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domingo, 2 de janeiro de 2022

Significado dos nomes de estados brasileiros


Os indígenas, ou povos originários. como os chamamos hoje, nos legaram os nomes dos locais onde habitaram.

Quem não se espanta com os nomes de vários municípios de São Paulo que são às vezes difíceis de serem pronunciados?

Pindamonhangaba, Sorocaba, Itaquera, Itaquaquecetuba, Ubatuba, e por aí vai...

Segue, então, o significado dos nomes de alguns Estados brasileiros.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Preconceito Linguístico

O R caipira do interior de São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina deve-se ao fato de que os indígenas que aqui moravam não conseguiam falar o R dos portugueses, não havia o som da letra R em muitos dos mais de 1200 idiomas que falavam aqui.


Então na tentativa de se pronunciar o R, acabou-se criando essa jabuticaba brasileira, que não existe em Portugal.


A isso também se deve o fato de muitas pessoas até hoje em dia trocarem L por R, como em farta (falta), frecha (flecha) e firme (filme).


Com a chegada de mais de 1,5 milhão de italianos à capital de São Paulo o sotaque do paulistano incorporou o R vibrante atrás dos dentes, porta como "porita", e em alguns casos até incorporando mais Rs do que existem: carro como "caRRRo", se quem fala for de Mooca, Brás e Bexiga, bairros paulistanos com bastante influência italiana.


O R falado no Rio de Janeiro deve-se ao fato de que quando a corte portuguesa pisou aqui, a moda era falar o R como dos franceses, saindo do fundo da garganta, como em roquêfoRRRRt, paRRRRRi.


A elite carioca tratou de copiar a nobreza, e assim, na contramão do R caipira e 100% brasileiro, o Rio importou seu som de R dos franceses.


Do mesmo modo a corte portuguesa trouxe o S chiado dos cariocas, sendo hoje o Rio o lugar que mais se chia no Brasil, 97% dos cariocas chiam no meio das palavras e 94% chiam no final.


Belém do Pará ocupa o segundo lugar e Florianópolis em terceiro.


As regiões Norte e Sul receberam a partir do século 17 imigrantes dos Açores e Ilha da Madeira, lugares onde o S também vira SH. Viviam mais de 15 mil portugueses no Pará, quarta maior população portuguesa no Brasil à época, o que fez os paraenses também incorporarem o S chiado.


Já Porto Alegre misturava indígenas, portugueses, espanhóis e depois alemães e italianos. Toda essa mistura resultou num sotaque sem chiamento.


Curitiba recebeu muitos ucranianos e poloneses, a falta de vogais nos idiomas desses povos acabou estimulando uma pronúncia mais pausada de vogais como o E, para que se fizessem entender, dando origem ao folclórico "leitE quentE".


Em Cuiabá e outras cidades do interior do Mato Grosso preservou-se o sotaque de Cabral, não sendo incomum os moradores falando de um "djeito diferentE". Os portugueses que se instalaram ali vieram do norte de Portugal e inseriam T antes de CH e D antes de J. E até "hodje os cuiabanos tchamam feijão de fedjão".


Junto com os 800 mil escravos também foram trazidos seus falares, e sua influência que perdura até hoje em se comer o R no final das palavras: Salvadô, amô, calô e a destruição de vogal em ditongos: lavôra, chêro, bêjo, pôco, que aparece em muitos dialetos africanos.


A falta de plurais, o uso do gerúndio sem falar o D (andano, fazeno), a ligação de fonemas em som de Z (ozóio, foi simbora) e a simplificação da terceira pessoa do plural (disséro, cantaro) também são heranças africanas.


do livro "Mapa Linguístico do Brasil" de Renato Mendonça
e da Superinteressante (Set - 2021)


O livro (abaixo) é uma boa referência para contextualizar essa nossa mania de norma culta.

terça-feira, 26 de março de 2019

NY - POA - Breve Comparativo

Hoje Porto Alegre está fazendo aniversário: 274 anos. 
A cidade é tão admirada mundialmente, que os gringos
não perderam tempo em copiar "otras cositas más".
#poisé!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk




segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Crônica escrita no Jornal de Casnate con Bernate

