quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A Conciliação e o Enforcamento

 
Certa feita, numa sessão na Justiça do Trabalho, as partes conversavam no sentido de conciliar o feito.


Mesmo que as tratativas girassem em torno de quantias irrisórias (digamos 100 reais nos dias atuais), o reclamado encontrava-se irredutível.


As partes acabaram conciliando o feito e, enquanto o magistrado ditava ao escrivão os termos do acordo, o reclamado preenchia o cheque.


O juiz ditava:


- O reclamado paga nesse ato a quantia de R$ 100,00 (cem reais)...


Entretanto ao passar o cheque para o reclamante, o réu comenta:


- Agora tu pega esse cheque e compra uma corda para te enforcar, seu vagabundo!!!


Com o que o juiz continua narrando ao escrivão:


- (...) a quantia de R$ 100,00 (cem reais) que são pagos pelo reclamado a título de gastos pela compra da corda do enforcamento do Autor e mais R$ 100,00 (cem reais) pelo acordo travado entre as partes.


O juiz determinou que o sujeito fizesse o outro cheque no mesmo valor e, apesar do reclamado ter se revoltado, foi orientado por seu advogado que preenchesse o outro cheque e não abrisse mais a boca até a retirada do recinto.


O magistrado em questão tratava-se do Dr. Cláudio Armando da Silva Nicotti 
da 5ª. Junta de Conciliação e Julgamento de Porto Alegre - RS, meu pai.

O Estagiário e o Juiz

 
Era meados dos anos 80, uma tarde de primavera e eu aguardava minha audiência, sentado dentro da sala onde as mesmas ocorriam, assistindo as sessões que antecediam a minha.

O juiz era novato. Havia recém sido empossado. Pior!!! Além de não ter sido um frequentador assíduo no judiciário trabalhista, não tinha ainda, muita simpatia por estagiários. Havia um tratamento diferenciado.        

Em outras palavras: tratava-os com um certo desprezo.

Após o pregão e a presença das partes já devidamente sentadas em seus lugares à mesa, o juiz questiona o representante do Autor (que trajava uma calça jeans, camisa verde, boina ao estilo Che Guevara, calçando alpargatas):        

“- O senhor é advogado ou estagiário?

E o rapaz prontamente lhe responde:

“- Estagiário, Excelência!

E o magistrado, de forma jocosa (com ares de deboche) e sorrindo, assim reage:

“- Hummmm, estagiááárioo é???

Intrigado e surpreso com o comportamento do juiz, o rapaz imediatamente lhe questiona (eis que sabedor da resposta):      

- Vossa Excelência é o novo Juiz Presidente da Junta ou Substituto???

E o magistrado, com toda a inocência do mundo aliada a uma felicidade (com ares de superioridade) responde:

“- Sou o novo Juiz Substituto!!!

E o estagiário, num comportamento idêntico àquele expressado pelo juiz, ou seja, em tom jocoso, debochado e sorridente, reage:

“- Ahhhh!!! Substituto é???


Quase que instantaneamente, um famoso e renomado causídico, militante há mais de 20 anos (isso na época), um verdadeiro “macaco-velho”, que aguardava sua audiência ao meu lado, largou uma sonora gargalhada o qual tentou segurá-la com a mão, o que só veio a dar mais comicidade ao ocorrido, pois à medida em que ele se retirava do recinto, mais ecoava seus risos.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

7 “fatos” científicos que aprendemos errado na escola

O que você viu no colegial não vale mais para os cientistas.

Não é segredo que a educação científica no Brasil é problemática. A triste verdade é que a maioria dos brasileiros não aprende direito, não ganha gosto pela ciência e acaba esquecendo o pouco que aprendeu, para acabar se apegando a velhas crenças que são fáceis de explicar.
O problema talvez esteja mais no método que no conteúdo. Porque nosso currículo não é muito diferente do resto do mundo. E aí a gente topa em outros probleminhas: a ciência avança mais rápido que os livros didáticos, que tendem ao que é “seguro” e acabam refletindo consensos de décadas atrás.
Então, mesmo se você não está na maioria, e gosta e entende ciência, talvez ainda acredite em algumas coisinhas passadas na escola que nenhum cientista defende hoje. Veja só:

 

