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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Conselho Chinês


Há apenas duas coisas com que tu deves te preocupar:

- Se tu estás bem ou se estás doente;

Se tu estás bem, não há nada com que te preocupar.

Se tu estás doente, há duas coisas com que te preocupar:

- Se tu vais te curar ou se vais morrer;

Se tu vais te curar, não há nada com que te preocupar.

Se tu vais morrer, há duas coisas com que te preocupar:

- Se tu vais para o céu ou para o inferno;

Se fores para o céu, não há nada com que te preocupar;

Agora, se fores para o inferno, estarás tão ocupado em cumprimentar velhos amigos que nem terás tempo de te preocupar.


Então, para que te preocupar???

Cotas raciais, dentro de cotas sociais



"Sou a favor das cotas raciais, e digo os motivos:

Se o problema não veio do além, a solução também não virá.

Cotas raciais, dentro de cotas sociais, não são privilégio, são reparação. Segundo o IPEA, 64% da população pobre é negra; 69% dos indigentes são negros. Em números absolutos, temos mais de 33 milhões de negros vivendo em condição de pobreza e mais de 15 milhões vivendo em condição de miséria absoluta. (números de 2014)

A causa dessa desigualdade não veio do além, assim como a solução não virá. Se durante séculos os negros não fossem tratados como escravos, teriam tido acesso aos mesmos direitos sociais, políticos e econômicos dos brancos, e não haveria toda essa massa negra, pobre e miserável que existe hoje.

São dados, fatos, não opinião.
Os negros representam 70% dos 10% da população mais pobre do país, enquanto que os brancos somam 85% dos 10% da população mais rica. Assim como o rico herda riquezas de seus antepassados sem ser responsável por elas, nesse mundo, os pobres também herdam pobreza.

Alguns parecem esquecer que miséria também se herda, mesmo quando não se tem culpa.

Sou a favor das cotas raciais, dentro de cotas sociais, porque é premissa delas que elas não devam existir para sempre. É uma política afirmativa de reparação de uma situação que tem durado séculos, e não vai mudar com a sorte ou bondade do mercado. Enquanto a maior parte da população pobre (os negros) viver esperando por uma solução mágica baseada na busca por oportunidades as quais ela não tem acesso efetivamente e na mão invisível do mercado, que só existe em conto de fadas, continuarão vivendo na mesma merda.

Então algum colega meu deve me dizer:

"Ah, se o problema é a falta de oportunidades, que aumente as oportunidades. Quem quer, corre atrás e consegue".

Se vivêssemos no mundo de Nárnia, tudo seria possível mesmo, mas não vivemos. A frase é bonitinha, mas é ridícula e só faz sentido para alguém intelectualmente capaz de usá-la, mas incapaz de entendê-la. 


Aumentar as oportunidades é ótimo, mas não basta, já que aumentamos a oferta, mas não o acesso. 

O problema da população negra não é majoritariamente falta de oportunidades, mas de acesso. O negro médio nasce em um ambiente de pobreza, tem um limite de escolaridade baixa, vive em um ambiente hostil de violência e criminalidade, é discriminado pela cor em muitos ambientes “brancos” e, na imensa maioria dos casos, é a primeira vítima do crime.

Se tu tens um amigo negro e rico, que ótimo, para ele. Mas saiba que seu amigo é uma rara exceção. Se não acredita, vá viver em uma favela, de sua escolha, por um mês. Duvido que volte pensando da mesma forma. 

Quase 70% da população branca está completamente fora dessa situação de pobreza ou miséria, assim é fácil acreditar que “quem quer, consegue”, é mais fácil acreditar em frase de livrinho de auto-ajuda. 

A população branca, na maior parte, tem, no mínimo, o acesso à uma série de direitos dos quais a grande maioria dos negros foram separados já no nascimento, herdaram essa situação, e vivem em um ambiente que só favorece a reprodução dessas condições, criando um círculo vicioso. 

Se nós, brancos, temos acesso a muitos serviços de baixíssima qualidade, imagine a grande parte dos negros, que nem o acesso tem. 

Aumentamos, pois, as oportunidades, mas a população branca, pelas condições em que vivem em sua maioria, continuará a ter mais acesso, proporcionalmente ao anterior, ou seja, nada muda.

As cotas raciais, dentro de cotas sociais (para garantir que negros ricos não sejam privilegiados pela cor), fazem parte importantíssima das mais impactantes políticas de garantia de acesso às oportunidades. 