Em outubro de 1986 fui convidado pelo Sr. Franco Magenta, um dos responsáveis pelo Boletim Informativo da cidade de Casnate Con Bernate, para que escrevesse uma visão que eu (como estrangeiro que lá vivia) tinha acerca daquele "paese" (município). 
Casnate Con Bernate é uma comuna italiana da região da Lombardia, Província de Como com cerca de 4.000 habitantes e distante 5 km da fronteira daquele país com a Suíça.





sábado, 9 de junho de 2018

30 atos de vandalismo geniais


Intervenções urbanas são movimentos artísticos realizadas em espaços públicos. Muitas vezes são discretas o suficiente para não serem notadas pela maioria da população que passa apressada pelas ruas da cidade, mas quando é observada costuma gerar risadas ou uma sensação de conexão entre os membros da comunidade e o espaço urbano.

As mais inteligentes e criativas são as que se aproveitam de uma característica da calçada, muro ou placa para gerar uma segunda mensagem inusitada. Seus conteúdos não costumam ser ofensivos, e sim bem-humorados, algumas vezes gerando reflexões sobre costumes e hábitos sociais.

O mais legal sobre as intervenções urbanas é que normalmente elas não causam danos permanentes ao mobiliário urbano, e costumam ser feitas com adesivos ou papéis que podem ser removidos sem dificuldade. [Bored Panda]

Confira 30 intervenções divertidas feitas em ruas, escolas e banheiros:



1. Esta luz de banheiro ficou muito mais legal com um pequeno E.T. voltando para casa.



2. Uma simples lixeira azul virou o Cookie Monster, também conhecido como Come Come.



3. “Neste ano milhares de homens vão morrer de teimosia”, diz esta placa com campanha do governo, lembrando aos homens que eles devem realizar exames de saúde preventivos. “Não, não vamos”, diz a resposta de algum homem teimoso.



4. No Canadá as pessoas têm tanta fama de serem educadas que até o “vandalismo” é divertido e inofensivo.



5. “Por favor não mexa”.



6. “Uma em cada três cobras é uma babaca”, diz a legenda alternativa desta placa.



7. Agora sabemos como esta barra metálica ficou torta…



8. “Aplauda a água-viva”, diz o recadinho.



9. Essa doeu.



10. Uma simples faixa de pedestres fica muito mais interessante assim.



11. Este corrimão ficou infinitamente mais feliz com essa dupla escorregando na barra.



12. Algum fã do Led Zeppelin não resistiu a esta tentação.



13. “Algum vândalo?”, pergunta uma das câmeras, ao que a outra responde “nada”. Nunca saberemos se este par de câmeras bobalhonas gravou a ação dos intervencionistas ou não.



14. O perfume “Sauvage” ficou “salsicha”, com direito a um pequeno garfo com uma salsicha espetada no canto da imagem. A expressão facial de Jonhy Depp deixou a intervenção ainda mais cômica.



15. Este vândalo escreveu o que muitos pensam: comer sorvete de acompanhamento, entrada e milkshake de bebida vai acabar em diabetes e obesidade.



16. A placa de faixa de pedestres virou “cuidado, abduções alienígenas!”



17. Este letreiro do prédio de Artes Liberais virou “peidos liberais”.



18. Este hidrante amarelo ganhou algumas peças de roupa para virar minion de vez.



19. Este trem já tinha inclinação para minion, bastou um pequeno sorriso e olho para confirmar sua segunda identidade.



20. Esta tampa na calçada virou o cenário de uma partida emocionante de Pacman.



21. Já essas caixas são um pouco desastradas.



22. Caixas de telecomunicações e eletricidade ganharam personalidade com poucos traços.



23. Esta placa de “contramão” ganhou um novo sentido com a presença de um pequeno ajudante.



24. Corte aqui.



25. Enquanto alguns veem escada, outros veem um teclado de piano.



26. Esta rachadura ficou mais interessante com um mini Homem-Aranha.



27. Faixa contínua ou tomada?



28. Uma versão alternativa sobre o que causou os danos ao pequeno poste.



29. As bolinhas desse piso tátil para deficientes visuais viraram a alegria de fãs de Matrix.



30. Qualquer objeto fica melhor com olhinhos que tremem.



Publicado no site hypescience.com em fevereiro/2017.

segunda-feira, 5 de março de 2018

O Popular - Luís Fernando Veríssimo


Um número recente da Veja trazia fotografias sensacionais das (como diria um inglês) “incomodações” na Irlanda do Norte. Todas eram de ganhar prêmio, mas uma me impressionou especialmente. Nela aparecia a versão irlandesa do Popular. 