1. Os cinco sentidos

Tato, olfato, visão, audição, paladar. O clássico quinteto existe, mas você já ouviu falar em propiocepção? É nossa capacidade de saber onde está cada parte do corpo, sem precisar ver ou tocar. Dor e temperatura, outros sentidos óbvios, ficam na pele, mas não tem nada a ver com tato. Equilíbrio fica na orelha interna, mas não é audição. Você também tem sensores diferentes para notar que o pulmão, bexiga, estômago e intestinos estão cheios e percebe quando seu sangue está com pouco oxigênio, quando prende a respiração. Temos até mesmo um GPS no nariz.
Então, quantos sentidos existem? Bom, aí a porca torce o rabo. Na verdade, não é tão fácil assim definir o que é um sentido. Podemos chamar nossa percepção da passagem do tempo, sem nenhum órgão associado a ela, de sentido? No fim das contas, há quem fale em mais de 20 sentidos.
A certeza é que são mais de 5. Isso foi ideia de Aristóteles, há mais de dois milênios. Aristóteles é um pai da ciência, mas já passou da hora dos livros didáticos procurarem seu próprio apartamento.

 

2. A língua tem áreas diferentes para sabores, e eles são quatro

Ainda nessa de sentidos, talvez você se lembre do famoso mapa da língua, mostrando que o órgão tem partes separadas para detectar quatro sabores: salgado, doce, azedo e amargo.
Pra começo de conversa, são cinco. Também existe o umami (algo como “delicioso” em japonês), descrito em 1908 pelo cientista Kikunae Ikeda. Faz todo sentido, porque não tem outro nome: é aquela sensação de água na boca vinda do queijo, tomate, bife e – a inspiração de Ikeda – o dashi, caldo japonês de peixes e algas usado em ensopados. O sabor indica a presença de glutamatos, produzidos por seres vivos, e também vendido, na forma sintética, no Aji-No-Moto, criado um ano depois da explicação de Ikeda.
Os cinco sabores são percebidos da mesma forma na língua inteira. Não existem as áreas. O erro vem de 1901 por meio de um estudo falho que, por algum motivo, colou mesmo assim. Desde 1974 está provado que não tem nada a ver.
Outra coisa: o que chamamos de sabor (veja lá atrás a controvérsia dos sentidos) é mais percebido pelo nariz do que pela língua. Laranja e maçã tem tanto doce como azedo, mas parecem completamente diferentes, graças às suas propriedades químicas detectadas no nariz. E também à sua textura, percebida pelos sensores de pressão (tato) na língua.

 

3. As cores primárias são amarelo, vermelho e azul

Segundo as aulinhas de educação artística, misturando amarelo, vermelho e azul, podemos obter todas as cores. E você não pode obtê-las misturando nenhuma outra cor. Pura balela.
As verdadeiras cores primárias são ciano, magenta e amarelo. Simplesmente não dá para fazer qualquer cor com vermelho e azul. E dá para fazer azul com ciano e magenta e vermelho com amarelo e magenta. Qualquer um que já recarregou uma impressora deve ter percebido: as tintas vêm nessas três cores, e não nas do guache com que você sujou os dedos na terceira série.
Só que isso não é tudo. Essas são as cores primárias substrativas. Mas existe outro tipo de cores primárias, as aditivas.
Quando a gente fala em tintas, misturá-las é remover cores. Como ensinado na escola, a luz branca contém todas as cores. Quando ela reflete num material pintado, volta com menos cores (que percebemos como uma só). Quando você pinta uma parede branca de azul, o que está fazendo é impedir que ela reflita as outras partes do espectro luminoso. Misturando tintas, você reduz quais partes da luz branca são refletidas. O resultado é que, se você juntar as três cores primárias subtrativas, o resultado é preto, e não branco.
O branco é a união de todas as cores de forma aditiva. E podemos produzir cores dessa forma emitindo luz. Se você acender uma luz vermelha e outra verde, o resultado é amarelo, e não o marrom desagradável produzido ao se misturar tintas da mesma cor. Isso porque estamos ampliando o espectro luminoso ao adicionar mais partes dele à uma emissão de luz. Dessa forma, as cores primárias aditivas são azul, vermelho e verde. De fato, é assim que seus olhos funcionam: eles tem receptores para essas três cores.
As cores primárias erradas vem da Renascença, quando os pigmentos eram limitados. Desde o século 19 sabemos que não é assim.