É claro, isso não é suficiente. É preciso que existam cotas sociais. Quem é pobre, seja branco ou preto, não o é porque escolheu, mas porque nasceu e vive em condição de pobreza. 

Se a população pobre não tem acesso às oportunidades de emprego, vagas em universidades, bom sistema de saúde, habitação, etc, essa massa não sairá da pobreza por milagre. 

Se um dia o Estado favoreceu (e continua favorecendo) as elites, é preciso que dê atenção especial, senão majoritária, à população pobre, e um fato inquestionável é que a absoluta maioria da população mais miserável desse país é negra. As cotas devem ser reduzidas progressivamente conforme o imenso abismo da desigualdade social e racial for desaparecendo, até que essa população possa depender, sim, majoritariamente de seu próprio esforço. 

O ideal é que cotas não fossem necessárias, que todos pudéssemos ter acesso de igual para igual, mas essa, infelizmente, não é nossa realidade, não vivemos no mundo de Nárnia, onde leão fala, onde menino vira dragão e onde quem quer, consegue."

quarta-feira, 6 de junho de 2018

A Bagagem



Existe um personagem de desenhos animados infantis que tem certo toque de mistério e magia.

Seu nome é Gato Félix. A todo lugar que vá, ele leva a sua maleta. É uma maleta especial, pequena.

E tudo o que ele deseja, tira da dita maleta... Se for hora do lanche, ele encontra frutas, sanduíches e sucos. Se necessitar fazer um conserto, as ferramentas lá estão. Sempre as certas e precisas. Se chover de repente, basta abrir a maleta para encontrar capa, guarda-chuva, botas. E assim em qualquer situação.

Cada um de nós também possui uma pequena mala de mão, em nossa vida, mais ou menos parecida com a do personagem infantil.

Quando a vida começa, temos em mãos a pequena mala. À medida que os anos passam a bagagem, dentro dela, vai aumentando. É que vamos colocando tudo o que recolhemos pelo caminho. Algumas coisas muito importantes, outras, nem tanto. Muitas, dispensáveis.

Chega um momento em que a bagagem começa a ficar insuportável de ser carregada. Pesa demais. Nesse momento, o melhor mesmo a fazer é aliviar o peso, esvaziar a mala. Tu examinas o conteúdo e vais colocando para fora...

Amor, amizade... Curioso, não pesam nada!!!

Depois tu tiras a raiva. Como ela pesa!!!

Na sequência, tu tiras a incompreensão, o medo, o pessimismo.

Nesse momento, tu encontras o desânimo. Ele é tão grande que, ao tentar tirá-lo, ele é que quase o puxa para dentro da mala.

Por fim, tu encontras um sorriso... Bem lá no fundo, quase sufocado!!! Pula para fora outro sorriso. E mais outro.

Aí tu encontras a felicidade.

Mas ainda tem mais coisas dentro da mala. Tu remexes e encontras a tristeza. É bom jogá-la fora!!!

Depois, tu procuras a paciência dentro da mala. Vais precisar bastante dela.

E também procuras a força, a esperança, a coragem, o entusiasmo, o equilíbrio, a responsabilidade, a tolerância e o bom e velho humor.

A preocupação que tu encontrares, deixe de lado. Depois tu pensas o que fazer com ela.

Bem, agora que tu tiraste tudo da tua mala, deves arrumar toda a bagagem. Pense bem no que vais colocar lá dentro de novo. Isso é contigo!!!

E depois de toda a bagagem pronta, o caminho recomeçado, lembre-se de repetir a arrumação vez ou outra.

O caminho é longo até chegar ao final da jornada, e tu terás que carregar a mala o tempo todo. E quando chegares do outro lado é bom que em tua bagagem tenha o máximo de coisas positivas, como boas obras, amizades, carinho, amor.

Porque isso tudo não pesa na tua bagagem, enquanto na terra.

Mas quando for colocada na balança da justiça, para além da existência física, pesará e muito, positivamente.

A vida é uma grande viagem.

Durante um tempo excursiona-se pelas paisagens terrenas...

É um período para estudar, trabalhar, progredir.

Um dia, retorna-se para a estação espiritual...

É o momento de contar as conquistas e as perdas. Os erros e os acertos.

Que a nossa bagagem, nesse dia, possa estar repleta de virtudes, o bem praticado, afetos conquistados para nossa própria e grande felicidade.


Autor desconhecido

sábado, 19 de maio de 2018

10 Maneiras de Exercer a Espiritualidade



Conheça algumas atitudes simples que te ajudam a se tornar uma pessoa melhor, que podem te levar à plenitude espiritual.

