terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Pequenas Delicadezas do Amor

 "Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós." (Manoel de Barros)

As coisas incomensuráveis habitam as pequenas delicadezas do amor. Estão nas miudezas e nos gestos cotidianos dos quais nem nos damos conta; nos pequenos desejos, na mão pousada sobre ombros descansados, nas pontas dos dedos que deslizam na nuca amada, na pipoca dividida, nos abraços despretensiosos, na pia do banheiro ou nos beijos dados na cozinha vestida de louças de um almoço qualquer.
Estes pequenos gestos e abraços engolem o sexo mais indomado e o presente mais caro. Não que o sexo e o presente mais lindo não sejam bem-vindos, mas as pequenas delicadezas têm um poder incrível de sobreviver ao tempo. Sacanagens são deliciosamente prazerosas, mas a certeza da conversa a qualquer tempo é ainda mais reveladora e prazerosa, é ela quem nos afasta da solidão das multidões, que nos transmite certezas, se é que estas existem, de que as coisas seguem por um caminho quase perfeito.
O riso solto e sem protocolos conseguidos com o aumento da intimidade, sem os quais a gente murcha um pouco, está nestas pequenas delicadezas. São estas miudezas do amor que nos engrandecem e muitas vezes a gente sequer se dá conta disto. O amor é cheio de vocações desconhecidas e conexões profundas e delicadas. Pequenas delicadezas são na verdade a mais profunda forma de amor e que nos é revelada, também, em pequenas coisas.
Há momentos na vida em que ficamos por um triz, temos vontade de chorar, gritar, bater; do mesmo modo temos vontade de dividir alegrias, belezas, conquistas, mas quando vamos desmoronar queremos conosco ou do outro lado da linha, aquele que dividiu com a gente as pequenas delicadezas; é nesta pessoa que pensamos, é neste colo que queremos descansar. É naquela conexão profunda e delicada que mora o sossego dos nossos anseios.
Às vezes esta pessoa só precisa dizer um “alô” para o mundo ficar reconhecível outra vez. É que as coisas incomensuráveis da vida moram nas lembranças, gestos e amores gentis.



Publicado em http://obviousmag.org 

domingo, 28 de dezembro de 2014

7 Hábitos das pessoas cronicamente infelizes

Eu costumo ensinar sobre a felicidade e, quanto mais aprendo sobre isso, muito mais claros se tornaram os hábitos de quem não é feliz.
Há sete características que pessoas infelizes apresentam cronicamente.
De acordo com Sonja Lyubomirsky , pesquisadora da Universidade da California: “40% da nossa capacidade de sermos felizes depende de nós mesmos.”
Se isso é verdade, e é, há esperança para todos nós. Há bilhões de pessoas no nosso planeta e sabemos claramente que alguns são verdadeiramente felizes. O resto de nós oscila entre felicidade e infelicidade, dependendo do dia.
Ao longo dos anos, eu aprendi que há certos traços e hábitos crônicos que pessoas infelizes parecem ter dominado. Mas antes de lhes mostrar, deixe-me lembrar: todos nós temos dias e até mesmo semanas ruins.
A diferença entre uma vida feliz e infeliz é quantas vezes e quanto tempo vamos ficar lá.
Aqui estão as sete características de pessoas cronicamente infelizes.

1. Sua crença padrão é que a vida é dura.

As pessoas felizes sabem que a vida pode ser dura e tendem a passar por momentos difíceis com uma atitude de enfrentamento e não de vitimização. Elas assumem a responsabilidade sobre seus atos e ficam focadas em resolver o problema o mais rápido possível.
A perseverança na direção da resolução de problemas é uma característica de uma pessoa feliz. As pessoas infelizes se vêem como vítimas da vida e ficam presas no “olha o que aconteceu comigo”, ao invés de encontrar um caminho para se livrar do problema.