 

4. Existem 3 estados da matéria

Sólido, líquido e gasoso, certo? Mas o que dizer do plasma, em que os elétrons se separam de seus núcleos, criando algo que parece gás, mas conduz eletricidade e pode ser controlado por campos magnéticos? Ou o cristal líquidocom propriedades tanto de sólido quanto de líquido, que também está na sua TV, mas não nos livros didáticos? E ainda o superfluidoum material que tem zero viscosidade, e corre para cima quando posto num recipiente?
Assim como no caso dos sentidos, existem muitos outros estados da matéria. A maioria deles só existe em condições raras e extremas, observados apenas em laboratório. Então, para simplificar, lembre-se pelo menos do plasma, que é comum, existe na natureza (no Sol e em raios) e é fácil de explicar: basta aquecer qualquer gás imensamente ou expô-lo a uma grande corrente elétrica.

 

5. Existem 9 planetas no sistema solar

Essa é manjada para quem vem acompanhando as notícias nos últimos anos. Plutão não é mais planeta. Então temos 8. Mas você sabe por quê? Veja abaixo o tamanho de diversos corpos celestes do sistema solar:
Plutão é menor que nossa Lua, e várias outras luas do Sistema Solar. Também é menor que Eris um “planeta” que não é ensinado na escola. E Tritão, uma lua de Netuno que, acredita-se, um dia foi um planeta anão livre. Se Plutão fosse um planeta, então eles também teriam que ser, e teríamos 11 planetas no sistema solar.
Como os astrônomos acham que podem existir dezenas de objetos como eles ainda não descobertos no Cinturão de Kuiper (área do Sistema Solar para além da órbita de Netuno, que inclui Plutão), eles preferiram criar a categoria de “planetas anões” no lugar de ficar mudando toda a hora a contagem de planetas.
Não tem um tamanho certo pra ser anão. Basta não ser grande e ter gravidade o suficiente para “limpar sua órbita”, isto é, fazer com que todos os objetos em sua órbita se tornem satélites, caiam no próprio planeta, ou sejam desviados para longe. Nossa órbita, por exemplo, é limpinha: tudo que havia no caminho hoje forma a Terra e a Lua.

 

6. Um átomo tem essa aparência

É tão bonito e clássico que mesmo agências científicas continuam a usá-lo. Mas completamente furado. O átomo das ilustrações, tão icônica que é um símbolo da ciência, é baseado no modelo atômico de 1911 de Ernest Rutherford. Ele imaginou os elétrons como planetas orbitando uma estrela.
Mas muita coisa aconteceu depois disso. Dois anos depois, Niels Bohr desenhou a coisa como os elétrons orbitando em diferentes níveis energéticos, que ficou mais parecido com o sistema solar:
Esse modelo é ensinado e cobrado em vestibulares. Só que a carruagem andou. Em 1927, Werner Heisenberg (sim, o ídolo de Walter White) postulou o princípio da incerteza. Que diz que é impossível se saber a posição e movimento exatos de um elétron. Então um átomo, na verdade, é formado por uma nuvem de elétrons. Eles podem estar em qualquer lugar nessa nuvem e podemos saber apenas a probabilidade de estarem em um lugar ou outro. Assim:
O que, vamos convir, não tem graça nenhuma. Vamos abrir uma licença poética aqui e continuar a usar o átomo bonito de antigamente em bonés, tatuagens e camisetas. Porque amamos ciência, Sr. White!

 

