quarta-feira, 31 de julho de 2013

Delícias do Inverno

Reclamamos que está frio a cada quinze minutos, falamos do tempo a cada quinze minutos.
Mas o inverno é uma maravilha para o amor e para preguiça.

O quero-quero de pantufas sabe disso.


Tem certas coisas deliciosas que só o frio traz:


– Dormir de conchinha, com os pés colados.

– Usar uma meia sobre a outra.
– Tomar chá, café e chocolate quente, tudo que tem fumaça.
– Escrever nos vidros embaçados.
– Cheirar os cabelos depois do banho.
– Pôr luvas que combinem com as botas.
– Vestir casacos pretos de mafioso.
– Beber vinho e ficar corado.
– Comer bobagens e não se sentir gordo.
– Buscar um lugarzinho na frente do fogão a lenha.
– Namorar no sofá com edredon velho cobrindo os joelhos.
– Acordar tarde no final de semana.
– Pedir para a mulher, por favor, levar o cachorro a passear

Crônica de F. Carpinejar publicado em seu Blog

AMAR DEMAIS É APENAS AMOR

Amar demais não é crime. Amar demais não é doença. Amar demais não é pecado.

Amar demais não é um atentado. Amar demais não é desespero. Amar demais não é carência. Amar demais não é um abuso.

Amar demais não é uma violência. Amar demais não é um desequilíbrio.

Amar demais é amar. É estar amando um pouco mais do que ontem e um pouco mais do que hoje e um pouco mais porque a memória se espalha na imaginação e o desejo não tem cura.

Não existe amor demais, existe amor de menos, existe desamor.

Não existe amor demais, existe amor necessário, amor essencial, amor crescendo.

Não existe amor demais, existe amor e ponto. Amor com sua lógica incoerente, seu pulmão de coração, sua febre ansiosa.

Amar demais é amar sofrendo como todos que amam. É amar inseguro como todos que amam. É amar desconhecendo as fronteiras como todos que caminham com a boca.

Amar não tem régua de abraço, não tem bafômetro de beijo. Não há como dizer que um ama mais do que o outro, ou que um ama pelo outro.

Os amores se misturam quando se ama. Os amores não param de se transferir. Os amores não cessam de recomeçar.

O amor é uma saudade que não se contenta em chegar. É — ao mesmo tempo — o medo de não ser mais ninguém e a alegria de ser tudo.

O amor não é um gesto isolado, impreciso, parado. É um gesto contínuo.

Amor é velocidade. Não conheço jeito de fotografar o amor, e definir: — Este é o seu tamanho!

Amor é desobediência. Não conheço jeito de estancar o amor, e declarar: — Este é o seu limite!

Amar demais é amar correndo com o batimento. É jurar que o mundo vai terminar se o amor terminar. É querer morrer de tanto viver. É nascer brigando e dormir beijando.

É amor, e deu, não inventaram modo mais calmo, versão reduzida, plano controlado.

Amor é uma paz ensandecida, uma guerra calma, uma curiosidade insaciável.

Amar demais não deveria assustar. É como impor cor ao crepúsculo, intimidar a mancha luminosa da lua, censurar um pássaro no alvorecer, trancar o rebanho de estrelas no estábulo de uma nuvem.

Amar demais é querer mais do mesmo amor, é se fartar e sempre faltar, é encontrar procurando, é achar se perdendo, é abençoar amaldiçoando.

Amar demais não tem uma imagem tranquilizadora, um objetivo, uma linha de chegada.

Amar demais não tem controle, pedágio, fiscalização. É realmente assustador. É realmente terrível.

Amar é demonstrar e não se contentar, é repetir e ainda ser inédito, é se arrepender já em pensamento.

Amar é escolher e não se acomodar, é cumprimentar uma vez e jamais se despedir.

Não há amor errado, mas amor aprendendo.

Não há amor demais. É amar como nunca antes. É amar transbordando vento e virando caminho.