2. Acreditam que a maioria das pessoas não é confiável.

Existe um discernimento saudável das relações que são boas das que são más para nós, mas a maioria das pessoas felizes tendem a confiar em seus companheiros. Elas acreditam no lado bom das pessoas ao invés de achar que são perseguidas por todo mundo que está lá  fora pronto para pegá-las. Geralmente são mais abertas e amigáveis com as pessoas que encontram. As pessoas felizes alimentam um sentimento de comunidade em torno de si e conhecem novas pessoas com o coração aberto.
As pessoas infelizes são desconfiadas e assumem previamente que estranhos não podem ser confiáveis. Infelizmente esse comportamento começa lentamente a fechar a porta a qualquer conexão fora de um círculo interior e frustra todas as chances de encontrar novos amigos.

3. Concentram-se no que está errado neste mundo ao invés de se focarem no que está certo.

Há muita coisa errada neste mundo, mas as pessoas infelizes fecham os olhos para o que está  realmente certo neste mundo e se concentram no que está errado. Você pode reconhecê-los a um quilômetro de distância, eles serão os únicos que se queixam e respondem a quaisquer atributos positivos de nosso mundo com “sim, mas”.
As pessoas felizes são conscientes das questões globais, mas equilibram a sua preocupação com o que é certo. Eu gosto de chamar isso de manter os dois olhos abertos. As pessoas infelizes tendem a fechar um olho em direção a algo de bom neste mundo de se distrair do que é errado. As pessoas felizes mantém a vida em perspectiva. Elas sabem que o nosso mundo tem problemas, mas elas também mantém um olho sobre o que é certo.

4. Comparam-se aos outros e são invejosas.

As pessoas infelizes acreditam que a sorte de outro alguém rouba a sua própria sorte. Elas acham que não há coisas boas suficiente para todos e constantemente comparam o que têm com o dos outros. Isto leva a inveja e ressentimento.
As pessoas felizes sabem que a sua boa sorte e circunstâncias de vida são apenas sinais de que elas também podem aspirar a alcançar. As pessoas felizes acreditam que elas carregam um modelo único que não pode ser duplicado ou roubado por qualquer pessoa no planeta. Elas acreditam em possibilidades ilimitadas e não se atolam pensando que a boa sorte de uma pessoa é algo limitado..

5. Esforçam-se para controlar tudo.

As pessoas felizes dão alguns passos por dia para atingir seus objetivos, mas percebem, no final, que há muito pouco controle sobre o que fazemos e que a vida joga a sua própria maneira.
As pessoas infelizes tendem a tentar controlar todos os resultados e desmoronam em uma exibição dramática quando algo não dá certo. As pessoas felizes podem ser tão focadas quanto, mas ainda têm a capacidade de seguir o fluxo e não se acabarem quando surgem os obstáculos.
A chave aqui é estar  focado e orientado para o gol mesmo sabendo que o jogo pode ter que mudar.

6. Consideram o futuro com preocupação e medo.

As pessoas infelizes enchem seus pensamentos sobre como TUDO poderia dar errado.
As pessoas felizes assumir uma saudável dose de ilusão e se permitem sonhar com o que elas gostariam de ter na vida.  As pessoas infelizes preenchem esse espaço da cabeça com constante preocupação e medo.
Pessoas felizes sentem medo e preocupação, mas fazem uma importante distinção entre sentir e viver. Quando o medo ou preocupação passa por suas cabeças, elas vão se perguntar se existe uma medida que pode ser tomada para evitar que o problema aconteça (há responsabilidade novamente). Se não, elas percebem que estão exagerando e deixam o assunto para lá.