Abaixo, algumas atitudes que favorecem a conexão com aspectos elevados da vida, segundo o médico e guru indiano Deepak Chopra:

1. Reconheça que existe um poder superior no universo, maior do que a pequena existência humana
Plenitude: Você se torna mais humilde

2. Aproveite as oportunidades de colocar mais amor no mundo
Plenitude: Você se torna mais adorável

3. Reserve alguns minutos do dia para refletir ou contemplar algo belo
Plenitude: Você se torna mais forte

4. Seja mais receptiva
Plenitude: Você se torna mais graciosa

5. Perdoe alguém que você não perdoaria
Plenitude: Você se torna mais generosa

6. Reconheça seus erros
Plenitude: Você se torna mais responsável

7. Tente enxergar o lado bom dos outros
Plenitude: Você se torna mais positiva

8. Reflita sobre o seu modo de pensar e de agir
Plenitude: Você se torna mais centrada

9. Abençoe o mundo
Plenitude: Você se torna uma bênção

10. Dê o melhor de si em cada relação
Plenitude: Você se torna mais amorosa e próxima de Deus

terça-feira, 15 de maio de 2018

6 coisas que você deveria saber antes de postar seus comentários políticos na internet


Você caiu nesta página.

E a partir desse clique quase imperceptível num pedaço de plástico é possível dizer que você é desses que se importam com o debate político no seu país. Mais do que isso: muito provavelmente você não anda nada satisfeito com a forma como esse debate é conduzido por aqui.

É, eu entendo.

Política é um negócio complicado – essencialmente identidade de grupo. Em geral, é mais do que a aceitação de uma coleção de ideias ou um convencimento da necessária aplicação – ou ausência – de ações públicas que melhorem o padrão geral da humanidade. Identidade política é também estética, estilo, sensação de pertencimento, target mercadológico.

E é aqui, nesse ponto abstrato, no meio dessas nuvens cinzas subjetivas todas, que a razão sai de campo para dar lugar à emoção. É aqui que tudo embaralha. Tudo isso vira mero futebol, religião, paixão. Vira novela mexicana. Quase sem perceber, nós abandonamos a sensatez criteriosa que exigimos dos nossos adversários e passamos a abraçar cegamente a estupidez dos nossos cúmplices ideológicos.

Essa é a principal razão pela qual esse artigo foi escrito. Não como um manual de comportamento – longe de mim dizer como você deve ou não se comportar. Mas com a pretensão de estabelecer certos limites racionais para a prática do bom debate, independentemente do seu lado nessa batalha.

Há pelo menos seis pontos, descritos no decorrer desse texto, que todo mundo deveria saber antes de postar seus comentários políticos na internet. E se você se sente um pouco perdido nesse jogo, no meio de um tiroteio de hashtags e gritos de ordem sem sentido, acredite – você não está sozinho nessa.

É hora de esclarecer, não de confundir.


1. Não existe mídia imparcial.



Se você caiu de paraquedas por aqui, sem problema, eu explico. Essa publicação que você está lendo adota assumidamente uma linha editorial liberal. Cada análise produzida aqui parte do pressuposto de que o país construiu, ao longo de sua história, instituições extrativistas que alimentam toneladas de burocracia, uma legislação tributária incompreensível, insegurança jurídica, pouca receptividade à propriedade privada e uma participação inexplicável do Estado na economia – responsável direto pela criação de uma cultura predominantemente clientelista e patrimonialista, pela construção de uma horda de parasitas econômicos, de oligopólios, lobistas e metacapitalistas, e pela transferência histórica de renda dos mais pobres para os mais ricos, catalisador da desigualdade.

Esta publicação também acredita que esse arranjo institucional colaborou ao longo dos anos para criar um ambiente econômico de pouca competitividade, baixa produtividade e tímido crescimento.

Outras publicações, você certamente deve reconhecer, adotam posições diferentes, algumas com visões de mundo completamente antagônicas à nossa. E esse é o grande ponto: não há nada de errado com isso. Motivações ideológicas fazem parte da pluralidade de imprensa e conectam diferentes veículos ao redor do mundo: ora mais à esquerda (como o The Guardian e o The Huffington Post), ora mais à direita (como o Le Figaro e a Fox News), ora mais liberal (como a The Economist e a Reason Magazine). É do jogo.

Claro, tudo isso não apaga o fato de que há uma série de veículos, da grande imprensa aos ditos independentes, compromissados exclusivamente em defender os interesses de governos, partidos e grandes empresas, como folhetins corporativos – muitas vezes de forma criminosa. E essa é outra história. Essas relações não apenas prostituem a isenção na apuração das suas matérias e artigos de opinião, como devem ser questionadas pelo público. Independentemente de suas visões ideológicas.