É uma figura que sempre me intrigou. A foto da Veja mostra um soldado inglês espichado na calçada, protegido pela quina de um prédio, o rosto tapado por uma máscara de gás, fazendo pontaria contra um franco-atirador local. Atrás dele, agachados no vão de uma porta, dois ou três dos seus companheiros, também em plena parafernália de guerra, esperam tensamente para entrar no tiroteio. 

Há fumaça por todos os lados, um clima de medo e drama. Mas ao lado do soldado que atira, em primeiro plano, está o Popular. De pé, olhando com algum interesse o que se passa, com as mãos nos bolsos e um embrulho embaixo do braço. O Popular foi no armazém e na volta parou para ver a guerra.

Sempre pensei que o Popular fosse uma figura exclusivamente brasileira. Nas nossas incomodações políticas, no tempo em que ainda havia política no Brasil, o Popular não perdia uma. Os jornais mostravam tanques na Cinelândia protegidos por soldados de baioneta calada e lá estava o Popular, com um embrulho embaixo do braço, examinando as correias de um dos tanques. Pancadaria na Avenida? Corria polícia, corria manifestante, corria todo mundo, menos o Popular. O Popular assistia. Cheguei a imaginar, certa vez, uma série de cartuns em que o Popular aparecia assistindo ao Descobrimento do Brasil, à Primeira Missa, ao Grito da Independência, à Proclamação da República... 

Sempre com seu embrulho debaixo do braço. E de camisa esporte clara para fora das calças. (O Popular irlandês veste terno e sobretudo contra o frio. O Popular tropical é muito mais Popular.)

Não se deve confundir o Popular com o Transeunte, também conhecido como o Passante. O Transeunte ou Passante às vezes leva uma bala perdida, o Popular nunca. O Transeunte às vezes vai preso por engano, o Popular é que fica assistindo à sua prisão. O Transeunte, não raro, se compromete com os acontecimentos. Aplaude o visitante ilustre que passa, por exemplo. O Popular fica com as mãos nos bolsos e quase sempre presta mais atenção ao motociclo dos batedores do que à figura ilustre. O Transeunte pode se entusiasmar momentaneamente com uma frase de comício ou um drama na rua, e aí o Popular é que fica olhando para o Transeunte.

O Popular não tem opinião sobre as coisas. Quando o rádio ou a televisão resolvem ouvir “a opinião de um popular” na rua, sempre se enganam. O Popular nunca é o entrevistado, é o sujeito que está atrás do entrevistado, olhando para a câmara.

O Popular não merece nem os méritos nem a calhordice que a imprensa lhe atribui. Alguém que é “socorrido por populares”, outro, menos feliz, que é linchado por populares... Engano. 

Onde há um bando de populares não há o Popular. O Popular é a antimultidão. Sua única virtude é a sua singularidade. E um certo ceticismo inconsciente diante da História e das coisas. Não é que o Popular desmereça o Poder e os grandes lances da Humanidade, é que ele tem uma fatal curiosidade pelo detalhe supérfluo, um fascínio irresistível pelo insignificante. Nas revoluções, o que atrai o Popular é a estranha postura de um soldado deitado no chão, o mecanismo de um tanque, as lentes de uma câmera.

O Popular é uma figura tipicamente urbana. Não tem domicílio certo. Seu habitat natural é a margem dos acontecimentos. E - este é o seu maior mistério, a chave da sua existência - ninguém jamais conseguiu descobrir o que o Popular leva naquele embrulho. E tem mais. O dia em que pegarem um Popular para desvendarem um mistério será inútil. Vão se enganar outra vez. O Popular verdadeiro estará atrás do preso, assistindo a tudo.