7. Enchem suas conversas com fofocas e reclamações.

As pessoas infelizes gostam de viver no passado. O que aconteceu com elas e as dificuldades da vida são sempre a escolha da conversa. Quando elas pensam em coisas para dizer, elas preenchem sua conversa falando da vida dos outros e fazendo fofocas.
As pessoas felizes vivem no agora e sonham com o futuro. Você pode sentir a energia positiva delas. Elas são animadas com o que estão fazendo, gratas pelo que elas têm e sonham com as possibilidades da vida.
Obviamente nenhum de nós é perfeito. Todos nadaremos em águas negativas de vez em quando, mas o que importa é o tempo que ficamos lá. Ter hábitos positivos diariamente é o que diferencia as pessoas felizes das pessoas infelizes. Não é necessário fazer tudo perfeitamente.
Caminhe, caia, levante novamente, repita. É no levantar-se que reside toda a diferença.
Por Tamara Star, via: Life Hack
Traduzido e ADAPTADO por Josie Conti
Do original:7 Habits of Chronically Unhappy People

A mulher, a viagem e um país sonhado – por Carlos Walker

Posted by  × 24/06/2014 at 10:15

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ausência - Vinícius de Moraes


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


Vinicius de Moraes

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Não aprendi a dizer adeus

Nossa eterna incapacidade de aceitar que as despedidas fazem parte da vida.
Finalmente, dezembro vem chegando. Com ele, algum alívio, algum sossego e uma bela meia dúzia de alegrias. Mas com o fim do ano, para muitos, também chega alguma perspectiva de despedida.
Só ontem, nessa minha alegre e turbulenta vida de professora, foram duas turmas que me disseram seus adeus. Quase cem rostos, cem nomes, cem histórias, cem abraços marejando meus olhos.
Não tem jeito, não aprendi a dizer adeus.
E será que algum de nós aprendeu?
Seja por longo ou curto prazo, para longe ou para perto, para o bem ou para o mal, será que sabemos gerir e digerir despedidas?
Interessante o fato de que todos sabemos que a vida é permeada por caminhos que seguem direções opostas… E nem por isso conseguimos encarar separações como algo natural.
Eu não nasci com olhos claros. É uma realidade com a qual me conformei. Não me lamento a cada vez que me olho no espelho e vejo esses dois círculos escuros no meio do meu rosto. No Brasil não neva. E não nos chateamos a cada inverno por causa disso. Mulheres não fazem xixi em pé. E nem por isso fazemos um drama a cada vez que vamos ao banheiro.
E pessoas vão embora.
É uma realidade mais do que sabida. E aceitamos sem relutar? Sem barganhar, mendigar, suplicar? Não. Simplesmente não conseguimos admitir isso como uma verdade com a qual temos que conviver.
E nem sempre conseguimos materializar o porquê da tristeza na despedida. O porquê do nó que se instala em nossos peitos ao pensar no portão de embarque dos aeroportos ou nos veículos que, aos poucos, vamos perdendo de vista.
Às vezes é por prenúncio de saudade. Outras é por medo de perda. Outras por dependência. Apego. Posse. E muitas vezes é por mera consciência de que a vida é incerta, os caminhos independentes e o reencontro, uma mera hipótese.
Na verdade, quase sempre que não é um mero “até amanhã”, é ruim. Sobretudo com pessoas que, num dado momento, já foram o nosso “todo dia”. Pais, irmãos, amigos de escola, de faculdade, de trabalho.
Marisa Monte com seu “por isso não vá embora, por isso não me deixe nunca, nunca mais”; Bruno Mars com seu “don’t you say goodbye”; Piaf ou Jacques Brel com “ne me quitte pas”; Laura Pausini com seu “tu non lasciarmi mai”; Paralamas com seu “não me abandone jamais”. É uma angústia universal…
É um dos poucos momentos da vida em que adultos se permitem lapsos de irresignação e, sejamos sinceros, um certo egoísmo. Mas dentre tantas coisas lindas já escritas sobre despedidas por poetas e escritores célebres, na simplicidade das palavras que se tornaram célebres nas vozes de Leandro e Leonardo é possível encontrarmos a tão batalhada e necessária generosidade para lidar com as partidas.
“Não aprendi dizer adeus
Mas tenho que aceitar
Que amores vêm e vão
São aves de verão
Se tens que me deixar, que seja então feliz
Não aprendi dizer adeus
Mas deixo você ir
Sem lágrimas no olhar
Se o adeus me machucar
O inverno vai passar
E apaga a cicatriz.”
Não tem jeito. Vai ser um eterno aprendizado para todos nós. Uma eterna tentativa de entender e aceitar que os rumos da vida simplesmente não estão nas nossas mãos. Que nossos planos e vontades não têm o condão de controlar a vida daqueles que nos cercam. Por vezes, nem mesmo de controlar a nossa.
E que no fundo, talvez seja exatamente essa fluidez dos caminhos, os encontros, desencontros e reencontros que tornem a vida inevitavelmente dolorosa, mas tão encantadoramente imprevisível.
RUTH MANUS

