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quarta-feira, 19 de setembro de 2018
sexta-feira, 23 de março de 2018
A Casa da Esquina - Família Jaeger
Essa é a casa de meus saudosos Vô Mário
e Vó Iolanda. Aqui meu pai furou uma festa e conheceu minha mãe. Nessa casa nasceu
minha irmã mais velha. Grandes recordações, muitas brincadeiras com meus
primos. E até hoje guardo na lembrança o foguetório da Alvorada Colorada com a
inauguração do Estádio Beira Rio em abril de 1969.
Enfim!!! Mas hoje trago aqui um
depoimento de quem não viveu na casa, mas expressa seus sentimentos com muita
propriedade. Obrigado pelas palavras, professora!!!
“Profª.
Luiza Carravetta.
Prezados
colegas, queridos amigos.
Acredito
que todos têm uma casa da esquina.
Hoje
compartilho a minha com muita ternura e saudade.
Luz
e paz.
A CASA DA ESQUINA
Passei a infância e a adolescência
na Vila do IAPI. Depois do primário no Grupo Escolar Gonçalves Dias, ganhei uma
bolsa de estudos e fui para o colégio das freiras, o ginásio Santa Teresinha.
Saindo de casa, fazia um longo percurso
a pé para chegar à escola. Como não tinha relógio, dois pontos de referência
chamavam a minha atenção: o ônibus da Citral, que ia para Taquara, e a casa da
esquina.
Quando o ônibus passava perto da
casa da esquina, eu tinha noção de que estava no horário certo. Se ele
estivesse mais próximo da vila, eu precisava apertar o passo. A minha rotina só
era quebrada, quando fazia o trajeto de bonde, em dias de chuva ou quando o
dinheiro da passagem permitisse.
No imaginário de guria pobre do
IAPI, havia muitas fantasias sobre a casa da esquina: quem morava lá, como
seria a vida daquelas pessoas que habitavam lá naquela casa enorme, de dois
pisos, com aquelas bolas de cimento na frente, que tipos de cômodos havia,
quais seriam os móveis.
Nunca tive inveja de nada, mas
curiosidade em saber como seria viver numa casa grande, tão diferente do meu
mundo, de quem vivia num apartamento de dois quartos numa metragem de 35 metros
quadrados.
Há poucos dias, um grupo de
ex-alunas do Santa Teresinha reuniu-se para um chá. Consegui uma brecha na
agenda e fui me encontrar com as colegas de um passado distante.
O endereço do encontro era na
esquina da Assis Brasil com a Emílio Lúcio Esteves.
Quando me aproximei do endereço
enxerguei a padaria/confeitaria, localizada nada mais nada menos do que na casa
da esquina.
Levei um choque. Fiz um “revival”
de longínquas lembranças com gosto de uma vida pobre de bens materiais, mas
rica de experiências. A guria do IAPI ia, finalmente, conhecer a casa da
esquina.
Meu coração batia forte, mas foi
serenando na medida em que eu adentrava naquele “não meu lugar”. Parecia que eu
estava invadindo uma privacidade que nunca conheci.
No andar térreo, uma padaria bem
sortida ocupava todos os espaços. No segundo piso, mesinhas de uma casa de chá.
Num recinto separado, estava o meu grupo. Ali deveria ser um dos quartos. Havia
uma toalha estampada sobre a mesa. Tudo simples, bem diferente do glamour que
eu esperava.
No meu choque de realidade, voltei
no tempo. Revivi, nos meus devaneios, uma noção de espaço, onde tudo parecia
muito maior. Senti cheiros inconfundíveis de infância, de comida de mãe, de
calor humano, de aconchego de um período de felicidade plena.
Retornar à casa da esquina me
permitiu relembrar um período tão importante da minha vida. Vou deixar de lado
a casa onde eu entrei. Que ela continue proporcionando encontros nos seus chás
e na venda de pães, biscoitos e doces.
A minha casa da esquina continua
sendo aquela, rica na minha imaginação, tecida por sonhos não vividos, mas
sonhados e guardados num lugar muito especial do meu coração.
