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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Mineiro Discorda Concordando - F. Carpinejar

 


Gaúcho grita “não” a qualquer momento, seu advérbio predileto. Professa não no meio do raciocínio de alguém. Já acha que será explorado e exercita a prática da implicância. Compra a briga à vista.

Já o mineiro não declara “não” de modo direto, parcela o desentendimento a perder de vista.

Não vai encher os pulmões com uma negativa.

Não desperdiça tempo com discussões e enfrentamentos. Não bloqueia a estrada da conversa com barricadas.

Não me lembro de ter ouvido um singelo “não” por aqui com ênfase solitária. O não está sempre casado com uma palavra delicada e mansa, que não dá nunca a impressão de censura ou descontentamento.

Mineiro se recusa a algo mudando de assunto, direcionando suas vontades para um outro lugar, manobrando o discurso para onde deseja. Tem um jeitinho só dele de discordar concordando.

Qual a sua estratégia persuasiva? Não descarta a proposta alheia, apenas não a prioriza. A companhia jura que vai a algum lugar e termina num diferente. Não sobra luz do sol para cumprir a segunda promessa.

Minha esposa faz com que acredite que estou sempre certo não fazendo nada do que sugiro. Elogia para despistar. Saúda para cancelar.

Eu levei três anos para perceber o artifício da sua astúcia. Às vezes, acho que ela é o ghost-writer ancestral do filósofo Arthur Schopenhauer e seu manual “Como vencer um debate sem precisar ter razão”.

Posso convidá-la para uma churrascaria, ela diz que é uma excelente ideia, que vinha sonhando com isso, mas que tal aproveitar a promoção antes no restaurante japonês? Vamos primeiro no japonês e nunca mais na churrascaria. Não há estômago para conciliar ambas gastronomias.

Posso convidá-la para um tira-gosto, ela exalta a sua saudade do boteco, mas fala que não podemos perder antes a degustação de vinhos num restaurante de um amigo. Eu encontro Baco e o amigo e nunca mais aquela coxinha de catupiry.

Posso convidá-la para deitar com uma coberta na Praça do Papa, na indolência do verde, ela confessa que também sente falta de um piquenique, mas que devemos conferir antes a abertura da Casa Cor. Ando quilômetros por dentro de cenários decorados e nunca mais cochilo na sombra das árvores.

Posso convidá-la para o cinema, ela adora a minha iniciativa, mas antes rodamos no shopping por três horas, de loja em loja, aproveitando os saldos, e nunca mais pisamos no escurinho da sessão porque não temos onde deixar as sacolas.

Posso convidá-la para tomar um banho de piscina, ela destaca a nossa sintonia, anuncia que ando lendo os seus pensamentos e que não vem suportando o calor, mas antes pretende passar na tia para entregar um queijo. Será rapidinho. Fico com sunga por baixo da roupa durante toda a interminável visita e nunca mais mergulho nas águas do clube.

Beatriz aprova tudo o que quero e jamais realizo o que quero. Entende o paradoxo? Esse é o mineiro, que nos convence do contrário abolindo o “não” do seu vocabulário.

Coluna de Fabrício Carpinejar no jornal O Tempo, caderno Magazine,
Belo Horizonte (MG), 18 e 19 de setembro de 2021.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Estrela, Estrela - Vitor Ramil



Estrela, estrela
Como ser assim
Tão só, tão só
E nunca sofrer

Brilhar, brilhar
Quase sem querer
Deixar, deixar
Ser o que se é

No corpo nu
Da constelação
Estás, estás
Sobre uma das mãos

E vais e vens
Como um lampião
Ao vento frio
De um lugar qualquer

É bom saber
Que és parte de mim
Assim como és
Parte das manhãs

Melhor, melhor
É poder gozar
Da paz, da paz
Que trazes aqui

Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão

Eu canto e sei
Que também me vês
Aqui, aqui
Com essa canção



sábado, 1 de junho de 2019

Vitor Ramil - Estrela, estrela




Estrela, estrela
Como ser assim
Tão só, tão só
E nunca sofrer

Brilhar, brilhar
Quase sem querer
Deixar, deixar
Ser o que se é

No corpo nu
Da constelação
Estás, estás
Sobre uma das mãos

E vais e vens
Como um lampião
Ao vento frio
De um lugar qualquer

É bom saber
Que és parte de mim
Assim como és
Parte das manhãs

Melhor, melhor
É poder gozar
Da paz, da paz
Que trazes aqui

Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão

Eu canto e sei
Que também me vês
Aqui, aqui
Com essa canção

Vitor Ramil

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O Verão Gaúcho


Eu amo as praias do Rio Grande Do Sul, aquela areia grossa de fazer obra, aquele vento que lembra o furacão Catrina, aquela água que parece um Nescau, aquela gente super boa que tá devendo até a alma e fica postando foto com latão de Polar que comprou por R$ 3,09 no supermercado, é uma maravilha!

Experimenta esquecer as Havaianas e caminhar no paralelepípedo quente com o sol do horário de verão, vai saber o que os muçulmanos chamam de “Queimar no mármore do inferno".