Bunda ou Peito?



BUNDA OU PEITO? 

Você prefere bunda ou peito? 
Me perguntou assim um sujeito. 
A pergunta é bem profunda,
Respondi meio sem jeito 
Gosto da primeira e da segunda
mas por incrível que pareça, 
nem o peito e nem a bunda eu prefiro a cabeça!
Ele fez cara de desalento e me encarou por um momento 
Pra evitar mal entendido tratei de explicar meu argumento 
A bunda e o peito servem apenas de adorno 
É algo que fica somente no entorno 
E quem valoriza muito a CARNE é candidato a virar CORNO! 
Vê se não me confunda, eu disse assim ao sujeito 
Eu amo muito uma bunda, também não desfaço do peito
Mas uma mulher de respeito não ostenta a aparência 
Pois sabe bem que sua beleza se encontra em sua essência 
É esta mulher meus amigos que desvenda dilemas,
que inspira poemas e desperta o amor 
É esta mulher meus amigos que emana PODER sem PERDER o PUDOR
Pois ainda que ela envelheça, e o peito caia e a bunda desça, 
Ah se ela tem uma cabeça... nunca perde seu valor!


Esse poema foi inspirado em grandes mulheres e acho que muitos homens deveriam prestar atenção nessa mensagem.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Oito razões para você viajar o mundo por 1 ano ou mais