Luz e paz.”
sábado, 25 de abril de 2015
Lembranças de uma amiguinha
Tá completando cinco aninhos que minha vizinha e amiguinha Duda mudou-se aqui do prédio. Meiga, sorridente, querida e qdo eu brincava e conversava com ela se soltava entre risos e gargalhadas, ainda que timidamente. E guardava um sorriso só para ela qdo o Pier aparecia, ficando com o rostinho rosado e bastante encabulada. Saudades dela, que vinha com o passar do tempo sofrendo dia a dia com a gradual degeneração a qual estava sujeita por ser portadora da paralisia cerebral. Vale lembrar que apesar do termo PC ser bem difundido por profissionais e não profissionais, este não é o correto, mas sim, Encefalopatia Crônica Não Progressiva (ECNI).
Onde quer que ela esteja, estará sempre no meu coração.
Bjinhos, Dudinha!!!
Onde quer que ela esteja, estará sempre no meu coração.
Bjinhos, Dudinha!!!
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Circular de Condomínio - Uma Aula de Como Ser Síndico
CONDOMÍNIO EDIFÍCIO
PARQUE CARLOS GOMES
Circular 01/89
POR FAVOR: ANTES DE
JOGAR AO LIXO, LEIA!!!
Senhores condôminos e moradores:
A
presente circular, a qual espera seja lida antes de ser jogada ao lixo, serve
para levar ao conhecimento de todos a real situação do Condomínio quanto à
disciplina e, principalmente, a conservação dos prédios e áreas comuns.
Por
exemplo: há um jovem ou uma jovem que utiliza-se dos elevadores do Edifício
Peri que, invariável e diariamente, dá uma robusta e bem nutrida escarrada na
porta interna dos elevadores. E fica aquele manancial de saliva e catarro
escorrendo pela porta! Pode ser desagradável ler esta descrição, mas imaginem
então, quão insuportável é viajar no elevador com aquele imenso catarro nos
espreitando! E diz-se que é um jovem, pois os adultos, pelo menos os
conhecidos, ainda não demonstraram índices de debilidade mental suficiente para
serem enquadrados como escarradores!
Sabe-se,
contudo, que é um jovem de mais ou menos 1,80 m de altura, dada a localização
da cuspida na parte superior das portas. Seus familiares, no entanto, devem
saber de quem se trata, pois é certo que a cozinha, sala e banheiros de sua
residência devem estar permanentemente sujos e cuspidos.
Por
outro lado, dá-se enfoque e realce às seguintes infrações, pinçadas de um
elenco fantástico de outras que aqui seriam impossíveis de relatar:
* às 00,20 horas do dia 11.03.1989, os
estimados e futurosos jovens Vladimir e Luciano (206), dois jovens do 801, o
Luciano (301), Marcelo (1408), Guilherme (1101), “Braguinha” (203), Moacir
(408), Sandro (201) e Gabriel (907), além de promoverem grossa algazarra nos
corredores, resolveram apagar as luzes da parte térrea e salas de estar. Antes,
porém, barraram os corredores com bancos na parte térrea alcançados pelo
Vladimir (206) para o “grandalhão” do 801 (exatamente assim narrado no registro
de ocorrência feito pela guarda). Posteriormente, reuniram-se na parte traseira
do Edifício Guarany onde promoveram novas algazarras, o que levou vários condôminos
a solicitar providências à Portaria.
* às 23,10 horas do dia 07.03.1989, um
bando composto pelo Vladimir e Luciano (206), os três (?) jovens do 801, e mais
o Marcos (1404), Guilherme (1101), Gabriel (907), Vinícius (605) e Moacir
(408), colocaram um rojão ou qualquer outro artefato explosivo dentro de uma
cigarreira no corredor que liga a garage subterrânea ao Edifício Peri. O
estouro foi fantástico e, pelas reclamações recebidas por telefone pelo Síndico
e pelo interfone, na Portaria, cerca de 50 criancinhas de menos de 3 anos de
idade devem ter acordado simultaneamente. Houve condôminos que suspeitaram da
explosão dos depósitos de gás. A cigarreira foi encontrada morta no andar
térreo mas nenhum dos rapazes, ao que se saiba, sofreu qualquer arranhão ou
queimadura!
