sábado, 6 de abril de 2013

Iansã e Xangô; Paixão

ORIXÁS, UMBANDA E CANDOMBLÉ: Iansã e Xangô; PaixãoPode haver relacionamentos amorosos entre os filhos dos Orixás em suas diversas combinações. Mas se existe uma possibilidade de encontro ideal, essa possibilidade encontra campo para sua manifestação na combinação dos filhos de Yansã e Xangô. É a relação mais completa e apaixonada no âmbito homem/mulher.




Iansã é incapaz de trair Xangô ou de deixá-lo, mesmo nas situações mais adversas; aliás Iansã é incapaz de trair covardemente qualquer um.

De todas as esposas de Xangô é a única que não se faz de vítima, nem usa de subterfúgios e chantagens emocionais, pois se ele não a quiser, com certeza encontrará outro Xangô que a queira e muito.

Ambos são tão parecidos, que um adivinha o que o outro está a pensar ou planejar. A ligação psíquica que ocorre entre os filhos de Iansã e Xangô é algo, por vezes assustador. As afinidades, interesses e modo de ver e entender a vida é muito presente nessa união.

Iansã e Xangô é o amor apaixonado, sexual e ao mesmo tempo companheiro, solidário.. Podem ser casados ou amantes, um jamais esquecerá o outro. Quando um dos dois se interessa por uma terceira pessoa ou novidade (algo comum de ocorrer com os dois, pois ambos são conquistadores e sedutores por natureza) o que está sendo ou pode vir a ser traído, não se volta contra o outro e sim aniquila, se possível extermina o terceiro elemento.

Acabam sempre por voltar um para o outro, pois simplesmente não conseguem viver plenamente se não estiverem juntos, seja da maneira que encontrarem para viver sua paixão. Mesmo que briguem violentamente e venham a se odiar, pois tudo é intenso nos dois,  com o tempo perdoam-se mutuamente, pois têm necessidade vital um do outro.

Outro aspecto interessante é que Iansã não aceita ordens de ninguém, nem de Xangô, mas no íntimo acaba fazendo o que o amado quer. E Xangô, implacável com os que o contrariam ou traem, acaba por perdoar tudo o que Oyá faz. Tem um ditado que diz que os orixás Iansã e Xangô foram criados juntos e um dia deixarão de existir juntos. Um não tem finalidade sem o outro. Afinal o vento antecede a tempestade.

Iansã tem a capacidade de trazer alegria e renovação, dando um novo rumo para a vida de Xangô.
Xangô tem a capacidade de dar estabilidade e cuidar da impulsiva Oyá.


O nome "Yansã" foi dado por Xangô.

O nome Yansã refere-se ao entardecer e significa a mãe do céu rosado ou a mãe do entardecer e não quer dizer a mãe dos nove. Xangô dizia que ela era radiante como o entardecer ou como o céu rosado e é por isso que o rosa (e o rosa alaranjado) é sua cor por excelência.

Outra prova de amor de Xangô à sua amada Iansã era a de que quando fosse punir seus inimigos com seus trovões, aquele que lembrasse e pronunciasse o nome da amada, teria a sua vida poupada.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Circular de Condomínio - Uma Aula de Como Ser Síndico


CONDOMÍNIO EDIFÍCIO PARQUE CARLOS GOMES

Circular 01/89
POR FAVOR: ANTES DE JOGAR AO LIXO, LEIA!!!

                            Senhores condôminos e moradores:

                  A presente circular, a qual espera seja lida antes de ser jogada ao lixo, serve para levar ao conhecimento de todos a real situação do Condomínio quanto à disciplina e, principalmente, a conservação dos prédios e áreas comuns.

                  Por exemplo: há um jovem ou uma jovem que utiliza-se dos elevadores do Edifício Peri que, invariável e diariamente, dá uma robusta e bem nutrida escarrada na porta interna dos elevadores. E fica aquele manancial de saliva e catarro escorrendo pela porta! Pode ser desagradável ler esta descrição, mas imaginem então, quão insuportável é viajar no elevador com aquele imenso catarro nos espreitando! E diz-se que é um jovem, pois os adultos, pelo menos os conhecidos, ainda não demonstraram índices de debilidade mental suficiente para serem enquadrados como escarradores!

                  Sabe-se, contudo, que é um jovem de mais ou menos 1,80 m de altura, dada a localização da cuspida na parte superior das portas. Seus familiares, no entanto, devem saber de quem se trata, pois é certo que a cozinha, sala e banheiros de sua residência devem estar permanentemente sujos e cuspidos.