Quem nunca sonhou em viajar o mundo? mas quantas já realizaram este sonho?  Depois de ter vivido essa incrível experiência, o casal criador do Projeto ViraVolta, Carol Fernandes e Alexis Radoux, nem conseguem mais imaginar como seria a vida deles sem isso. Provavelmente você vai pensar o mesmo se você tentar.
Nossa vida está rodeada de paradigmas e sempre criamos desculpas que nos impedem de viver o sonho de viajar pelo mundo. Carol e Alexis listaram 8 ótimos argumentos para abrir os seus olhos. Se você nunca pensou nessa possibilidade, talvez você comece a pensar depois de ler isso.
Tobacco Key (Belize) - Foto: Alexis Radoux (ViraVolta)
1- PORQUE A VIDA É UMA SÓ E VIAJAR O MUNDO É MUITO EXCITANTE: todos nós queremos chegar na nossa velhice, olhar pra trás e pensar: a minha vida foi demais! Queremos uma vida excitante e com histórias para contar. A vida é uma só e se arrepender no final dela por não ter tentado é o pior que pode acontecer. Se você sempre sonhou em viajar o mundo não espere mais.
2- PORQUE VIAJAR O MUNDO PODE SER MAIS BARATO DO QUE FICAR EM CASA PAGANDO CONTAS: é isso mesmo! Ao contrário do que todos pensam não é preciso ser milionário para viajar o mundo. Em países baratos o custo médio de um viajante de longo prazo gira em torno de 700 dólares por mês. Agora faça as suas contas, você acha que consegue viver com menos que isso pagando as contas em casa?
3- PORQUE VOCÊ TEM SIM TEMPO PARA VIVER ESSA EXPERIÊNCIA: a expectativa média de vida em países desenvolvidos varia de 70 a 80 anos de vida. Agora pense, o que são 1, 2 ou 3 anos da sua vida vivendo uma aventura incrível? Talvez 3% da sua vida! Ou seja, quase nada! O que você está esperando?
4- PORQUE O MEDO JAMAIS DEVE IMPEDIR VOCÊ DE VIVER SEUS SONHOS: o medo é o que mais segura as pessoas para viver o que realmente querem na vida e quando se trata de largar tudo para viajar o mundo o medo é o maior inimigo. Eu também tive medos, mas posso garantir que depois de viver essa aventura você vai entender que o medo não faz o menor sentido. Tudo é muito mais fácil do que a gente imagina.
Sa Pa (Vietnã) - Foto: Alexis Radoux (ViraVolta)
5- PORQUE VOCÊ VAI TER A CHANCE DE APRENDER MAIS QUE EM UMA VIDA INTEIRA: sair da sua bolha para experimentar o mundo vai fazer você viver experiências incríveis e ver a vida de uma forma completamente diferente. Viajar por longo prazo é como viver 10 vidas em uma. Faz você refletir, repensar, reaprender e descobrir coisas que você nunca teria a chance em uma vida parado no mesmo lugar. Quais outras experiências na vida vão te oferecer essa oportunidade única?
6- PORQUE NUNCA É TARDE PARA VIVER UM SONHO: não existe idade certa para viver seus sonhos e nunca é tarde para fazer acontecer. Se você já passou dos 30, 40, 50 e acha que é muito tarde para viajar o mundo você está completamente enganado. Essa experiência pode ser incrível em qualquer momento da vida.
7- PORQUE SIMPLESMENTE É UMA DAS MELHORES COISAS A SE FAZER NA VIDA: imagina você sair do seu cubículo do trabalho onde você passa 10 horas por dia para desfrutar as melhores praias, conhecer os lugares mais incríveis, interagir com as diferentes culturas, experimentar culinárias excêntricas, conhecer pessoas inesquecíveis, passar meses sem despertador, não saber mais qual é o dia da semana, poder decidir onde você quer estar na hora que você quiser… Se sentir completamente livre como você nunca se sentiu antes! Precisa dizer mais o porquê essa vai ser uma das melhores coisas a se fazer na sua vida?
8- PORQUE VOLTAR DESSA EXPERIÊNCIA PODE SER MUITO MELHOR DO QUE VOCÊ IMAGINA: muitas pessoas deixam de viver esse sonho com medo da incerteza da volta. Fique tranquilo, você provavelmente vai voltar se sentindo uma pessoa melhor e mais consciente do que você quer. A sua carreira não será destruída. Depois de meses entrevistando viajantes de longo prazo, todos que voltaram para o mercado de trabalho se dizem profissionais melhores e mais auto confiantes. E quase todos voltaram em posições melhores em suas carreiras. E para quem decidiu mudar de ramo completamente, se sentem extremamente felizes. Viva o momento e não se preocupe com a volta, um novo mundo de oportunidades estará aguardando por você.
O mais difícil é decidir. Depois que você colocar na sua cabeça “vou fazer”, tudo fica mais fácil.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Vida



Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso.
Já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger.
Já dei risada quando não podia.
Já fiz amigos eternos.
Já amei e fui amado, mas também já fui rejeitado.
Já fui amado e não soube amar.
Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, mas “quebrei a cara” muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos.
Já liguei só pra escutar uma voz.
Já me apaixonei por um sorriso.
Já pensei que fosse morrer de tanta saudade e…
… tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!
Mas sobrevivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida… e você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve!
A vida é muito para ser insignificante!


By Augusto Branco (texto atribuído erroneamente a Charles Chaplin).