7. As cinco classes dos vertebrados

Peixes, mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Parece moleza, não? Répteis têm escamas e vivem na terra; anfíbios não têm nada; mamíferos têm pelos; aves têm penas; peixes são os que respiram embaixo d’água, podendo ser ósseos ou cartilaginosos.
Você pode classificar os bichos pelas aparências. Foi o que o naturalista sueco Carl Linnaeus – nosso amigo Lineu – fez em 1735, após dar uma volta ao mundo observando os bichos, como Charles Darwin faria um século depois. Essa foi a primeira vez que mamíferos ganharam nome. Antes disso, eram simplesmente chamados de animais.
Mas fazer o que Lineu fez hoje em dia é meio que como dizer que um prédio é um tipo de caixa de sapatos porque ambos são retangulares. Desde Darwin, o que interessa não é como os bichos parecem, mas quais descendem dos mesmos ancestrais.
Lá atrás, há 3,7 bilhões de anos, no começo da vida, há um só ancestral para você, os cogumelos e as bactérias no iogurte. Bem mais recentemente, entre 5 a 9 milhões de anos, dependendo de a quem você perguntar, está o ancestral em comum entre você e o chimpanzé.
Então o que temos é uma árvore que vai se dividindo conforme uma espécie vai dando origem a outras, e assim por diante. Podemos dar nome ao que vem depois de um galho em particular, e isso faz sentido: todos os mamíferos descendem de um ancestral comum, por exemplo. Essa Lineu acertou.
A coisa complica com as aves. Se você olhar na árvore, vai ver que o galho delas descende dos dinossauros, que são répteis. Por si só, isso não seria um problema. Poderíamos muito bem fazer uma linha de corte aí e dizer que os dinossauros que sobreviveram são todos aves. O caso é que outras coisas que chamamos de répteis estão mais perto das aves que de outros répteis. Veja a encrenca:
Jacarés são parentes mais próximos das galinhas que eles são das tartarugas ou lagartos. Então, das duas, uma: ou aves são répteis, ou répteis não existem. Tartarugas, lagartos e cobras, e crocodilianos são cada um sua própria classe.
A solução mais moderna é extinguir as classes Aves e Reptilia e usar no lugar a Sauropsida, que inclui todos os répteis, incluindo dinossauros, e aves. Em bom português: esqueça os répteis. Cobras, jacarés e tartarugas são ramos diferentes do mesmo galho em que estão os urubus.
A verdade é que a velha classificação de Lineu é cada dia mais obsoleta. A árvore da vida é complicada demais para ela. Ao invés de falar em reinos, classes, ordens, famílias etc., os cientistas preferem hoje falar em clades, classificações mais flexíveis, sem hierarquia definida.

Publicado no site Super Interessante
Por Fábio Marton
1 ago 2017, 20h11 - Publicado em 2 dez 2015, 17h30

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Dia Internacional do Orgasmo


Sim!!! Ele existe e, como não poderia ser diferente, surgiu em decorrência de interesses comerciais e econômicos. Trata-se do dia 31 de julho.

Orgasmo: Estado de máxima excitação e prazer sexuais, seguido por um relaxamento das tensões sexuais e dos músculos corporais. Assim define o dicionário Larousse, de 2005.

Para comemorar mundialmente esse signo máximo do prazer, seja masculino ou feminino, o dia 31 de julho tem sido marcado para tal ocasião. Surgida em 1999 por diversas redes de sex shops britânicas, o objetivo da data era aquecer as vendas dos produtos eróticos e incentivar debates sobre prazer sexual feminino.

Isso mesmo, essa é a data do prazer sexual, instituída há seis anos na Inglaterra, depois que uma pesquisa encomendada por sex shops constatou que mais de 80% das mulheres britânicas nunca haviam chegado ao dito.

A data vem ganhando cada vez mais adeptos. Ao que parece, homens e mulheres querem comemorar o dia à altura. Aliás, se  ainda não sabias que orgasmo tem dia, agora já sabe. Resta é planejar a melhor forma de celebrar a data.

Uma data para se comemorar e não única
e exclusiva para se ter um orgasmo.

Para impulsionar não só as vendas, mas sexo de qualidade para as mulheres, tendo como premissa que essas demoram mais a atingir esse clímax, o dia, no Brasil também, tornou-se símbolo de prazer puro. Aqui no país tropical, uma pesquisa realizada pelo Projeto Sexualidade, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), revelou que 26% das brasileiras afirmam não atingir o orgasmo.  Essa pesquisa mostrou também, que um terço das mulheres nunca praticou a masturbação e que dois terços consideram o ato desconfortável.

Estatísticas à parte, existe uma parcela do mundo onde as mulheres são mutiladas nesse local de prazer máximo que vem na criação do corpo feminino. É o caso de países da África, Oriente Médio e sul da Ásia. É a mais vergonhosa das barbáries contra a fêmea humana.

Não!!! Este post não tem a pretensão de idolatrar apenas o prazer ou desprazer corporal. Mas sim de ver o corpo como uma forma de expressão, de uma ebulição de sensações que começam a ser projetadas internamente, desde quando a mente começa a trabalhar. A declaração explícita de um momento íntimo, gerado por dois corpos, em constante diálogo, ou ainda um texto solitário, projetado no imaginário humano.