Luis Fernando Veríssimo -  Este texto está no livro O Popular. - Fonte:
http://literal.terra.com.br/verissimo/porelemesmo/porelemesmo_analista.shtml?porelemesmo

terça-feira, 18 de abril de 2017

O Pioneirismo no Transporte Rodoviário de Passageiros




A Empreza Jaeger & Irmão é digna do bom nome, da grandeza e do desenvolvimento rodoviário no Rio Grande do Sul

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Uma empreza que coopera com efficiencia no transporte de passageiros, cargas e encommendas para vários pontos do nosso Estado e de S. Catharina

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Uma organisação completa e perfeita que conseguiu radicar-se no conceito do nosso alto commercio e do publico rio-grandense

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Uma visita ao escriptorio central da Empreza Jaeger & Irmão, às 3 horas da madrugada, na occasião da partida de 4 dos seus modelares auto-omnibus para as praias balneárias

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O bom nome da Empreza Jaeger & Irmão, já tinha chegado até nós, porque ella é bastante conhecida, não só nesta capital e no Estado, como através de suas fronteiras, como uma organisação completa e modelarmente apparelhada ao fim a que se destina.

Alli, tudo prima, desde uma administração impeccavel, ao capricho, zelo, seriedade e capacidade de organisação.

E a prova do que vimos de affirmar, ahi está em um dos muitos serviços prestados pela Empreza Jaeger & Irmão, ao Rio Grande do Sul desportivo, levando, em uma de suas viagens á Capital de São Paulo o scratch que foi representar as cores do nosso Estado, no Campeonato Brasileiro de Foot Ball.

Foi uma viagem que, embora desfavorecida pelo tempo, chegou ao seu final em um lapso de tempo que muito recommenda a Empreza Jaeger & Irmão.

Não somos só nós que assim dizemos. Os nossos collegas da imprensa matutina desta capital já o disseram, não só em seus serviços telegraphicos como em suas secções redactoriaes. Além deste optimo serviço, que veio dizer do valor da Empreza dos irmãos Oscar e Mario Jaeger, outros, aliás, de maiores vultos, vem ella prestando a collectividade do Rio Grande do Sul: o transporte das malas do Correio para o interior do Estado, com uma regularidade impeccavel e o transporte de todos os jornaes diários da capital que chegam a seus pontos horas após a distribuição e á Florianopolis no mesmo dia de sua circulação.

E taes factos nos deram ensejo para uma visita á Empreza Jaeger 4.ª feira última, ás 3 horas da madrugada, hora da partida de seus carros ás praias balneárias e a Florianopolis.

Alli chegando, fomos recebidos pelo sócio gerente da Empreza Jaeger & Irmão, sr. Oscar Jaeger, nome destacado em nossos meios commerciaes e turfistas, a cujo desporte está ligado como criador e proprietário de vários parelheiros em actuação no hippodromo dos Moinhos de Vento.

Já era, pois, o illustre “turfman” nosso conhecido, pelo que não foi difficil o nosso desejo visado.

Apresentado por este distincto amigo, fomos conhecer o seu sócio, o sr. Mario Jaeger, a quem está entregue a direcção geral dos vehículos, quando em transito.

Após ligeira e amistosa palestra, já na presença de elevado numero de passageiros que aguardavam a hora da partida, conseguimos bater as chapas que illustram esta reportagem e que melhormente dizem da preferência publica pela conhecida Empreza portoalegrense, que tem seu escriptorio central à Praça dos Bombeiros, 185.

Nada menos de 87 passageiros, estavam, conforme presenciamos, confortavelmente accomodados, nos quatro caminhões, promptos para partirem.

Os empregados da Empreza activos e sob a direcção do fiscal geral nas viagens, zelavam pelas bagagens dos passageiros collocando as em lugares adequados nos próprios caminhões.

E já estava na hora da partida. Esta não podia ser retardada de accordo com as ordens do D.A.E.R., o sr. Mario Jaeger despede-se e dá ordens. Os caminhões se põem em movimento, um atraz do outro e rumam aos seus destinos.

Muitos adeus!... e Até a volta!...

O sr. Oscar Jaeger volta ao escriptorio, onde nos prestou mais as seguintes e interessantes informações:

- Isto que os amigos estão vendo, é sempre.

- O movimento dia a dia, augmenta de uma maneira phantastica, basta que lhe diga, não pode se attender a todos que nos procuram nos dias de partidas.

É necessário que nos peçam para reservar lugares, sempre com antecedência de um a dois dias, para que possamos attender a todos.


(Matéria publicada na revista A VOZ DO TURF - Janeiro de 1940)