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Reminiscências (*) 23



Quando caminha o faz saltitante
Faz uso de um olhar penetrante
Seu latido soa mais que um berrante
Mas nunca perde a pose: sabe ser elegante!!!

Melissa é pura ternura
Parceira não tem igual
Mesmo em momento de agrura
Contém seu lado animal.

Adora um suculento ossinho
Não nega o que lhe dá prazer
Passear numa pracinha
É uma de suas razões de ser

Essa mocinha marota
É obediente e ao mesmo tempo atrevida
Às vezes se fazendo de louca
Mas sempre curtindo a vida.

“Passear” é um momento mágico
Associado ao xixizinho e cocozinho
Quanto a isso nada há de trágico
Pois respeita o lugar direitinho.

Adora se passar por surda
Quando algo não lhe convém
Mas também sabe ser boa ouvinte
Quando conversamos com o além.
Ike Nicotti
29.10.14 às 01:05h

(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das ideias”.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Adriana Calcanhotto - Me dê Motivo

OTM - Além, Porém Aqui - #RecombinandoAtos



Além, Porém Aqui

O Teatro Mágico


Mudaram o modo de temer
De ceder e saturar!
Da descabida dor (desregrada euforia)...
Discordar!

Anuncia teu dissabor!
Renuncia ao paladar!
Dissecando a flor
Dissertando que ''o viver é não pensar!''

Aturando o tom
De vil alegoria
Maturando o bom!
Se acontecendo!

Acorda coragem em si!
Acolhe a verdade
Acode a saudade e se alcança...
Além!

Mudaram o modo de querer
De perder e perdoar!
Do descabido ardor (desregrada alegria)... se infestar!

Anuncia teu dissabor!
Renuncia ao paladar!
Dissecando a flor
Dissertando ''o que viver é não pensar!''

Aturando o tom
De vil alegoria
Maturando o bom!
Se acontecendo!

Acorda coragem em si!
Acolhe a verdade
Acode a saudade e se alcança...
Além!

Semear o amor!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Deus Me Fez Assim

"Nunca se deve odiar 
Nem desejar mal a ninguém 
Seria bom a gente ver 
Todos vivendo muito bem 
Juro por tudo que é sagrado 
Jamais pensei em me vingar 
O que eu mais aprendi no mundo
Foi viver, sofrer e perdoar
Não é você que vai fazer
Mudar a minha opinião
Posso chorar que ninguém vai
Modificar meu coração
Já perdoei até você
Que desejou meu fim
Que bom que Deus me fez assim."

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Padrinho do Divórcio - F.Carpinejar


Arte de Eduardo Nasi

O terapeuta guarda sigilo, e apenas ele pelo jeito.

Virou mania nas discussões de relacionamento empregar o terapeuta como argumento. Ele é sequestrado, citado, profanado dia a dia.

Ao brigar com sua mulher, estará debatendo com ela mais seu terapeuta. São sempre dois contra um. É um ménage psicológico.

Qualquer problema do casal e já se joga a opinião do terapeuta. É um recorte e cole infinito de máximas do consultório ao longo dos desentendimentos de casa.

Dos naipes da disputa, ele surge como um Curinga do convencimento, um fiador das decisões. Quando se perde o domínio, é chamado espiritualmente para reverter o quadro e socorrer sua crença.

Ele é o novo Messias da consciência, só que seus consultados não respeitam o segundo mandamento e tomam seu santo nome em vão.

“Não é o que pensa o meu terapeuta!” é uma das ameaças mais freqüentes nas DRs.

Ou seja, pode discordar de sua esposa, mas não do terapeuta dela. É o voto de Minerva no permanente desempate que é a vida a dois.

Em briga de casal, não se mete a colher, mas se mete a todo instante o psicanalista. O que é um último  recurso para trazer credibilidade para a ofensa.

— Ele diz que eu tenho razão.

— Ele concorda comigo.

