Eleita
a melhor música do século XX, esta canção sempre esteve envolvida
em mistérios quanto ao seu significado. O que os autores da mesma
efetivamente quiseram dizer na mesma.
A
música “Hotel Califórnia” faz parte do quinto álbum da banda
de rock Eagles, lancado em 1976, este álbum teve aproximadamente 16
milhões de cópias vendidas e
foi
considerado por críticos o “melhor álbum de todos os tempos”. A
música conta a história de um cansado viajante que acaba ficando
preso em um hotel de luxo, que inicialmente parece o lugar dos
sonhos, posteriormente vira pesadelo.
A
letra da música porém foi considerada obscura, muitos “viam o
diabo na letra”, diversas teorias surgiram sobre o real sentido da
letra, conheça as que ganharam mais
adeptos.
–
Alguns
acreditam que o “Hotel Califórnia”, de que trata a música, se
referia na verdade a um hospital de psiquiatria situado entre Los
Angeles e Santa Bárbara chamado “Camarillo State Hospital”, que
funcionou entre os anos de 1963 a 1997. O hospital era o destino de
muitos artistas que sofriam de problemas mentais, tuberculose ou, em
muitos casos, para desintoxicação por álcool ou drogas. Em um dos
edifícios deste hospital há uma torre com o sino das missões,
construído em 1930, o que deu muito crédito a esta teoria, já que
a música cita a frase “eu
ouvi o sino da missão”.
–
Mas
a
teoria que acabou gerando mais polêmica foi a de que a letra da
música não passava de uma metáfora para o inferno, seria uma
“adoração ao diabo”.
Os
pontos que mais reforçaram esta teoria foram: os trechos da música
“tentar
matar a besta”
e “nós
não temos este espírito aqui desde 1969”.
A
capa do álbum também mostrava algumas pessoas na varanda de uma
pousada na Espanha, porém sobre elas havia uma “figura sombria”,
que diversas pessoas acabaram associando ao fundador da igreja de
Satã (1966), Anton LaVey. A música teria sido feita para homenagear
o local onde Lavey teria escrito a “Bíblia Satânica”. Por
coincidência, ou não, a música também cita o ano de 1969, mesmo
ano em que a “bíblia” foi publicada.
Levantou-se
a hipótese dos integrantes do grupo Eagles estarem “envolvidos com
ocultismo”, sendo “discípulos” de LaVey. Além disso, alguns
identficaram a imagem de um fantasma na capa do álbum, acreditando
que seria um homem a quem LaVey teria assassinado durante um ritual.
–
O
real sentido da letra também foi associado à toxicodependência,
acreditando que “Hotel Califórnia” seria na verdade um “código
para cocaína”, descrevendo o efeito da droga. Esta teoria teve
como base a frase “Logo
à frente, eu vi uma luz trêmula… Minha cabeça pesou e minha
vista embaçou”,
representando a “viagem” do indivíduo sob o efeito da droga.
Afirmam também que
as iniciais do nome da música “H” e “C” significaria “High
Cocaína”, “uma droga que depois que você experimenta não
consegue mais largar”.
Um
dos autores da letra, Don Henley, em declaração desmentiu estas
teorias, dizendo que “a
canção é uma alegoria sobre o hedonismo e relata o lado sombrio do
sonho americano e sobre os excessos na América, principalmente no
mundo da música”.
Segundo ele, o álbum faz uma alusão a “corrupção
das estrelas do rock pela decadente indústria fonográfica de Los
Angeles”
e a música “Hotel Califórnia” descreveria “uma
prisão dourada onde o artista entra livremente e depois descobre que
não pode mais sair”.
Vale
ressaltar que o hotel da capa do álbum chama-se Beverly Hills Hotel,
também conhecido como Pink Palace e a “suposta figura sombria”
é uma modelo que foi contratada na época.
Entretanto,
as teorias anteriores antes citadas foram abandonadas após as
declarações feitas pelos autores da canção. Na realidade, a
música refere-se aos
excessos e tentações ao alcance de uma banda de rock experimentando
o sucesso, como o EAGLES da primeira metade dos anos 70. A
fundamentação para essa linha de pensamento vem especialmente das
entrevistas dos membros da banda desde 1976.