Amar demais é amar. Será doação, entrega, não se controla o que foi oferecido, não se cobra de volta.

Se alguém diz que você ama demais, peça uma carta de recomendação.




Crônica de F. Carpinejar publicada no site Vida Breve

sábado, 20 de julho de 2013

17 coisas que geralmente ninguém te fala

1. Teu salário não determina o quão bom tu és como pessoa.

2. As coisas que são difíceis de serem ditas, geralmente são as mais importantes.

3. Tu ainda és fraco se só é bom em uma única coisa.

4. Encontre alguém com quem tu possas rir de praticamente tudo e o resto ficará bem.

5. Ninguém vai conceder teus desejos, é melhor que tu os faça acontecer.

6. Separe um tempo para ser preguiçoso, faz bem pra ti.

7. Devagar é o novo rápido…e incrível também.

8. Fato: grandes empresas vão sugar teu sangue e tua alma…tente evitá-las.

9. Pensar muito sobre um problema não vai, necessariamente, torná-lo mais fácil de resolver.

10. “Olá” é a palavra mais poderosa contra a solidão.

11. Tu não podes se livrar dos teus medos…mas pode aprender a viver com eles.

12. Culpa é um sentimento inútil.

13. Pessoas que sempre dizem a verdade sempre sem se importar o quão doloroso é, são idiotas. Ponto final..

14. Se desafie um pouco todos os dias.

15. Diversão é um conceito relativo.

16. Não tem problema mudar tua cabeça sobre pessoas e coisas na sua vida…apenas tente fazer sentido.

17. Sempre seja tu mesmo, a menos que tu sejas um canalha arrogante.


Créditos para http://www.snotm.com/

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A intenção desmerecida

Meu amigo preparou o almoço. Uma massa com pesto maravilhosa.

Quando sua esposa apareceu em casa, fui elogiar:

- Seu marido é um autêntico chef italiano. Cozinhou uma massa e tanto.

Adivinha o que ela respondeu?

- Assim é fácil, qualquer um faz, ele usou molho pronto.

Em vez de comemorar o capricho do marido, ela desdenhou. Ela subestimou. Ela colocou o sujeito para baixo. Ela diminuiu a importância do ato.

De repente, nem percebemos o quanto rebaixamos quem a gente ama.

Pelo pretexto da sinceridade. Pelo pretexto da espontaneidade.

É um desejo de desmascarar totalmente dispensável, é um desejo de ser mais verdadeiro do que a verdade totalmente desnecessário.

A pessoa se esforça em ser gentil e agradar e não respeitamos a tentativa, não reconhecemos a intenção.

Temos que avacalhar, mostrar que o outro não é perfeito, expor fraquezas publicamente, entregar os defeitos. Para quê?

Devia ser o contrário. Os casais deviam se proteger, deviam se cuidar, deviam se unir pelas virtudes.

Os casais deviam se incentivar, se elogiar, se respeitar.

Acordar e escolher algo bom a ser dito, algo bom a ser sublinhado. Não alimentar o rancor já no café da manhã.

O mundo do trabalho já é tão cheio de crítica, o mundo do trabalho já é tão perverso, não é justo maltratar nossa família.


F. Carpinejar


Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 16/07/2013
Porto Alegre (RS), Edição N° 17493

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Reminiscências (*) 13

ikenicotti disse...

Extreme! Mas legal tbém!
Paro de comentar???
Apago o que comentei???
Nunca te entenderei!!!

Eu gosto tanto de ti
Que até prefiro "esquecer"
Mas o faço pelo que vi
E chego até a tremer.

Não consigo crer que sejas tu
E teu total arrependimento
Mas saibas que estarás
Sempre no meu pensamento.


Deixo assim ficar
Pois mereces algum respeito
E vi que não tem mais jeito
Tu querer me amar...

Enfim!!!
Andar...
Não se queixar...
Azar...
Azar...
Azar!!!


Pra que continuar a sonhar???

Bj

19 de maio de 2013 19:36 

(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das idéias."