Mais honesto fazer terapia de casal, pois você já vem sendo atendido indiretamente, sem nenhuma possibilidade de contraponto e defesa do seu contexto.

— O terapeuta não entende por que não me separo. Eu é que insisto.

Por afirmações como esta, que é criada rejeição à toa das consultas.

Você pretende se salvar denunciando o terapeuta.  Depois não ache estranho quando sua companhia ficar com raiva do divã e se opor à análise. Você acaba de entregar ao marido que ele está contra seu casamento.

Não cuide do que fala ao terapeuta, e sim cuide do que fala sobre o terapeuta.

Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira
23/7/2014

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Do Mundo de Drummond

 Perder, Ganhar, Viver
Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmuIas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas…
Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.
Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.
Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.
E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Separações Líquidas


Casar virou namorar, namorar virou ficar, ficar virou provar.
Acredito que todo mundo casa fácil porque é também muito fácil se separar.
Nos anos 70, o casamento era medido por décadas. Mesmo quando um casamento fracassava, durava no mínimo duas décadas.
Nos anos 80, o casamento era medido por anos. Mesmo quando um casamento desmoronava, durava no mínimo cinco anos.
O casamento hoje é por dia. Como se fosse hotel.
Agora, o matrimônio cobra diária. Todo dia é dia de se separar. E por qualquer coisa.
Las Vegas do divórcio é aqui.
Você pode sair de manhã, eufórico e confiante, extremamente disposto, seguro do romance, e quando voltar à noite não encontrar mais ninguém ao seu lado.
Se cometeu uma falha, nem terá oportunidade de se explicar. Se não errou, nem terá chance de entender e desfazer confusões.
É tão simples se divorciar que ninguém mais pretende se estressar. Não há nem o civilizado e educado aviso de despejo. É dar as costas, largar o passado e seguir adiante. Quebrou o amor, troca! Quebrou o amor, compra outro! Quebrou o amor, não vale investir consertando!
Os casais não brigam mais até cansar para, então, se separar. Não brigam mais até esgotar as possibilidades para, então, se separar. Não tentam durante semanas e semanas expor as dores, as feridas e a raiva para, então, se separar. Não recorrem ao choro, à histeria, ao perdão, ao abraço, ao exorcismo, aos centros religiosos, aos amigos, aos parentes para, então, se separar.
A separação vem antes. A separação é a regra. A separação é o hábito. A separação é seca, definitiva, sem explicações.
As pessoas se separam primeiro para depois discutir. As pessoas se separam primeiro para depois conversar. As pessoas se separam primeiro para depois desabafar o que incomoda.
Elas arrumam todas as malas, esvaziam os armários, realizam a limpa no apartamento e depois, se houver vontade, se encontram e sentam frente a frente para resolver as diferenças.
São uniões interrompidas com silenciadores, distante de estampidos e gritos.
Ninguém se separa de fato, todo mundo deserta, todo mundo abandona a convivência.
É uma irresponsabilidade extraordinária com o outro, é uma indiferença tremenda ao que foi construído com o outro, é um desprezo ao que foi sonhado a dois.
E os motivos podem ser os mais loucos e insignificantes. O desenlace não ocorre mais por justificativas duras como adultério e deslealdade.
Há gente que se separa por incompatibilidade de gênios (expressão que denuncia megalomania, o correto seria incompatibilidade de burros).
Há gente que se separa porque não suporta o medo de ser traído.
Há gente que se separa porque estava muito feliz e não aguentava tamanha pressão.
Há gente que se separa porque se viu entregue ao relacionamento e estava perdendo a identidade.
Há gente que se separa porque não sabia mais o que estava fazendo da vida.
Há gente que se separa porque não esperava que fosse assim.
Atualmente entra-se numa relação e não se fecha a porta – a porta permanece encostada o tempo inteiro.


Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.6
Porto Alegre (RS), 29/6/2014 Edição N° 17844