O
conteúdo da música provavelmente seja uma autobiografia do estilo
de vida deles. Basicamente a letra trata de materialismo e excesso.
Dentro dessa visão, o "Hotel
California" não seria um lugar, mas o universo de armadilhas e
perdições para o fictício viajante, personagem principal da
música. Uma vez dentro desse universo, a letra evidencia a
dificuldade do "hóspede" para ir embora.
"Você
pode pedir a conta quando quiser, mas jamais poderá sair...",
salienta o último verso.
Ao
longo de toda a canção está clara a inquietação deles sobre o
preço a pagar pela facilidade de alcançar algumas coisas. Fica
evidente o conflito entre o aspecto convidativo das tentações e o
caminho sem volta ao qual elas acabam direcionando. A letra fala em
banquetes, mulheres, flores, fartura, mas tudo isso andando junto ao
questionamento do narrador sobre aquilo tudo ser o paraíso ou o
inferno.
Parece
sintomático o desconforto do compositor com a "prisão",
no caso o "Hotel California", onde as celebridades são
encarceradas ao alcançar o topo, em relação a drogas, álcool,
mulheres ou ao próprio show business. Talvez tenha sido um momento
de reflexão da banda sobre o alto custo, para eles, do lado dourado
da fama e do sucesso.
Segue
a seguir uma análise dos versos da
música:
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On
a dark desert highway
(Numa
estrada escura e deserta)
Cool
wind in my hair
(Vento
fresco em meu cabelo)
Warm
smell of colitas
(Cheiro
morno de baseado)
Rising
up through the air
(Subindo
no ar)
Up
ahead in the distance
(Logo
à frente)
I
saw a shimmering light
(Eu
vi uma luz trêmula)
My
head grew heavy and my sight grew dim
(Minha
cabeça ficou pesada e minha visão embaçou)
I
had to stop for the night
(Eu
tive que parar para passar a noite)
Aqui
é o começo de tudo, e é bem cena de filme de terror, né? Pessoa
na estrada, música ao fundo, até que algo acontece e é preciso
bater na porta de um lugar desconhecido para passar a noite.
There
she stood in the doorway
(Lá
estava ela, na entrada da porta)
I
heard the Mission bell
(Eu
ouvi o sino da Missão)
And
I was thinking to myself
(E
eu estava pensando comigo mesmo)
This
could be heaven or this could be hell
(Aqui
pode ser o céu ou pode ser o inferno)
Then
she lit up a candle and she showed me the way
(Então,
ela acendeu uma vela e me mostrou o caminho)
There
were voices down the corridor
(Havia
vozes pelo corredor)
I
thought I heard them say
(Eu
pensei tê-las ouvido dizerem)
A
seguir vem o icônico refrão da música…
Welcome
to the Hotel California
(Bem-vindo
ao Hotel Califórnia)
Such
a lovely place
(Que
lugar encantador)
Such
a lovely face
(Que
rosto encantador)
Plenty
of room at the Hotel California
(Vários
quartos no Hotel Califórnia)
Any
time of year
(Qualquer
época do ano)
You
can find it here
(Você
pode encontrá-lo aqui)
O
local é encantador, deslumbrante, paradisíaco e todos os adjetivos
possíveis para um lugar de onde ninguém desejaria sair. Mas nada
mais é que uma metáfora para a indústria musical e seus excessos.
Há
alguns artistas que deixam o sucesso e tudo que vem com a fama subir
à cabeça e dominar suas vidas, enquanto outros escrevem músicas
que refletem os bastidores desse universo que pode não ser tão
perfeito assim.
