quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Leais, Loucas e Lisas


É impossível não amar as mulheres.
A complexidade apaixonada.
A objetividade sensual.
Uma fofura que arranha...
Musas choronas. Deusas mimadas.
Com a mãozinha na cintura, dando bronca calada ou fingindo que nunca dói.
Quem, se não elas, diz que está tudo bem engolindo o ódio?
Quem, se não elas, se desespera e chora por causa de um sapato?

São invertidas, são lisas, tão doces quanto mentirosas.
Leais e venenosas.
São cínicas, todas gordas e facilmente contornáveis com um enlace de um abraço.
São mudas quando querem gritar e gritam quando deveriam estar mudas.
É fofo o jeito como se enfeiam ao se arrumar e é muito lindo o jeito como se embelezam ao desnudar.

Conturbadas e falantes, plenas de uma insegurança crônica.
Parceiras sorrindo cúmplices pela primeira vez, ou gargalhando juntos dez anos depois.
Mas sempre loucas e sem nexo.
Absolutamente irrecusáveis.
Absurdamente contestáveis.
E, muito provavelmente, irreparáveis.

Crônica extraída do livro "Manual do mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)" da escritora Lia Bock

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Os Melhores Poemas de Vinícius de Moraes - 01 - Soneto de Fidelidade

Vinícius de Moraes

No gênero musical, Vinicius teve como principais parceiros um seletíssimo grupo, que incluía entre outros, Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.
Do encontro entre Vinicius e Jobim nasceu uma das mais fecundas parcerias da história da música mundial, marcada por clássicos como “Se Todos Fossem Iguais a Você”, “A Felicidade”, “Chega de Saudade”, “Eu Sei que Vou te Amar”, “Garota de Ipanema” e “Insensatez”.
Na literatura e no teatro Vinicius de Moraes deixou obras-primas, com destaque para a peça teatral “Orfeu da Conceição”, escrita em 1954, baseada no drama da mitologia grega Orfeu e Eurídice. A peça foi transformada no filme “Orfeu Negro”, em 1959, pelo diretor francês Marcel Camus, alcançando repercussão mundial e conquistando a Palma de Ouro no Festival Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Na literatura, foram mais de 10 livros, com destaque para “Forma e Exegese”, “Cinco Elegias” e “Poemas, Sonetos e Baladas”, também conhecido como “O Encontro do Cotidiano”, publicado em 1946, que traz o poema “Soneto de Fidelidade”, que posteriormente seria declamado junto com a música “Eu Sei que Vou Te Amar”.
Sobre o poeta Vinicius de Moraes escreveu Carlos Drummond de Andrade: “Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural. Eu queria ter sido Vinicius de Moraes”.
Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913, e morreu na madrugada de 9 de julho de 1980, aos 67 anos, devido a problemas decorrentes de uma isquemia cerebral.
Os poemas selecionados foram publicados nos livros “Cinco Elegias”, “Poemas, Sonetos e Baladas”, “Novos Poemas”, “Novos Poemas (II)” “Pátria Minha”, Livro de Sonetos” e “Antologia Poética”.

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Quatro Sentimentos x Dinheiro

4 SENTIMENTOS QUE PODEM ARRUINAR A FORMA COMO VOCÊ LIDA COM DINHEIRO E COMO CONTORNÁ-LOS


Ok, pode até não ser uma novidade para ti, mas de fato, a maneira como lidamos com o nosso dinheiro diariamente está diretamente ligado à forma como nos sentimos. Logo, entender e identificar qualquer alteração comportamental é fundamental para um gastar mais saudável, evitando-se assim, qualquer tipo de surpresas ao final do mês ou a longo prazo.
Conheça 4 das emoções ou sentimentos que mais comumente se refletem na forma de usar o dinheiro.

1. O medo: quando os traumas familiares te seguem

A maioria de nós teve a primeira experiência com relação ao dinheiro ainda em casa, seja através de jogos, pela mesada ou vendo nossos pais falando sobre o quanto deveriam economizar para viajar, reformar a casa, etc.
Todas essas atividades acabam por moldar nosso comportamento futuro com relação às nossas próprias finanças. Entretanto, se na tua família o dinheiro nunca foi um tema pacífico, com certeza isso se manifestará em ti de alguma forma.
Se no ambiente do lar sempre existiram discussões sérias sobre dinheiro, tornando-o um tema desagradável, isso pode afetar-lhe anos depois, quando situações parecidas àquelas que desencadeavam as discussões ocorrerem, causando desconforto.
Pessoas com traumas relacionados ao dinheiro tendem a ser péssimas administradoras de suas finanças, justamente por conta das lembranças ruins. O que se pode fazer é tentar identificar a situação-chave que desencadeia a repulsa, o medo ou o desconforto na hora de gastar ou poupar para planos futuros e encará-lo como parte do passado, algo que já não pode mais afetar a tua vida.

2. A depressão: usar o dinheiro como um curativo emocional

Dinheiro e comida são comumente utilizados como formas de compensação emocional. Enquanto algumas pessoas ganham peso quando estão se sentindo pra baixo, outras ficam bem mais pobres, gastando muito além do que realmente podem e se enchendo de dívidas.
O fato de comer algo gostoso ou comprar algo desnecessário pode dar uma levantada na auto-estima, mas SEMPRE é um efeito meramente passageiro – se tu achastes isso parecido com o uso de drogas, chegou bem perto.
A melhor solução seria identificar o motivo da aflição e superá-lo, mas isso nem sempre é fácil ou simples. Então, a segunda melhor opção é reconhecer o gatilho emocional, fazendo-se perguntas simples quando vier aquela vontade incontrolável de gastar: por que eu preciso comprar isso? É algo de extrema necessidade? Isso está ligado a como me sinto agora (às emoções)?
Ao tentar ser racional no momento de extrema passionalidade, tu tens grandes chances de reassumir o controle sobre suas finanças.

