terça-feira, 8 de outubro de 2013

Reminiscências (*) 16

Quando tudo começou

Sei que erro às vezes
Valho-me da força bruta das palavras
Ditas quase sempre sem pensar
Atropelando as boas maneiras
Sugerindo não fazer as pazes
Pra depois as mágoas afogar.

Queria os céus em minhas mãos
Perder-me na imensidão infinita
Caminhar pela estrada em vão
Na direção onde ninguém habita
Enfim! Esquecer da razão...
E tudo aquilo que me irrita.

Dizer que queria nunca te conhecer
Que tu me fizestes muito mal
Seria insano fazer
Estou cansando desse recital
Queria apenas poder te esquecer
E isso seria loucura igual.

Mas muitas e muitas vezes me vali
Dessa força bruta das palavras
Pra expressar momentos bons
Que contigo vivi
Não podendo descompensar
O quanto me dediquei a ti.

Mas será que vale a pena?
Sabendo ser o amor traiçoeiro
Vendo a vida em uma só cena
Transformando tudo em poeira
E fazer sentir muita pena
Ver arder e queimar na fogueira.

Ficar todo tempo de prontidão
Aguardando um telefonema
Demonstrava minha lentidão
Em visualizar o problema
Hoje tenho as senhas pra poder te conquistar
E tantos segredos revelados pra poder te alcançar...

Gosto das palavras ditas para amar
Tu como ninguém sabes bem disso
Mesmo quando vinhas me destratar
Pensava: - O amor supera isso...
Mas vejo que contigo não é assim
Não interessa início... nem meio... apenas Fim!!!

Mas a vida já me mostrou antes
Momentos mágicos de verão
Litigantes, errantes e distantes
Mas sempre tive à disposição
Esperando tua vinda ao encontro
Teu encanto é minha mansidão.

Mas tudo tem razão de ser
Me esforçava em reconquistar
Minha ansiedade de querer te ver
E cada dia ter que esperar
Só o céu pra poder me ajudar
E por mais um milagre torcer.

Mesmo enxugando lágrima
Não solto ao vento qualquer confissão
Apenas liberto a alma
E escancaro meu coração
Esperando com muita calma
As tristes noites que virão.

Nada tenho a desvendar
Ainda que veja agora
O que amanhã chegar
E tendo a sorte de viver sonhando
Resta a esperança de alcançando
Tudo isso poder superar.


(*) Segundo Platão, "lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior, quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das idéias."

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