                  Por outro lado, dá-se enfoque e realce às seguintes infrações, pinçadas de um elenco fantástico de outras que aqui seriam impossíveis de relatar:

         * às 00,20 horas do dia 11.03.1989, os estimados e futurosos jovens Vladimir e Luciano (206), dois jovens do 801, o Luciano (301), Marcelo (1408), Guilherme (1101), “Braguinha” (203), Moacir (408), Sandro (201) e Gabriel (907), além de promoverem grossa algazarra nos corredores, resolveram apagar as luzes da parte térrea e salas de estar. Antes, porém, barraram os corredores com bancos na parte térrea alcançados pelo Vladimir (206) para o “grandalhão” do 801 (exatamente assim narrado no registro de ocorrência feito pela guarda). Posteriormente, reuniram-se na parte traseira do Edifício Guarany onde promoveram novas algazarras, o que levou vários condôminos a solicitar providências à Portaria.

         * às 23,10 horas do dia 07.03.1989, um bando composto pelo Vladimir e Luciano (206), os três (?) jovens do 801, e mais o Marcos (1404), Guilherme (1101), Gabriel (907), Vinícius (605) e Moacir (408), colocaram um rojão ou qualquer outro artefato explosivo dentro de uma cigarreira no corredor que liga a garage subterrânea ao Edifício Peri. O estouro foi fantástico e, pelas reclamações recebidas por telefone pelo Síndico e pelo interfone, na Portaria, cerca de 50 criancinhas de menos de 3 anos de idade devem ter acordado simultaneamente. Houve condôminos que suspeitaram da explosão dos depósitos de gás. A cigarreira foi encontrada morta no andar térreo mas nenhum dos rapazes, ao que se saiba, sofreu qualquer arranhão ou queimadura!

                   Embora a hipótese em exame possa caracterizar, segundo alguns, a formação de quadrilha, na realidade não foi apurado qual o responsável ou responsáveis pelo atentado terrosrista, nada foi possível apurar entre os supracitados, pois, a exemplo do que ocorre no Presídio Central, em Charqueadas ou na “Tio Patinhas”, imperou a “lei do silêncio” e ninguém viu ou, pasmem, ouviu algo!

         * às 02,00 horas do dia 28.02.1989, o Márcio e o Vladimir resolveram apagar as luzes das salas de estar e adjacências do Edifício Peri, pois, ao que parece, preferiam conversar às escuras em local que sabidamente, é vedado para reuniões!

         * crianças não identificadas arrancaram as torneiras das pias da churrasqueira. Espera-se, fervorosamente, que não carreguem o “freezer”, bancos, mesas, etc.

         * foi encontrada uma calcinha, marca HOPE, cor amarela, em bom estado de conservação, tamanho 40 ao que parece, na casa de força do Edifício Peri. A porta foi arrombada e é de ferro, sendo tal ato praticado provavelmente por um homem, e forte! Outra calcinha, da mesma marca, tamanho e estado de conservação, mas de cor rosa, foi encontrada junto à mesa de massagens da sauna, cuja mesa é forrada e confortável. Os locais são realmente insólitos para o esquecimento de calcinhas, mas no caso da calcinha esquecida na casa de força do Edifício Peri, alerta-se à proprietária que deve cuidar-se para não encostar-se por descuido e inadvertidamente, num campo de força ou fio desencapado, pois poderá ser lançada ao espaço, ainda que não tenha vocação para astronauta. Diga-se, en passant, que a janela da sauna, que é de ferro, também foi quebrada, o que pressupõe uma jovem muito forte ou a presença de um rapaz para o arrombamento!

         * além das gritarias noturnas habituais (que, via de regra, obriga o Síndico a sair da cama e descer para inteirar-se do que provoca tanto histerismo, geralmente entre as 23 horas de um dia às 3 horas do dia seguinte), estamos agora às voltas com os “skates” que, desprezado o barulho produzido pelas rodas, têm o condão de quebrar as lajotas dos corredores. Estima-se que cerca de 500 lajotas deverão ser substituídas, mas certamente as 104 economias deste condomínio pagarão sorrindo as despesas extras que será devidamente rateada. O mesmo se diga com relação às torneiras, lâmpadas, etc.

                   Nota-se, portanto, por este singelo e resumidíssimo relato, que muitos pais neste condomínio estão se omitindo no cuidado devido aos filhos e, consequentemente, no respeito devido aos vizinhos. Pouco importa ao Síndico que esta ausência de cuidados possa refletir-se negativamente no futuro dos mesmos, pois já criou seus próprios filhos (neste prédio) e nada tem a ver com a vida dos outros. Mas do desleixo dos pais e da indisciplina e vandalismo dos filhos brotam, como diria o Presidente Geisel, a lenta, gradual e segura deterioração dos prédios e áreas comuns, verbi gratia: os móveis das salas de estar, recém reformados, já estão danificados; lâmpadas e suportes são arrancados e jogados fora, etc. etc. etc.

                   Mais detalhes serão fornecidos na próxima Circular onde também serão devidamente identificadas as jovens que estão fazendo parte da nossa “turminha da noite”.

                   Por derradeiro, apenas um lembrete bem apropriado. Perguntem ao ilustre condômino Dr. Boschi, expert na matéria, quais foram ou teriam sido os primeiros passos da tristemente célebre “Gang” da Praça da Matriz!

                                                                  A Administração.


Texto de autoria de Cláudio Armando da Silva Nicotti