Aquele supermercado lotado, cuspindo gente, a atendente super feliz te atendendo com aquele uniforme de no mínimo 5 carnavais, um ventiladorzinho no chão que mais parece a ventoinha do radiador jogando aquele vento quente na cara e as padarias que todo mundo chega ás 18 horas e já não tem mais pão.

Aqueles retardados que passam com som a todo volume ouvindo funk, dirigindo bêbados, de pés descalços, mexendo com as gurias na rua, buzinando a uns 80 km/h levantando poeira e jogando brita nos pedestres.

As sorveterias que vendem o sorvete de 6 reais o litro por 40 reais 3 bolinhas com calda, ainda vai lá as crianças e pegam mais os M&Ms, coco ralado, canudinho, etc. E vai pagando tudo - que custa 2 ou 3 reais o kg os mesmos 40 reais do sorvete, porque afinal tudo é por peso.

Chega de noite o cidadão caminhando no centro com a sua familia, vai lá tomar um capeta, 2 dedos de vodka vagabunda com leite condensado, um saquinho de polpa de fruta com gelo feito em casa, bate tudo no liquidificador que fez o de chocolate do cliente antes de você, mas tudo bem porque ele passou uma aguinha antes, e te serve o copão de 500 ml por 15 PILA!.

Ai as crianças que já tomaram uns sorvetes depois da janta, tomam uns golinho de capeta, ai elas é que viram os capetas. Decidem ir ao parque de diversões, carrinho bate-bate e se matam naquela bosta achando que tão no “Velozes e Furiosos”. Depois é a vez do Kamikaze, A PORRA DO KAMIKAZE que o dono do parque deixa cinto estragado e porta estragada pra dar mais medo ainda, e as pragas decidem andar naquilo. A mulher enchendo o saco dizendo é perigoso e o pai dizendo; "deixa, é seguro, eu conheço o operador do brinquedo, ele que tava tomando o capeta de chocolate antes da gente", este por sinal falou pro patrão que era só uma batidinha sem álcool, mas pediu pro cara da banquinha de bebidas enfiar 5 dedos de cachaça naquela porra só pra disfarçar.

Vai as cria andar no tal do "Kamikaze", E começa a mexer, já tem gente pedindo pra descer como se tivesse tido uma premonição de todo mundo morrendo. Ai desceu, aquela porra continua andando, e dá uma volta e outra, e as cria gritando e berrando, "O PAAAIIII, OLHA EU", e o PAI: "Cadê meu celular?", e aí o operador - mais pra lá do que pra cá, resolve parar aquela porra de cabeça pra baixo. ESSA É A HORA, A HORA DO VÔMITO... junta a janta, sorvete, os capetas e o Kamikaze, tá feito o estrago; aí vira aquela centrifuga de criança e começa a extrair até a alma das pragas. Tu ficas se perguntando: "DE ONDE VEIO ISSO TUDO, PORRA?". E desce as pragas, e ainda pedem: “DE NOVO, DE NOVO!!!”

Ahhh!!! As praias do Rio Grande Do Sul... como eu poderia não amar???


Texto de Marco Aurelio De Oliveira Pereira

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Expressões Gaudérias - I


• Afiado como navalha de barbeiro caprichoso.
• Agarrado como carrapato em culhão de touro.
• Apertado como rato em guampa.
• Assanhada como solteirona em festa de casamento.
• Atirado como interesse de viúva.
• Aumentar como barriga de prenha.
• Bater mais que brigadiano na mulher.
• Brilhar como ouro de libra.
• Bueno como namoro no começo.
• Buliçoso que nem mico de viúva.
• Cair bem como chuva em roça de milho.
• Calmo que nem água de poço.
• Cara amarrada como pacote de despacho.
• Causar alvoroço que nem mata-mosquito em convento.
• Chiar como uma locomotiva no cio.
• Cobiçada como anca de viúva nova e bonita.
• Comer mais que remorso.
• Como tosa de porco: muito grito e pouca lã.
• Contente como cusco de cozinheira.
• Contrariado como gato a cabresto.
• Dá mais que pereba em moleque.
• De boca aberta que nem burro que comeu urtiga.
• Devagar como enterro a pé.
• Dormir atirado que nem lagarto.
• Dormir que nem sapo morto estirado nos arreios.
• Encardido como peleia de caudilho.
• Encordoado como teta de porca.
• Enfeitado como bidê de china.
• Engraçado como gorda botando as calça.
• Esfarrapado que nem poncho de gaudério.
• Espalhar-se como pó de mangueira em pé de vento.
• Esparramado como dedo de pé que nunca entrou em bota.
• Esperto que nem gringo de venda.
• Extraviado que nem chinelo de bêbado.
• Faceiro como mosca em rolha de xarope.
• Feia como mulher de cego.
• Feliz que nem lambari de sanga.
• Fino e comprido como pio de pinto.
• Firme que nem prego em polenta.
• Frouxo como peido em bombacha.