Assim como as dores são demonstradas na carcaça física, o orgasmo também é uma forma de resposta para o instante onde ele deve estar enquadrado. Culturalmente, em algumas partes do globo terrestre, é uma forma de colocar em evidência a capacidade de gozo por uma situação prazerosa, mesmo que em alguns casos, o clímax seja teatralizado. Já em outras partes do mundo, apresenta-se culturalmente como uma forma de negar o poder feminino. Isso significa que, a inibição da libido gera um status social à mulher, onde é válida sua confissão.

Há várias formas de se atingir o orgasmo, inclusive aquelas que não advêm do contato sexual, como é o caso de indivíduos que gozam com uma conquista profissional ou pessoal. Mas certamente a sensação difere do prazer carnal.

O prazer máximo pode ser atingido de várias maneiras. No Brasil, esse dia tem sido comemorado com várias publicações na internet com dicas sobre posições, toques e incrementos do prazer como óleos comestíveis, pomadas e consolos. Mas, nada se compara ao prazer que pode ser gerado por dois corpos em sintonia, que se reconhecem e se amam.

Então, segue a dica para esse dia: Que seja coroada a cultura do prazer através do amor. Aí sim, viva o orgasmo sem limites, ontem, hoje, amanhã, semana que vem... Enfim!!! Sempre!!!

Nietzsche para estressados - 04

Amigos deveriam ser mestres
em adivinhar e calar:
não se deve querer saber tudo

     Como a verdadeira amizade se fundamenta na admiração e no respeito mútuos, as palavras de Nietzsche destacam a discrição como uma característica necessária entre amigos.
                             
  Grandes vínculos se quebraram pela insistência de uma das partes em fiscalizar a outra. No momento em que deixamos de ser companheiros para assumir um papel paternalista, algo se rompe na amizade. A naturalidade dá lugar à dominação e se estabelece um jogo de poder que não beneficia em nada a relação.

     No âmbito das confidências, é importante que cada indivíduo tenha a liberdade de decidir quanta intimidade quer compartir com os demais. Ultrapassar esse limite nos transforma em invasores e pode acabar causando desentendimentos.

   Um pensamento do escritor e filósofo Albert Camus, que curiosamente também é atribuído a Maimônides, reflete muito bem sobre o segredo da amizade:

Não caminhe na minha frente, porque talvez eu não possa segui-lo. Não caminhe atrás de mim, porque talvez eu não possa guiá-lo. Caminhe ao meu lado e seremos amigos.
  


Extraído do livro "Nietzsche para estressados" de Allan Percy.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

16 Doenças Mentais Que Confundimos Com Virtudes

 
O que diferencia um comportamento razoável de outro patológico é a intensidade, frequência e grau de prejuízo que causa para a própria pessoa e os outros. Nossa sociedade não é das mais saudáveis mentalmente, visto que psicopatas são CEO’s, estelionatários podem ser políticos e malandro é o bon vivant encostado em casa e sustentado pelos pais. Então o fato é que aquilo que é visto como virtude na real pode dar indícios de um fundo patológico que ninguém percebe.

Aquela pessoa ultra-alegre que sempre anima as festas pode ser afetada por algum transtorno de humor sem que você desconfie. A virtude é sempre um comportamento opcional, como alguém que poderia ficar fechado, mas prefere se relacionar com os outros, ou seja, tem liberdade real de fazer uma coisa ou outra. Agora, se a pessoa não tem a opção de se abrir e ter outro comportamento, então o fato de se fechar não é uma virtude, mas uma prisão psicológica. Essa lista não é definitiva nem deve ser tomada ao pé da letra, mas vista com certa leveza e bom humor, enxergando uma pista para aquele comportamento estranho do seu vizinho, parente, amigo ou parceiro amoroso. Em última instância você também pode estar na lista.

Nem todas as pessoas que têm essas características têm a psicopatologia, mas todas as pessoas com o distúrbio costumam ter esses pontos em comum, ou seja, um item isolado não faz o diagnóstico completo (normalmente mais de cinco em cada patologia). bipolar-2

Sexy – a sensualidade está longe de ser um problema, principalmente em contexto adequado ela é um afrodisíaco para conquistar alguém para intenções afetivas ou sexuais. Mas se ela é inadequada, invasiva, exagerada, dramática e acompanhada de uma necessidade desesperada de chamar atenção pode ser sinal de Transtorno de Personalidade Histriônico. Esse anseio por admiração e comportamento persistente e manipulativo pode apontar para sérios problemas de relacionamentos e impedir uma vida com estabilidade emocional e construção de histórias consistentes e significativas.