Embora a hipótese em exame
possa caracterizar, segundo alguns, a formação de quadrilha, na realidade não
foi apurado qual o responsável ou responsáveis pelo atentado terrosrista, nada
foi possível apurar entre os supracitados, pois, a exemplo do que ocorre no
Presídio Central, em Charqueadas ou na “Tio Patinhas”, imperou a “lei do
silêncio” e ninguém viu ou, pasmem, ouviu algo!
* às 02,00 horas do dia 28.02.1989, o
Márcio e o Vladimir resolveram apagar as luzes das salas de estar e adjacências
do Edifício Peri, pois, ao que parece, preferiam conversar às escuras em local
que sabidamente, é vedado para reuniões!
* crianças não identificadas arrancaram as torneiras das pias
da churrasqueira. Espera-se, fervorosamente, que não carreguem o “freezer”,
bancos, mesas, etc.
* foi encontrada uma calcinha, marca
HOPE, cor amarela, em bom estado de conservação, tamanho 40 ao que parece, na
casa de força do Edifício Peri. A porta foi arrombada e é de ferro, sendo tal
ato praticado provavelmente por um homem, e forte! Outra calcinha, da mesma marca,
tamanho e estado de conservação, mas de cor rosa, foi encontrada junto à mesa
de massagens da sauna, cuja mesa é forrada e confortável. Os locais são
realmente insólitos para o esquecimento de calcinhas, mas no caso da calcinha
esquecida na casa de força do Edifício Peri, alerta-se à proprietária que deve
cuidar-se para não encostar-se por descuido e inadvertidamente, num campo de
força ou fio desencapado, pois poderá ser lançada ao espaço, ainda que não
tenha vocação para astronauta. Diga-se, en
passant, que a janela da sauna, que é de ferro, também foi quebrada, o que
pressupõe uma jovem muito forte ou a presença de um rapaz para o arrombamento!
* além das gritarias noturnas habituais
(que, via de regra, obriga o Síndico a sair da cama e descer para inteirar-se
do que provoca tanto histerismo, geralmente entre as 23 horas de um dia às 3
horas do dia seguinte), estamos agora às voltas com os “skates” que, desprezado
o barulho produzido pelas rodas, têm o condão de quebrar as lajotas dos
corredores. Estima-se que cerca de 500 lajotas deverão ser substituídas, mas
certamente as 104 economias deste condomínio pagarão sorrindo as despesas
extras que será devidamente rateada. O mesmo se diga com relação às torneiras,
lâmpadas, etc.
Nota-se, portanto, por este
singelo e resumidíssimo relato, que muitos pais neste condomínio estão se
omitindo no cuidado devido aos filhos e, consequentemente, no respeito devido
aos vizinhos. Pouco importa ao Síndico que esta ausência de cuidados possa
refletir-se negativamente no futuro dos mesmos, pois já criou seus próprios
filhos (neste prédio) e nada tem a ver com a vida dos outros. Mas do desleixo
dos pais e da indisciplina e vandalismo dos filhos brotam, como diria o Presidente
Geisel, a lenta, gradual e segura deterioração dos prédios e áreas comuns, verbi gratia: os móveis das salas de
estar, recém reformados, já estão danificados; lâmpadas e suportes são
arrancados e jogados fora, etc. etc. etc.
Mais detalhes serão
fornecidos na próxima Circular onde também serão devidamente identificadas as
jovens que estão fazendo parte da nossa “turminha da noite”.
Por derradeiro, apenas um
lembrete bem apropriado. Perguntem ao ilustre condômino Dr. Boschi, expert na matéria, quais foram ou teriam
sido os primeiros passos da tristemente célebre “Gang” da Praça da Matriz!
A
Administração.
Texto de autoria de Cláudio Armando da Silva Nicotti
Posted by
Nicotti
at
07:55
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