Her
mind is Tiffany-twisted
(Sua
mente é obcecada por joias da Tiffany)
She
got the Mercedes Bends
(Se
perde do mundo com sua Mercedes Benz)
She
got a lot of pretty, pretty boys
(Ela
tem vários belos, belos rapazes)
That
she calls friends
(Que
ela chama de amigos)
How
they dance in the courtyard
(Como
eles dançam no pátio)
Sweet
summer sweat
(Doce
suor de verão)
Some
dance to remember
(Alguns
dançam para lembrar)
Some
dance to forget
(Alguns
dançam para esquecer)
Como
os membros do Eagles disseram, fica muito evidente se pensarmos na
letra como se esse ela fosse a indústria e tudo o que vem junto à
ela: joias, carros, amigos (e também os “falsos amigos”),
festas, mulheres, bebidas, o sucesso, os bons momentos… Mas também
os momentos vazios de sentido e de sentimento.
So
I called up the captain
(Então
eu chamei o capitão)
Please,
bring me my wine
(Por
favor, me traga meu vinho)
He
said
(Ele
disse)
We
haven’t had that spirit here since
(Nós
não temos essa bebida aqui desde)
Nineteen
sixty-nine
(Mil
novecentos e sessenta e nove)
And
still those voices are calling from far away
(E
ainda assim aquelas vozes estão chamando à distância)
Wake
you up in the middle of the night
(Te
acordam no meio da noite)
Just
to hear them say
(Só
para ouvi-las dizerem)
Essa
estrofe gira em torno de uma metáfora com a palavra spirit quando é
pedido um vinho para o capitão. Isso porque spirit pode se referir à
bebida destilada, ou, como os compositores afirmam, à chegada da
música disco e pop, que afastou o ativismo social que foi tão
presente nos anos 1960.
Ou
seja, quer dizer que todos estavam perdendo os ideais de 1969, ano do
festival Woodstock. E o que resta? As vozes da indústria musical que
ficam sussurrado, tentando ser convincentes.
Aqui
há a repetição do refrão…
Mirrors
on the ceiling
(Espelhos
no teto)
The
pink champagne on ice
(Champanhe
rosé no gelo)
And
she said
(E
ela disse)
We
are all just prisoners here
(Nós
todos somos apenas prisioneiros aqui)
Of
our own device
(Por
nossa própria conta)
Mais
referências à luxúria… Até que ela, a metáfora da jornada
hedonista, diz que todos se tornam prisioneiros após entrarem no
Hotel California, ou
seja, se tornam reféns da fama, do sucesso, e, muitas vezes, das
próprias escolhas.
And
in the master’s chambers
(E
nos aposentos do mestre)
They
gathered for the feast
(Eles
se reuniram para o banquete)
They
stab it with their steely knives
(Eles
esfaqueiam com suas facas de aço)
But
they just can’t kill the beast
(Mas
eles simplesmente não podem matar a besta)
Nessa
estrofe todas as pessoas que estão no Hotel são convidadas para um
“certo encontro” com o mestre. E essa tal besta que tentam
esfaquear com todas as forças seria o ego, a rivalidade que a
indústria cria entre as bandas, os pontos negativos que vêm junto
com o sucesso.
Last
thing I remember
(A
última coisa que me lembro)
I
was running for the door
(Eu
estava correndo para a porta)
I
had to find the passage back
(Eu
tinha que encontrar a passagem de volta)
To
the place I was before
(Para
o lugar onde eu estava antes)
Relax,
said the night man
(Relaxe,
disse o guarda)
We
are programmed to receive
(Nós
somos programados para acolher)
You
can check out any time you like
(Você
até pode registrar a saída quando quiser)
But
you can never leave!
(Mas
você nunca poderá partir!)
Tá
tudo bem querer desistir de tudo depois de começar a fazer sucesso?
Talvez não seja assim tão fácil… Nesse verso, o “guarda”
pode ser interpretado como os contratos, a indústria ou até mesmo
os fãs.
Quer
dizer que, mesmo se o músico ou a banda desistir de produzir, vão
continuar pedindo que ele volte, que faça só mais um showzinho…
Ou seja, ele pode até tentar sair da indústria, mas se for rentável
ou muito querido, permanecerá.
Fonte:
rollingstone.uol.com.br
whiplash.net/
revista.cifras.com.br