Dedicação pessoal excessiva ou devota – existem pessoas que vivem de maneira quase religiosa seus relacionamentos amorosos, endeusando seus parceiros como se fossem a única razão de viver. Elas costumam ter comportamentos parecidos com time de futebol, partido político ou religião, pois caem de cabeça e demonstram uma fé “inabalável”. Se essa entrega toda vier acompanhada de um sentimento de vazio intenso e oscilações de humor e comportamentos destrutivos, pode estar longe do seu eixo pessoal e ter indícios de um transtorno difícil de diagnosticar como o de Personalidade Borderline.

Obstinação – a pessoa que persegue os próprios objetivos pode chegar muito longe. O problema é quando, sem nenhuma perspectiva, ela segue como um trator insistindo teimosamente no resultado ao qual se apegou na imaginação. Pode ter uma personalidade obsessiva e não ser alguém que segue seus sonhos. Mesmo que quisesse desistir não conseguiria, mas não porque é virtuosa e sim por padecer do Transtorno de Personalidade Obsessivo.

Bonzinho – uma pessoa de bom coração sabe exatamente quando deve ou não ajudar a outra e sabe se posicionar sobre sua capacidade de beneficiar ou dar um basta. Já as boazinhas podem ter um comportamento submisso, passivo e dependente da aprovação de outras pessoas. Fazem o bem mais por medo, covardia ou falta de opção do que por virtude. Na verdade não sabem se posicionar e enfrentar as pessoas de frente. Ela pode ser portadora de Transtorno de Personalidade Dependente e nem saber que na verdade se submete por não ter capacidade de seguir suas próprias escolhas.

Organização pessoal – é lindo ver uma casa bem arrumada sem ter que ficar falando para as visitas “não repara na bagunça”. O problema é quando a pessoa é obcecada por deixar tudo limpo e não consegue sentar quieta e relaxar se algo está fora do lugar. Ser limpo e organizado é sinal de saúde, mas ser obcecado por isso pode ser doença.

Dieta incrível – sabe aquela pessoa que você tem inveja porque faz dieta à risca ou que malha desesperadamente para ter barriga negativa? Pois é, se essa pessoa consegue ter uma filosofia de vida, é natural, tranquilo e opcional, está tudo certo. O problema é se ela faz isso como resultado de uma sensação crescente de ansiedade caso não malhe ou esteja no peso, ou se ela tiver sempre a certeza de estar fora do peso (muito acima) e não consegue perceber que já está muito magra ou musculosa. Nesses casos, pode haver uma suspeita de um Transtorno Dismórfico Corporal, que altera a imagem corporal, faz a pessoa não notar com precisão qual a forma real e usar métodos cada vez mais drásticos para chegar ao ponto “ideal”.

Meiguice – uma pessoa querida, calada, que aceita tudo e não se opõe a nada pode ser só uma pessoa meiga e querida. Mas se ela nunca consegue se posicionar, enfrentar obstáculos e barrar abusos então talvez tenha algum problema de Fobia Social que a impede de lidar com acontecimentos da vida cotidiana sem ficar alarmada imaginando uma catástrofe.

Alegria intensa – ter na turma de amigos alguém que sabe se divertir e tem mil ideais é indispensável. Mas se esse amigo não consegue parar quieto, fala pelos cotovelos, é inconveniente, se acha a pessoa mais incrível do mundo e perde a noção do bom senso, pode ser que esteja num acesso de mania e precise de tratamento.

Autenticidade – tem gente que acha que é uma virtude falar tudo que vem na cabeça. Ledo engano. A incapacidade de filtrar os conteúdos mentais e falar qualquer coisa inconveniente na mesa do jantar pode ser sinal de verborreia um sintoma que está presente em várias doenças mentais.

Produtividade – é bem verdade que ser uma pessoa produtiva ganha destaque no mundo em que vivemos, mas o problema é se esse desempenho é resultado do excesso de necessidade de se antecipar, fazer tudo com perfeição tendo controle de cada tarefa e “fazendo tudo para ontem”. Um desempenho aparentemente formidável pode ter como pano de fundo a Ansiedade.