3. O ressentimento: deixar que as mágoas tomem o controle

Bem parecido com a primeira situação, só que com um efeito diferente. Tem como base o relacionamento familiar com o dinheiro, mas geralmente está ligado a um passado pobre, quando a constante falta de dinheiro era o estopim para as mais variadas situações desagradáveis no lar.
Esse sentimento de mágoa, de não ter o que se queria, pode levar futuramente a uma situação de gastos incontroláveis, uma vez que se tenta sempre ostentar uma situação financeira aparente melhor da que se tinha no passado.
Vale lembrar aqui que a verdadeira abundância vem do controle financeiro e que sempre é possível recuperá-lo por mais difícil que esteja a situação. O ressentimento é só um obstáculo que deve ser superado.

4. O amor: deixar que o dinheiro seja uma expressão do seu afeto

Quando estamos apaixonados por outra pessoa, é muito comum que a gente se sinta mais leve: mas isso não é efeito do amor, mas do dinheiro que saiu do seu bolso (risos)!!! Nós sempre achamos que quanto mais agradarmos a pessoa amada com presentes, saídas para lugares caros ou viagens, mais a pessoa saberá o quão apaixonados somos.
Tu nuncanuncaNUNCA deves deixar que o dinheiro dê as ordens no seu relacionamento – e desconfie se o seu/sua parceiro(a) fizer questão de presentinhos – pois quando tu deres conta, teus sentimentos foram substituídos por agrados e isso pode não ter volta.
Quem ama de verdade não quer ver o outro se destruir financeiramente, e a qualquer sinal de crise, uma boa conversa pode resolver… mas se não for o caso, é melhor que tu deixes aquela pessoa bem longe do teu bolso e do teu coração.
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Ter auto-controle e procurar a raiz do problema é essencial em qualquer das situações expostas aqui, mas se isso não for suficiente, não sinta vergonha em procurar ajuda profissional, afinal, tu não és o primeiro e nem serás o último a passar por apertos financeiros ou problemas emocionais.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Dez dicas para melhorar os homens - Xico Sá


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Uma coisa é plano, outra é desejo, vontade, potência de querer mudar as coisas. Como se fora uma carta de intenções atirada dentro de uma garrafa a Iemanjá, aqui entre o Pina e Brasília Teimosa, dez pedidos para mudar os modos de macho neste 2014 que ainda se arrasta lento e sartriano qual uma ressaca de bebida falsa:

1) Que mesmo em um ano de Copa do Mundo no Brasil – imagina na Copa! - os homens consigam dedicar tanto tempo de devoção às suas mulheres quanto aos seus times do peito. Pedido modesto: basta um empate técnico. Nem estou pedindo que sejam mais das fêmeas do que dos onze marmanjos que os representam em campo.

2) Que sejamos menos frouxos diante da possibilidade amorosa mais consistente. O primeiro a fugir à luta é mulher do padre.

3) Que os galinhas entendam que só na intimidade mora a grande sacanagem, a grande putaria, o grande erotismo, o mais pornográfico dos encontros.

4) Que a vida, muitas vezes, pode estar mais para Wando do que para Shakespeare. Que nunca devemos cair no conto das discussões complicadas e labirínticas. Como cantava o maior colecionador de calcinhas do mundo: “Uma mulher tem os seus desejos loucos, mas no fundo/ Seu coração só quer as coisas mais simples do mundo”.

5) Que numa mulher não se bate nem com uma flor, como já poetizava a Florbela Espanca. A não ser em uma fêmea declaradamente rodriguiana que te implore, de joelhos, na cama.

6) Que amar é… tentar adivinhar os desejos dela antes que sejam verbalizados em tom de enfado ou queixa. A mulher deixa rastros desses desejos nas entrelinhas da fala, nas pequenas indiretas e ao narrar histórias de outros casais. Se liga, lesado!

7) Que sem imperfeição não há tesão. A idealizada, padronizada e paranoica busca do corpo perfeito, como querem as revistas femininas, brocha ou broxa – os dicionários admitem as duas formas de murchar o orgulho macho. Obrigatório repetir um velho mantra a essa altura: homem que é homem não sabe a diferença entre estria e celulite.

8) Que o sujeito que tem medo do amor não merece sequer o adeus de uma daquelas mãozinhas de plástico que enfeitavam os carros antigamente.

9) Que saibamos que a rotina exagerada irrita as mulheres. Nós amamos quando o garçom do repetidíssimo boteco diz: “O de sempre, doutor?” Ou quando o mesmo garçom já traz a nossa bebida e tira-gosto sem sequer fazer a pergunta. Sem essa de frescuragem gastronômica exagerada, você sabe a roubalheira, o truque, o caô dessa armação brasileira. Tente, porém, camarada, surpreendê-la com programas diferentes, amar é investigar a vida para torná-la menos dolorosa de forma solitária ou a dois.

10) Que entre um homem e uma mulher não existe regra, dica, manual, código do bom-tom ou cartilha, mas há uma coisa imperdoável: o fastio, a falta da fome de viver, velho Bowie, a indiferença silenciosa sem nada nunca ser dito nem perguntado. Tudo, menos corações tomados pelo mofo da covardia de não mudar o estadão das coisas.

P.S. Reinicie tudo lendo ou relendo esse livro ai de cima que ilustra o post. É genial para uma vida, não só para o lindo desentendimento entre homens & mulheres.


Xico Sá é escritor, jornalista e colunista da Folha

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Reminiscências (*) 19

08.01.14 às 05:10h

(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão  direta das idéias."