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terça-feira, 29 de outubro de 2013

CANÇÃO DA DESPEDIDA / AI QUE SAUDADE D'OCÊ - GERALDO AZEVEDO

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Como disse minha amiga Thalita Fernandes:
Te segura e te põe no teu lugar, coração!

O amor acaba, mas nem sempre termina

Sim, o amor acaba, é do jogo, mas muita gente se avexa, numa azáfama dos diabos, querendo se jogar do abismo ainda a léguas do despenhadeiro.
O amor acaba, mas tem sempre um “chorinho”, como do generoso garçom no nosso uísque.
O mundo anda muito impaciente com as complicações amorosas, como se fosse fácil juntar duas criaturas sob as mesmas telhas da rotina.
É preciso estar preparado(a) para as goteiras, para a hora em que o amor vaza ou pinga no chão da casa e não há balde ou rodo que dê jeito.
No que vos conto, sob a desculpa do encorajamento coletivo, afinal de contas animar a vida besta também é papel de um cronista-fabulista:
E quando imaginávamos que estava tudo acabado, que amor não mais havia, que tinha ido tudo para as cucuias, que o fogo estava morto, que o amor era apenas uma assombração do Recife Antigo.

Quando já dizíamos, a uma só voz, a crônica de Paulo Mendes Campos que repito ao infinitum:
“Às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba…”

Quando já separávamos, olhos marejados, os livros e os discos…
Quando mirávamos, no mesmo instante, a nossa foto feliz no porta-retratos…
Quando não tínhamos nem mais ânimo para as clássicas D.R´s – as mitológicas discussões de relação…
Ave, palavra, até o gato, nervoso, sem saber com quem ficaria, quebrava coisas dentro de casa àquela altura; o papagaio blasfemava, diabo verde!
Estava na cara, naquela fantástica zoologia amorosa: aqueles pombinhos já eram.
O cheiro do fim tomara todos os cômodos, a rua, o quarteirão, o bairro, a cidade, o mundo…
Quando só restava cantar uma música de fossa… “Aquela aliança você pode empenhar ou derreter…”
Quando só restava a impressão de que eu já vou tarde…
Quando só restava Leonardo Cohen no iphone da moça moderna…
Quando eu não era mais o cara, embora insistisse em cantar o “I´m your man” deste mesmo trovador canadense…
Sim, o quadro era triste, não se tratava de hipérbole ou demão de tintas gregas.
De tanta inércia, faltava até força para que houvesse a separação física, faltava força para arrumar as malas, pegar as escovas, contar aos chegados comuns, tomar um porre.
Ah, amigo, quer saber quem bateu o ponto final da história?
Ela, claro, você acha que homem tem coragem para acabar qualquer coisa? Mulher é ponto final; homem ponto e vírgula, reticências, atalhos, barrigas de palavras, verbos e orações.
O estranho é que ela não disse, em nenhum momento, que não gostava mais do pobre mancebo.
Aquilo encucava. Porque um homem,  disse o velho Antonio Maria, padrinho sentimental deste cronista, nunca se conforma em separar-se sem ouvir bem direitinho, no mínimo quinhentas vezes, que a mulher não gosta mais dele, por que e por causa de quem etc etc, a longuíssima milonga do adiós.
E nesse clima de fim sem fim as folhinhas outonais do calendário foram despencando sobre a relva fresca do desgosto.
Eu acabara de levantar do amigo sofá, que havia se transformado no meu leito, quando ela passou com uma cara de impaciência e desassossego. Mais que isso: ela estava com vontade de matar gente!
Era a cara que fazia quando estava faminta. Sabe mulher que fica louca quando a fome aperta e a angústia da existência vocifera pelos barulhos do estômago?
Vi aquela cena e caí na gargalhada. A princípio ela estranhou… Mas sacou tudo e danou-se a morrer de rir igualmente. Nos abraçamos e rimos e rimos e rimos e rimos daquilo tudo, rimos da nossa fraqueza em não dar uns nós nos clichês, inclusive o da volta por cima, rimos do nosso silêncio sem sentido, rimos desses casais que se separam logo na primeira crise, rimos da falta de forças para enfrentar os maus bocados, rimos, rimos, rimos.
Rimos da preguiça sentimental da humanidade e nos esbagaçamos de amor no chão da sala mesmo.
E um casal que ainda ri junto tem muita lenha verde para gastar na vida e fazer cuscuz com carneiro e outros banquetes nada platônicos movidos a bagaceiras, alentejanos sagrados e salineiras aguardentes.
Agora ela está deitada, linda, cheirosa, gostosa, psiu!, silêncio, ela dorme enquanto escrevo essa crônica!

Xico Sá é escritor e jornalista, colunista da Folha
Crônica a ser publicada na Folha de São Paulo - 30/10/2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Reminiscências (*) 17


Meu amor me tirou do chão
Me senti além do horizonte
Tudo o que queria era viajar contigo
Mas acho que preciso dar um tempo

Entender que não te quero mais... Não!!!
Acreditar que não me querem mais... Sim!!!

