “gol iluminado”. O Inter, pela primeira vez em sua história, era campeão nacional. Era, também, o primeiro clube gaúcho campeão brasileiro, deixando o rival Grêmio ainda mais raivoso. O artilheiro da competição foi o goleador colorado Flávio, com 16 gols. Era a glória tão sonhada que Figueroa queria com a camisa colorada. O Brasil era dele. E o futebol também.


Ano perfeito


Em 1976, Figueroa viu o Inter cair na Libertadores, que teria o Cruzeiro como campeão. Em compensação, no Brasileiro e no Gaúcho, a equipe colorada manteve sua hegemonia. O time sacramentou o hexa estadual e levantou o bicampeonato brasileiro, de novo em casa, ao derrotar o Corinthians por 2 a 0. O Internacional era bicampeão brasileiro, coroava seu futebol eficiente, brilhante e técnico, e colocava Falcão, Figueroa, Manga e Carpegiani no mais alto patamar dos grandes do futebol brasileiro e até mundial (no caso de Falcão e Figueroa). Naquele ano, Figueroa conquistou a Bola de Ouro da Revista Placar de melhor jogador do Campeonato Brasileiro, que se somou às quatro Bolas de Prata que ele já havia ganho em 1972, 1974, 1975 e 1976. O zagueiro também levou os prêmios de Melhor Jogador da América do Sul pelo El Mundo e de Jogador Mundial do Ano pela IFFHS e FIFA.

O bom filho a casa torna


Em 1977, com saudades da família e com certo receio de sua segurança em Porto Alegre, Figueroa decidiu voltar ao Chile para jogar no Palestino. Mesmo jogando num time desconhecido, Figueroa manteve a estrela vencedora e faturou a Copa do Chile de 1977 e o Campeonato Chileno de 1978, com o destaque para uma invencibilidade de 44 jogos do Palestino no país, um recorde até hoje. O zagueiro manteve o bom nível no clube chileno até 1980, quando decidiu seguir o caminho de outros grandes craques do futebol mundial, como Pelé, Carlos Alberto Torres e Beckenbauer, e jogar no futebol norte-americano, mais precisamente no Fort Louderdale Strikes, em 1981. O time fez uma boa campanha na Liga Nacional, Figueroa jogou ao lado do peruano Cubillas e do alemão Gerd Müller, mas não conquistou o título, caindo nas semifinais para o New York Cosmos. Depois da aventura na terra do Tio Sam, Figueroa voltou a jogar no Chile, no gigante Colo-Colo, onde encerraria a carreira.


A última Copa e o fim


Em 1982, Figueroa, com 35 anos, disputou sua terceira e última Copa do Mundo, na Espanha, sendo o primeiro jogador chileno a disputar três Copas na carreira (e voltando a um mundial depois de o Chile não disputar a Copa de 1978). O Chile foi novamente eliminado na primeira fase, sofrendo três derrotas em três jogos, mas só o fato de ter estado na Espanha valeu demais para o veterano craque. Depois da Copa, Figueroa encerraria a sua brilhante carreira em janeiro de 1983, após disputar um clássico contra a Universidad de Chile pelo Colo-Colo, time que venceria o Campeonato Chileno daquele ano, mas já sem Figueroa. Terminava ali a carreira do maior jogador chileno de todos os tempos, de um dos mais talentosos e primorosos zagueiros sul-americanos do século XX e, sem dúvida alguma, de um dos maiores craques do futebol mundial. Mesmo depois de ter se aposentado, Figueroa continuou a atuar no mundo esportivo, seja como comentarista, seja como assessor esportivo e até dono de escolinhas de futebol. O ex-craque continuou (e ainda continua) a receber prêmios, homenagens e lembranças que valorizam cada vez mais o seu futebol mágico e soberano, que será eterno, como o Don Elias. Um craque imortal.


Publicado no site Imortais do Futebol em 23 de agosto de 2012