Mesmo aos isentos, no entanto, aos compromissados com a boa prática jornalística, não existe neutralidade. Existem veículos transparentes com seus leitores em relação às suas preferências políticas e os que fingem uma imparcialidade mandrake. E a análise a respeito de cada um deles deve ser realizada mediante os fatos e os argumentos apresentados em seus conteúdos.

Toda vez que você torce o nariz para uma publicação apenas por ela estar alinhada a uma visão de mundo diferente da sua e deixa de argumentar contra as razões apresentadas em suas matérias, apontando suas falhas conceituais, você perde por w.o., abre mão do jogo, reforça o outro lado.

Tapar os ouvidos para o que o outro está dizendo não é exatamente um bom argumento.


2. A maioria esmagadora das pessoas acredita estar defendendo o lado certo da história. Inclusive quem discorda de você.


Parece difícil acreditar nisso, mas salve uma minoria de autoritários com identidades políticas torpes bem definidas – capazes de manipular a opinião pública, inventar factoides e criar um exército militante lobotomizado – a vasta maioria das pessoas com opiniões políticas acredita estar defendendo o lado certo da história. Mais do que isso: tomam suas posições a partir de pressupostos morais que julgam ser os melhores possíveis.

E isso, evidentemente, não significa que elas estejam necessariamente certas. É perfeitamente compreensível que grupos ideológicos distintos travem batalhas em torno de seus ideais e que, a partir disso, rejeitem pressupostos políticos e econômicos equivocados com argumentos racionais. A defesa das boas ideias, afinal, nasce também no combate a ideias equivocadas.

Ao longo de décadas, no entanto, a discussão política ao redor do mundo vem sendo travada considerando uma batalha épica entre o bem e mal, como se a força motriz por trás de todas as diferenças fossem desvios irreconciliáveis de caráter onde nenhum indivíduo é capaz de abraçar uma visão de mundo distinta da nossa sem ser tratado como um pulha irreparável.

E nada disso acontece sem razão. Como o economista Friedrich Hayek – vencedor do Nobel – apontou em sua magnum opus, O Caminho da Servidão:

“Quase por uma lei da natureza humana, parece ser mais fácil aos homens concordarem sobre um programa negativo – o ódio a um inimigo ou a inveja aos que estão em melhor situação – do que sobre qualquer plano positivo. A antítese ‘nós’ e ‘eles’, a luta comum contra os que se acham fora do grupo, parece um ingrediente essencial a qualquer ideologia capaz de unir solidamente um grupo visando à ação comum. Por essa razão, é sempre utilizada por aqueles que procuram não só o apoio a um programa político mas também a fidelidade irrestrita de grandes massas.”

Apontar falhas de raciocínio, falácias, lacunas na construção de pensamentos lógicos, falta de rigor nas análises socioeconômicas e rachaduras na compreensão do mundo é o que torna qualquer embate de ideias possível. E tudo isso é saudável. Toda vez, no entanto, em que pessoalizamos o debate, condenando figuras à sarjeta apenas por pensarem diferente da gente, como se não houvesse discussão longe dos pontos de vista das nossas janelas, colaboramos apenas para construir uma caça às bruxas moralista injustificável.

Há certamente grupos que precisam de tais artifícios para maquiar a falta de sustância de suas ideias. Mas, de uma vez por todas, você não precisa fazer parte deles.


3. Questione sempre todo mundo. Especialmente as pessoas que concordam com você.



Na tentativa de transformar tudo numa luta do bem contra o mal, é comum acabarmos adotando um comportamento de torcida organizada na hora de lançarmos nossa opinião política. E o ódio pode facilmente se transformar em amor cego.

Nenhuma visão política se estabelece com maturidade sem uma boa dose de ceticismo.

Por isso, questione sempre. Não importa o lado. Não importa quem. Lula, Bolsonaro ou João Doria. Globo, Fox News ou BBC. Spotniks, Veja ou Carta Capital. Olavo de Carvalho, Jean Wyllys ou o cara por trás desse texto. Ninguém é dono da verdade. Ninguém acerta o tempo todo. Ninguém erra o tempo todo.

E nada disso é estar em cima do muro. Você pode perfeitamente ter predileção por uma ideologia, um veículo de informação ou um partido político. Não há nada de errado com isso. Você pode morrer crente que abraçou o melhor conjunto de ideias que foi permitido à raça humana.