Perfeccionismo – quando alguém se gaba de que seu único defeito é ser perfeccionista acredite. O perfeccionismo pode tornar uma pessoa ranzinza, chata, metódica, procrastinadora e de presença pesada e cheia de impedimentos. Transtorno de Personalidade Obsessiva pode estar acometendo essa pessoa que na verdade não consegue caminhar com tranquilidade pela vida e está sempre pressionada por um ditador interno.

Pessoa cheia de opinião – ele pode até ser o líder da turma e tomar a dianteira de todas as conversas, digno de inveja, mas se ele não tiver um tempero de afetuosidade, capacidade de dar espaço para os outros brilharem e terem sua vez pode ser que você esteja na presença de um portador de Transtorno de Personalidade Narcisista. Certamente a presença dessa pessoa pode ser legal por alguns minutos, mas com o tempo você terá vontade de manda-la calar a boca de tanto autoelogio que ouvirá. Muitas pessoas com personalidade passiva costumam se associar aos narcisistas, mas certamente é o tipo de pessoa que acaba falando sozinha e dizendo que os outros “têm inveja dela, por isso se afastam”.

Diversão no bar – tem sempre um amigo que é o primeiro a chegar no bar e o último a sair e provavelmente aguenta todas as rodadas com todo mundo. Está presente em todas as reuniões e sempre entornando um copo na mão, se gabando de que não é fraquinho para bebida. Pode ser que ele esteja no grau mais alto de alcoolismo, que implica numa tolerância maior ao álcool e uma impossibilidade de se divertir sem o acessório etílico na mão. Se ele só sabe se divertir bebendo e está sempre forjando um encontro social para ter ocasião de beber isso já é uma pista.

Liderança assertiva e dura – é muito comum grandes chefões de empresas terem comportamento impiedoso, frio, preciso e até cruel. Há quem admire essa filosofia pitbull que esmaga quem se oponha aos seus interesses, mas a realidade é que isso pode ser sinal de Transtorno de Personalidade Antissocial, a antiga psicopatia.

Justiceira – ter senso de justiça e lutar para que os direitos sejam cumpridos é um dever de todo cidadão, mas o problema é quando isso vira justificativa para acessos de descontrole emocional, raiva e atitudes violentas. A raiva costuma ser resultado de pessoas perfeccionistas que se acham superiores aos outros e imaginam que sempre têm razão. Pode ser que esse comportamento seja resultado do Transtorno Explosivo Intermitente e mereça atenção especializada.

Visionárias – existem pessoas que parecem ter a cabeça na lua e viver com ideias extraordinárias que nunca saem do papel, mas que são sentidas como incríveis e à frente de seu tempo. Muitas vezes esse comportamento excêntrico que é visto com certo humor por pessoas queridas pode ser resultado de um quadro mais grave de Transtorno de Personalidade Esquizotípica que leva essas pessoas a se sentirem isoladas e esquisitas frente às demais.

ALERTA: o importante é ver nessas características indícios para buscar mais informações, sem que se faça um autodiagnóstico descuidado. Para isso, procure a associação de um especialista médico psiquiatra e de um psicólogo para suporte emocional.


Frederico Mattos 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A Palavra MERDA


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A palavra MERDA pode ser mesmo considerada um coringa da literatura nacional. Vamos a elas:

01) Como indicação geográfica 1:
- Onde é que fica essa MERDA???

02) Como indicação geográfica 2:
- Vá à MERDA!!!

03) Como substantivo qualificativo:
- Tu é um MERDA.

04) Como indicador de especialização profissional:
- Putz!!! Esse cara só faz MERDA!!!

05) Como questionamento dirigido:
- Ah fez MERDA, né???

06) Como indicador visual:
- Não se enxerga MERDA nenhuma.

07) Como especulação de conhecimento e surpresa:
- Mas que MERDA é essa???

08) Como indicador de admiração:
- Puta MEEERDAA!!!

09) Como auxiliar impositivo de aceleração:
- Vai rápido com essa MERDA!!!

10) Como indicador de desordem:
- Tá tudo uma MERDA!!!

11) Como classificação literária:
- Êta piadinha de MERDA!!!