Eu só queria um amor de verdade
Eu só queria amar de verdade
Eu só quero a outra metade
Do meu coração que um dia tu roubou
Por favor!!! Quero ele de volta...

Saibas que a delícia de estar contigo
Ainda fazem a minha cabeça
Mas não quero mais ficar
Com os olhos avermelhados.
Vou tentar te esquecer
Antes que eu me esqueça!!!
18.10.13 às 17:30h



Não te assuste!!! 
O pior já passou... e saímos ilesos... 
Com a alma em pedaços, mas fisicamente ilesos. 
Sobrevivi silencioso aos gritos que a tua ausência me fez ouvir.
24.10.13 às 1:35h



Às vezes penso que insisto                           
Porque não sei desistir                                  
Mas imediatamente sei por que invisto
Pois só de pensar nela começo a sorrir
E é nessa felicidade que eu reconquisto
Esperando que a mesma volte a surgir.

De qualquer tristeza e saudade                     
Não poderia nunca reclamar
Pois se curti a felicidade
Deveria agradecer com o teu chegar
E que tudo isso foi mesmo verdade
Ainda que não pudesses ficar.

Dormir debruçado sobre a mesa
Acompanhado de um choro silencioso
Mas é só valorizando a tristeza
E aprender a ser paciencioso
Ouvindo algum disco da Bossa
Sofrendo e curtindo uma fossa.
28.10.13 às 20:35h



(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das idéias."

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Do Mundo de Drummond - A Felicidade


Parabéns Pelas 23 Primaveras Eternas... rs

Oi Linda!

Os dados numéricos e cronológicos abaixo encontram-se desatualizados.
A declaração, não! 
Apesar dela não ter mais aplicabilidade pela ausência de receptividade, 
ela ainda assim é atual.
Ia escrever que o resto era o resto...
Pouco importa se foi sempre assim que recebestes isto que te escrevi abaixo, desde o primeiro momento que lestes, mas eu não estaria sendo sincero e honesto se assim - indiferente - me comportasse. 
Não seria o Ike que sempre te amou...


Escrito em 24 de outubro de 2011 e renovado no ano seguinte.


Como escrevi no texto... NÃO TE ASSUSTE!!! 
O pior já passou... e saímos ilesos... 
Com a alma em pedaços, mas fisicamente ilesos. 
Sobrevivi silencioso aos gritos que a tua ausência me fez ouvir.

Esses dias li um comments teu, que por ser uma publicação em blog, não consegui identificar se era ficção ou realidade; se reclamação ou opinião... enfim! 
Dizia o seguinte:
"(...)
Como esperar ou precisar ou depender de alguém???
(...)
Ninguém quer saber de nada nem de ninguém!!! Olham o próprio umbigo e só!!!
Ninguém valoriza laços..vínculos..
As pessoas perderam os valores afetivos...
Principalmente os familiares...
Qe triste!!
Qe lixo!!
Qe seja...
Os outros são os outros e só..."

Sim!!! As pessoas estão se perdendo e perdendo os valores afetivos. Mas isso não significa que "ninguém" valoriza laços..vínculos. Digamos... "algumas pessoas", já que "ninguém" mais parece a regra, qdo posso afirmar ser a exceção.

Eu posso estar sendo injusto, mas se lestes esse texto que fiz de coração dirigido à tua pessoa, verás que tuas palavras não teriam razão de ser. Mas como disse antes, não consegui visualizar se tratava-se de ficção ou realidade.

Mas concluo tratar-se da mais absoluta ficção, pois apesar de sempre ter sido apontado como alguém que só olhava para meu próprio umbigo, nunca deixei de externar minhas intenções em querer saber e me preocupar com a pessoa que amei e, tão pouco, deixei de valorizar laços e vínculos!!!

Eu não tinha habilidade para tanto??? Pode ser... bem possível!!! Ou talvez tenha me faltado alguém que estendesse a mão para que a reciprocidade fizesse atingir um vinculo - não digo perfeito, mas saudável...

E concordo contigo... "QE TRISTE!!"

Mas tenha fé, principalmente no dia de hoje, qdo completas 23 primaveras teimosamente eternas... kkkkkkk  PARABÉNS, MESMO!!!

Te desejo tudo de bom e sempre te oferecerei o que consta em minha declaração acima, desde que os laços e vínculos sejam sadios, é claro!!!

Ah!!! Curta intensamente o ano que se inicia. Sobreviver a estes 38 anos (aháá, te entreguei), 456 meses, 13.622 dias ou 326.928 horas, é mais do que meio caminho andado... É uma vida bem vivida!!!

Bj no coração!!!


Com afeto, carinho e muito amor!!!