Não seja escravo das circunstâncias.

Entenda que o seu grau de responsabilidade pelas ideias que você defende termina onde começa o campo de ação dos demais defensores dela. Abrace a independência. Se é possível nos enganarmos a respeito daquilo que defendemos – e muitas vezes passarmos a abraçar ideologias completamente opostas, em alguma fase da vida – como raios podemos botar a mão no fogo pela ação de terceiros, como os agentes políticos?

Você está em 2017. Ligue a televisão. Abra o jornal. Digite Lava Jato no Google. A chance de você estar sendo enganado por uma figura interessada apenas em seu voto – e na sua carteira – é consideravelmente real.


4. Na dúvida, fique em silêncio.



Foi o grande Abraham Lincoln quem disse:

“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida.”

E se há algum lugar em que essa frase faz sentido é na internet. No Facebook você pode acordar especialista em execução orçamentária, almoçar discutindo engenharia aeroespacial, jantar debatendo bioética e ir dormir crítico de cinema.

Mas cá entre nós: ninguém domina tantos assuntos assim, não é mesmo? Com a política não é diferente.

A livre expressão é um direito constitucional. Seu, meu, de quem pensa igual, de quem pensa diferente. Mas você não é obrigado a ter opinião sobre tudo. Não é obrigado a entender sobre todos os assuntos. Não é obrigado sequer a responder perguntas que você desconhece.

E é exatamente por isso que fica tão feio quando você aborda um assunto sem entender patavinas do que está falando. Todo mundo percebe. É só uma tentativa de impressionar. E nem sempre isso é possível da forma como você esperava.

Na dúvida, fique em silêncio. Estude. Aprenda. Tenha humildade para reconhecer os seus limites.


5. Bolhas ideológicas estão condenadas ao fracasso.



As opções estão na mesa.

Você pode excluir todos os seus amigos que pensam diferente de você. Pode menosprezar todas as publicações que levantam pontos de vista distantes do seu. Pode fugir do diálogo como se o que dividisse você dos demais que abraçam bandeiras contrárias à sua estivesse necessariamente preso a um julgamento moral. Pode até criar zonas de espaço seguro em universidades, protestando contra palestrantes e cerceando a liberdade de expressão alheia. Você só não pode esperar ser ouvido por outras pessoas enquanto se tranca dentro de uma bolha ideológica.

Se há algo a dizer a respeito das últimas eleições ao redor do mundo é que bolhas ideológicas estão condenadas ao fracasso. Não adianta lutar contra. Quanto mais você se isola, mantendo o seu diálogo restrito entre aqueles que pensam iguais você, menos você convence aquela parte da humanidade que não concorda com você. E acredite: essa parte não apenas sequer reconhece que tipo de ideias você defende, como pode perfeitamente construir uma visão a respeito delas completamente diferente da sua.

E nesse ponto do texto você pode até fingir que não tem qualquer relação com isso, pedante a ponto de acreditar que conseguirá passar imune à ausência do debate de ideias, como se as suas ideias pertencessem à classe das verdades inquestionáveis – e todo resto estivesse relegado aos comunistas comedores de criancinhas, aos neoliberalóides inimigos da classe trabalhadora ou aos fascistas destruidores de minorias – mas, lamento dizer, você é o principal culpado pelo fracasso na aceitação das suas ideias.


6. Não perca tempo discutindo com quem não está disposto a ouvi-lo.



Por fim, você pode estar do outro lado dessa história. Progressista, liberal, conservador, tanto faz. Disposto a ouvir, disposto a apresentar seus argumentos, disposto a seguir o caminho da razão. E ainda assim, encontrar pela frente gente interessada em qualquer coisa, menos em levar a sério o que você tem a dizer.

Não se iluda. Eles questionarão sua inteligência, seu bom senso, suas fontes, suas intenções, seu senso de justiça, seu discernimento entre o certo e o errado. Questionarão a tua capacidade de se importar com o próximo. Te associarão aos piores sentimentos do mundo. E não há nada que você possa fazer a respeito.

Nessa hora, tenha a humildade de cair fora, de abrir mão. Contente-se com o fato de que tudo que você tem a receber pela frente é bobagem. E a respeito desse assunto, nunca é demais lembrar da primeira regra do debate político.

A quantidade de energia necessária para refutar uma bobagem é uma ordem de magnitude maior que para produzi-la.

Tenha isso sempre em mente. Você já sabe tudo que precisa para publicar as suas opiniões políticas.

Texto de Rodrigo da Silva
Publicado no site Spotniks.com em 27 de abril de 2017.